Ranolazina + Metadona
⚠O que acontece
Aumento nos níveis de metadona com prolongamento aditivo do QTc, podendo exceder 500 ms e precipitar torsades de pointes e morte súbita cardíaca. O risco é maior em pacientes com fatores predisponentes (sexo feminino, idade avançada, distúrbios eletrolíticos, cardiopatia estrutural).
⚙Mecanismo
Ranolazina inibe moderadamente a CYP2D6 (IC50 ~ 5-10 μM), enzima que contribui para o metabolismo da metadona (embora a CYP3A4 e CYP2B6 sejam as principais vias). A inibição da CYP2D6 pode aumentar os níveis de metadona em 20-40%. Adicionalmente, ambos os fármacos prolongam o intervalo QTc por bloqueio dos canais hERG (IKr), com efeito aditivo no risco de arritmias. A metadona é um conhecido agente de risco para torsades de pointes, e a ranolazina é listada como tendo risco condicional.
📋Conduta Clinica
Evitar associação sempre que possível. Se indispensável: reduzir dose de metadona em 30-50% no início da ranolazina. Realizar ECG basal e semanal nas primeiras 4 semanas. Manter K+ sérico > 4,0 mEq/L e Mg2+ > 2,0 mg/dL. Suspender se QTc aumentar > 60 ms do basal ou exceder 500 ms.
🔍O que monitorar
ECG com QTc (fórmula de Fridericia) no basal, dia 3, dia 7 e depois mensal. Eletrólitos (K+, Mg2+, Ca2+) no basal e semanalmente. Sinais de arritmia (palpitações, síncope). Nível sérico de metadona não é rotineiramente necessário, mas pode ser útil se disponível (alvo: 100-400 ng/mL).
↺Alternativas
Substituir ranolazina por alternativa antianginosa sem efeito no QTc (ex: betabloqueadores, nitratos) ou substituir metadona por analgésico sem risco de QTc (ex: morfina, oxicodona com cautela). Consultar CredibleMeds para lista atualizada.
📚Referências
Flockhart Drug Interactions Table; CredibleMeds QT Drug List 2024; Micromedex 2024; bula metadona e ranolazina
Perguntas Frequentes
Pode tomar Ranolazina com Metadona?
A combinação de Ranolazina com Metadona apresenta interação de gravidade grave. Aumento nos níveis de metadona com prolongamento aditivo do QTc, podendo exceder 500 ms e precipitar torsades de pointes e morte súbita cardíaca. O risco é maior em pacientes com fatores predisponentes (sexo feminino, idade avançada, distúrbios eletrolíticos, cardiopatia estrutural). Evitar associação sempre que possível. Se indispensável: reduzir dose de metadona em 30-50% no início da ranolazina. Realizar ECG basal e semanal nas primeiras 4 semanas. Manter K+ sérico > 4,0 mEq/L e Mg2+ > 2,0 mg/dL. Suspender se QTc aumentar > 60 ms do basal ou exceder 500 ms.
Ranolazina e Metadona interagem?
Sim, Ranolazina e Metadona possuem interação medicamentosa documentada. O mecanismo envolve ranolazina inibe moderadamente a cyp2d6 (ic50 ~ 5-10 μm), enzima que contribui para o metabolismo da metadona (embora a cyp3a4 e cyp2b6 sejam as principais vias). a inibição da cyp2d6 pode aumentar os níveis de metadona em 20-40%. adicionalmente, ambos os fármacos prolongam o intervalo qtc por bloqueio dos canais herg (ikr), com efeito aditivo no risco de arritmias. a metadona é um conhecido agente de risco para torsades de pointes, e a ranolazina é listada como tendo risco condicional.. A conduta recomendada é: evitar associação sempre que possível. se indispensável: reduzir dose de metadona em 30-50% no início da ranolazina. realizar ecg basal e semanal nas primeiras 4 semanas. manter k+ sérico > 4,0 meq/l e mg2+ > 2,0 mg/dl. suspender se qtc aumentar > 60 ms do basal ou exceder 500 ms..
Qual o risco de Ranolazina com Metadona?
O risco da associação Ranolazina + Metadona é classificado como GRAVE. Aumento nos níveis de metadona com prolongamento aditivo do QTc, podendo exceder 500 ms e precipitar torsades de pointes e morte súbita cardíaca. O risco é maior em pacientes com fatores predisponentes (sexo feminino, idade avançada, distúrbios eletrolíticos, cardiopatia estrutural). Monitorar: ecg com qtc (fórmula de fridericia) no basal, dia 3, dia 7 e depois mensal. eletrólitos (k+, mg2+, ca2+) no basal e semanalmente. sinais de arritmia (palpitações, síncope). nível sérico de metadona não é rotineiramente necessário, mas pode ser útil se disponível (alvo: 100-400 ng/ml)..
Interações Relacionadas
Amiodarona inibe CYP2D6 (Ki ~3-5 µM) e CYP3A4 (Ki ~10-15 µM), enzimas responsáveis pelo metabolismo do Tramadol (substrato da CYP2D6 para formação do metabólito ativo O-desmetiltramadol, e da CYP3A4 para N-desmetiltramadol). A inibição da CYP2D6 reduz a conversão para o metabólito ativo (efeito analgésico diminuído), enquanto a inibição da CYP3A4 aumenta os níveis de Tramadol inalterado, elevando o risco de efeitos adversos serotoninérgicos e convulsivos.
Amiodarona é inibidor moderado da CYP2D6 (Ki ~3-5 µM), enzima responsável pela conversão da Codeína (pró-fármaco) em seu metabólito ativo, morfina. A inibição da CYP2D6 reduz significativamente a formação de morfina (em 50-80%), resultando em falha terapêutica (analgesia inadequada). Os níveis de Codeína inalterada podem aumentar levemente, mas sem efeito clínico relevante.
Amiodarona é inibidor moderado da glicoproteína-P (P-gp) intestinal e renal (IC50 ~5-10 µM). A Morfina é substrato da P-gp, e sua eliminação biliar e renal depende parcialmente desse transportador. A inibição da P-gp pela Amiodarona reduz a excreção de Morfina, aumentando sua biodisponibilidade oral em 30-50% e reduzindo sua depuração, com aumento da AUC em 1,5-2 vezes. A Morfina tem índice terapêutico estreito.
Amiodarona inibe moderadamente CYP3A4 (redução de clearance ~40-60%, aumento AUC esperado 1,5-2x) e fracamente CYP2D6, enzimas responsáveis pelo metabolismo de oxicodona para noroxicodona (CYP3A4) e oximorfona (CYP2D6).
Atualizado em junho/2026
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