Rifabutina + Metadona

GraveRisco elevado — pode causar dano significativo ao paciente
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O que acontece

Redução grave dos níveis de Metadona (AUC reduzida em ~40-60%), resultando em síndrome de abstinência aguda (ansiedade, insônia, dores musculares, diarreia) e risco de recaída em pacientes em tratamento de dependência. Pode levar ao abandono do tratamento.

Mecanismo

A Rifabutina induz o CYP3A4, que é uma das vias de metabolismo da Metadona (N-desmetilação via CYP3A4, Km ~ 10-50 μM). A Metadona também é metabolizada pelo CYP2B6 e CYP2D6. A indução do CYP3A4 pela Rifabutina pode reduzir a AUC da Metadona em 40-60%, levando a uma diminuição rápida dos níveis plasmáticos. Devido ao índice terapêutico estreito e ao risco de síndrome de abstinência grave, esta interação é considerada grave.

📋Conduta Clinica

Evitar a coadministração. Se inevitável, aumentar a dose de Metadona em 50-100% (ex.: de 80 mg/dia para 120-160 mg/dia) e titular conforme sintomas de abstinência. O ajuste deve ser feito sob supervisão médica rigorosa. Considerar a troca da Rifabutina por um agente não indutor ou o uso de Buprenorfina (metabolismo menos dependente de CYP3A4).

🔍O que monitorar

Monitorar sinais de abstinência (escala COWS - Clinical Opiate Withdrawal Scale) a cada 4-6 horas inicialmente. ECG basal e semanal para QTc (ambos prolongam QT). Monitorar função hepática mensalmente. Níveis séricos de Metadona podem ser úteis para guiar o ajuste.

Alternativas

Substituir Metadona por Buprenorfina (metabolismo via CYP3A4 em menor grau) ou substituir Rifabutina por um antibiótico não indutor, se possível.

📚Referências

Flockhart Drug Interactions Table; UpToDate 2024; FDA Drug Development and Drug Interactions: Table of Substrates, Inhibitors and Inducers; Estudo clínico: McCance-Katz EF, et al. Drug Alcohol Depend. 2001;63(2):139-46.

Perguntas Frequentes

Pode tomar Rifabutina com Metadona?

A combinação de Rifabutina com Metadona apresenta interação de gravidade grave. Redução grave dos níveis de Metadona (AUC reduzida em ~40-60%), resultando em síndrome de abstinência aguda (ansiedade, insônia, dores musculares, diarreia) e risco de recaída em pacientes em tratamento de dependência. Pode levar ao abandono do tratamento. Evitar a coadministração. Se inevitável, aumentar a dose de Metadona em 50-100% (ex.: de 80 mg/dia para 120-160 mg/dia) e titular conforme sintomas de abstinência. O ajuste deve ser feito sob supervisão médica rigorosa. Considerar a troca da Rifabutina por um agente não indutor ou o uso de Buprenorfina (metabolismo menos dependente de CYP3A4).

Rifabutina e Metadona interagem?

Sim, Rifabutina e Metadona possuem interação medicamentosa documentada. O mecanismo envolve a rifabutina induz o cyp3a4, que é uma das vias de metabolismo da metadona (n-desmetilação via cyp3a4, km ~ 10-50 μm). a metadona também é metabolizada pelo cyp2b6 e cyp2d6. a indução do cyp3a4 pela rifabutina pode reduzir a auc da metadona em 40-60%, levando a uma diminuição rápida dos níveis plasmáticos. devido ao índice terapêutico estreito e ao risco de síndrome de abstinência grave, esta interação é considerada grave.. A conduta recomendada é: evitar a coadministração. se inevitável, aumentar a dose de metadona em 50-100% (ex.: de 80 mg/dia para 120-160 mg/dia) e titular conforme sintomas de abstinência. o ajuste deve ser feito sob supervisão médica rigorosa. considerar a troca da rifabutina por um agente não indutor ou o uso de buprenorfina (metabolismo menos dependente de cyp3a4)..

Qual o risco de Rifabutina com Metadona?

O risco da associação Rifabutina + Metadona é classificado como GRAVE. Redução grave dos níveis de Metadona (AUC reduzida em ~40-60%), resultando em síndrome de abstinência aguda (ansiedade, insônia, dores musculares, diarreia) e risco de recaída em pacientes em tratamento de dependência. Pode levar ao abandono do tratamento. Monitorar: monitorar sinais de abstinência (escala cows - clinical opiate withdrawal scale) a cada 4-6 horas inicialmente. ecg basal e semanal para qtc (ambos prolongam qt). monitorar função hepática mensalmente. níveis séricos de metadona podem ser úteis para guiar o ajuste..

Interações Relacionadas

Amiodarona + Tramadol

Amiodarona inibe CYP2D6 (Ki ~3-5 µM) e CYP3A4 (Ki ~10-15 µM), enzimas responsáveis pelo metabolismo do Tramadol (substrato da CYP2D6 para formação do metabólito ativo O-desmetiltramadol, e da CYP3A4 para N-desmetiltramadol). A inibição da CYP2D6 reduz a conversão para o metabólito ativo (efeito analgésico diminuído), enquanto a inibição da CYP3A4 aumenta os níveis de Tramadol inalterado, elevando o risco de efeitos adversos serotoninérgicos e convulsivos.

Moderada
Amiodarona + Codeína

Amiodarona é inibidor moderado da CYP2D6 (Ki ~3-5 µM), enzima responsável pela conversão da Codeína (pró-fármaco) em seu metabólito ativo, morfina. A inibição da CYP2D6 reduz significativamente a formação de morfina (em 50-80%), resultando em falha terapêutica (analgesia inadequada). Os níveis de Codeína inalterada podem aumentar levemente, mas sem efeito clínico relevante.

Moderada
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Amiodarona é inibidor moderado da glicoproteína-P (P-gp) intestinal e renal (IC50 ~5-10 µM). A Morfina é substrato da P-gp, e sua eliminação biliar e renal depende parcialmente desse transportador. A inibição da P-gp pela Amiodarona reduz a excreção de Morfina, aumentando sua biodisponibilidade oral em 30-50% e reduzindo sua depuração, com aumento da AUC em 1,5-2 vezes. A Morfina tem índice terapêutico estreito.

Grave
Amiodarona + Oxicodona

Amiodarona inibe moderadamente CYP3A4 (redução de clearance ~40-60%, aumento AUC esperado 1,5-2x) e fracamente CYP2D6, enzimas responsáveis pelo metabolismo de oxicodona para noroxicodona (CYP3A4) e oximorfona (CYP2D6).

Moderada

Atualizado em junho/2026

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