Ritonavir + Clomipramina
⚠O que acontece
Aumento significativo nos níveis plasmáticos de clomipramina, elevando o risco de cardiotoxicidade (prolongamento do QTc > 500 ms, torsades de pointes), convulsões e síndrome serotoninérgica. Relatos de caso documentam toxicidade grave com esta combinação.
⚙Mecanismo
Ritonavir é um potente inibidor da CYP2D6 (Ki ≈ 0.02 μM), principal via de metabolismo da clomipramina para seu metabólito ativo desmetilclomipramina. A inibição pode aumentar a AUC da clomipramina em 2-4 vezes, com redução significativa do clearance. Adicionalmente, ritonavir inibe CYP3A4 e CYP1A2, vias menores, contribuindo para o acúmulo.
📋Conduta Clinica
Evitar associação sempre que possível. Se indispensável: reduzir dose de clomipramina em 75% (ex.: de 150 mg/dia para 37.5 mg/dia) e titular lentamente com base na resposta clínica e níveis séricos. Monitorar nível sérico de clomipramina + desmetilclomipramina (alvo: 100-250 ng/mL). Realizar ECG basal e semanal nas primeiras 4 semanas. Manter K+ ≥ 4.0 mEq/L e Mg2+ ≥ 2.0 mg/dL.
🔍O que monitorar
Nível sérico de clomipramina (pico e vale), ECG com QTc (basal, dia 3, dia 7, semanal por 1 mês), eletrólitos (K+, Mg2+), sinais de arritmia, convulsões, alteração do estado mental.
↺Alternativas
Substituir ritonavir por um antirretroviral sem inibição da CYP2D6 (ex.: dolutegravir, raltegravir) ou substituir clomipramina por um ISRS com menor dependência de CYP2D6 (ex.: escitalopram, sertralina), monitorando QTc.
📚Referências
Flockhart Drug Interactions Table; Micromedex 2024; relatos de caso (J Clin Psychopharmacol 2000;20:110-2)
Perguntas Frequentes
Pode tomar Ritonavir com Clomipramina?
A combinação de Ritonavir com Clomipramina apresenta interação de gravidade grave. Aumento significativo nos níveis plasmáticos de clomipramina, elevando o risco de cardiotoxicidade (prolongamento do QTc > 500 ms, torsades de pointes), convulsões e síndrome serotoninérgica. Relatos de caso documentam toxicidade grave com esta combinação. Evitar associação sempre que possível. Se indispensável: reduzir dose de clomipramina em 75% (ex.: de 150 mg/dia para 37.5 mg/dia) e titular lentamente com base na resposta clínica e níveis séricos. Monitorar nível sérico de clomipramina + desmetilclomipramina (alvo: 100-250 ng/mL). Realizar ECG basal e semanal nas primeiras 4 semanas. Manter K+ ≥ 4.0 mEq/L e Mg2+ ≥ 2.0 mg/dL.
Ritonavir e Clomipramina interagem?
Sim, Ritonavir e Clomipramina possuem interação medicamentosa documentada. O mecanismo envolve ritonavir é um potente inibidor da cyp2d6 (ki ≈ 0.02 μm), principal via de metabolismo da clomipramina para seu metabólito ativo desmetilclomipramina. a inibição pode aumentar a auc da clomipramina em 2-4 vezes, com redução significativa do clearance. adicionalmente, ritonavir inibe cyp3a4 e cyp1a2, vias menores, contribuindo para o acúmulo.. A conduta recomendada é: evitar associação sempre que possível. se indispensável: reduzir dose de clomipramina em 75% (ex.: de 150 mg/dia para 37.5 mg/dia) e titular lentamente com base na resposta clínica e níveis séricos. monitorar nível sérico de clomipramina + desmetilclomipramina (alvo: 100-250 ng/ml). realizar ecg basal e semanal nas primeiras 4 semanas. manter k+ ≥ 4.0 meq/l e mg2+ ≥ 2.0 mg/dl..
Qual o risco de Ritonavir com Clomipramina?
O risco da associação Ritonavir + Clomipramina é classificado como GRAVE. Aumento significativo nos níveis plasmáticos de clomipramina, elevando o risco de cardiotoxicidade (prolongamento do QTc > 500 ms, torsades de pointes), convulsões e síndrome serotoninérgica. Relatos de caso documentam toxicidade grave com esta combinação. Monitorar: nível sérico de clomipramina (pico e vale), ecg com qtc (basal, dia 3, dia 7, semanal por 1 mês), eletrólitos (k+, mg2+), sinais de arritmia, convulsões, alteração do estado mental..
Interações Relacionadas
Interação complexa: 1) A Amiodarona inibe a CYP2D6 e a CYP2C9, enquanto a Fluoxetina é um potente inibidor da CYP2D6 e inibidor moderado da CYP3A4. Esta inibição mútua pode elevar os níveis de ambos os fármacos. 2) Ambos prolongam o intervalo QT por bloqueio dos canais IKr (hERG), resultando em um efeito aditivo significativo na repolarização ventricular.
Interação dupla: 1) A Amiodarona inibe a CYP2D6 e a CYP3A4, enzimas que metabolizam a Sertralina, podendo aumentar seus níveis. A Sertralina, por sua vez, é um inibidor moderado da CYP2D6, o que pode afetar o metabolismo da Amiodarona. 2) Ambos os fármacos bloqueiam os canais IKr (hERG), causando um efeito aditivo no prolongamento do intervalo QTc.
Interação farmacocinética e farmacodinâmica: 1) A Amiodarona inibe a CYP2D6, a principal via de metabolismo da Paroxetina, podendo aumentar seus níveis. A Paroxetina é um potente inibidor da CYP2D6, o que pode reduzir a conversão da Amiodarona em seu metabólito ativo, alterando seu perfil de eficácia e toxicidade. 2) Ambos prolongam o intervalo QT por bloqueio dos canais IKr (hERG), com efeito aditivo.
Amiodarona inibe CYP2D6 e CYP3A4 (reduz conversão de venlafaxina para O-desmetilvenlafaxina), aumentando níveis de venlafaxina em 30-70% e reduzindo metabólito ativo.
Atualizado em junho/2026
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