Paroxetina + Clozapina
⚠O que acontece
Aumento significativo nos níveis séricos de clozapina, elevando o risco de efeitos adversos graves dose-dependentes: miocardite, cardiomiopatia, convulsões (risco > 1% com níveis > 600 ng/mL), sedação profunda, íleo paralítico, e agranulocitose (embora esta não seja estritamente dose-dependente). O prolongamento do QTc é um risco adicional, mas o principal perigo são as toxicidades graves da clozapina.
⚙Mecanismo
Interação farmacocinética. A clozapina é metabolizada primariamente pelo CYP1A2 (via principal) e em menor extensão pelo CYP2D6 e CYP3A4. A paroxetina é um inibidor potente do CYP2D6 (Ki ~0.5-1 μM) e um inibidor moderado do CYP1A2 in vivo (embora não tão potente quanto a fluvoxamina). A inibição do CYP2D6 pode aumentar os níveis de clozapina em 20-40%, mas a contribuição do CYP1A2 pode elevar esse aumento para 50-100% em alguns pacientes. O efeito é variável e imprevisível, podendo levar a níveis tóxicos de clozapina.
📋Conduta Clinica
Evitar a associação sempre que possível. Se for indispensável: 1) Antes de iniciar a paroxetina, documentar o nível sérico basal de clozapina e norclozapina (faixa terapêutica: 350-600 ng/mL). 2) Reduzir a dose de clozapina empiricamente em 50% ao iniciar a paroxetina. 3) Monitorar o nível sérico de clozapina semanalmente até a estabilização (alvo: < 600 ng/mL) e ajustar a dose conforme necessário. 4) Realizar ECG basal e monitoramento cardíaco (troponina, ecocardiograma) conforme protocolo de clozapina. 5) Reforçar o monitoramento hematológico (hemograma semanal) e de sinais de infecção.
🔍O que monitorar
1) Nível sérico de clozapina e norclozapina: basal, semanalmente por 4-6 semanas, e depois mensalmente. 2) ECG: basal e após cada ajuste de dose. 3) Hemograma completo: semanalmente (conforme protocolo padrão de clozapina). 4) Sinais vitais, função cardíaca (troponina, PCR na basal e se sintomas), e função intestinal (risco de constipação grave). 5) Eletrólitos (K+, Mg2+) na basal e periodicamente.
↺Alternativas
Substituir a paroxetina por um ISRS com menor potencial de interação com a clozapina, como sertralina, citalopram ou escitalopram. A fluvoxamina é contraindicada (inibidor potente do CYP1A2, aumenta níveis de clozapina em 5-10 vezes).
📚Referências
Flockhart Drug Interactions Table; Micromedex 2024; UpToDate 2024; Diretrizes de Monitoramento da Clozapina (FDA REMS)
Perguntas Frequentes
Pode tomar Paroxetina com Clozapina?
A combinação de Paroxetina com Clozapina apresenta interação de gravidade grave. Aumento significativo nos níveis séricos de clozapina, elevando o risco de efeitos adversos graves dose-dependentes: miocardite, cardiomiopatia, convulsões (risco > 1% com níveis > 600 ng/mL), sedação profunda, íleo paralítico, e agranulocitose (embora esta não seja estritamente dose-dependente). O prolongamento do QTc é um risco adicional, mas o principal perigo são as toxicidades graves da clozapina. Evitar a associação sempre que possível. Se for indispensável: 1) Antes de iniciar a paroxetina, documentar o nível sérico basal de clozapina e norclozapina (faixa terapêutica: 350-600 ng/mL). 2) Reduzir a dose de clozapina empiricamente em 50% ao iniciar a paroxetina. 3) Monitorar o nível sérico de clozapina semanalmente até a estabilização (alvo: < 600 ng/mL) e ajustar a dose conforme necessário. 4) Realizar ECG basal e monitoramento cardíaco (troponina, ecocardiograma) conforme protocolo de clozapina. 5) Reforçar o monitoramento hematológico (hemograma semanal) e de sinais de infecção.
Paroxetina e Clozapina interagem?
Sim, Paroxetina e Clozapina possuem interação medicamentosa documentada. O mecanismo envolve interação farmacocinética. a clozapina é metabolizada primariamente pelo cyp1a2 (via principal) e em menor extensão pelo cyp2d6 e cyp3a4. a paroxetina é um inibidor potente do cyp2d6 (ki ~0.5-1 μm) e um inibidor moderado do cyp1a2 in vivo (embora não tão potente quanto a fluvoxamina). a inibição do cyp2d6 pode aumentar os níveis de clozapina em 20-40%, mas a contribuição do cyp1a2 pode elevar esse aumento para 50-100% em alguns pacientes. o efeito é variável e imprevisível, podendo levar a níveis tóxicos de clozapina.. A conduta recomendada é: evitar a associação sempre que possível. se for indispensável: 1) antes de iniciar a paroxetina, documentar o nível sérico basal de clozapina e norclozapina (faixa terapêutica: 350-600 ng/ml). 2) reduzir a dose de clozapina empiricamente em 50% ao iniciar a paroxetina. 3) monitorar o nível sérico de clozapina semanalmente até a estabilização (alvo: < 600 ng/ml) e ajustar a dose conforme necessário. 4) realizar ecg basal e monitoramento cardíaco (troponina, ecocardiograma) conforme protocolo de clozapina. 5) reforçar o monitoramento hematológico (hemograma semanal) e de sinais de infecção..
Qual o risco de Paroxetina com Clozapina?
O risco da associação Paroxetina + Clozapina é classificado como GRAVE. Aumento significativo nos níveis séricos de clozapina, elevando o risco de efeitos adversos graves dose-dependentes: miocardite, cardiomiopatia, convulsões (risco > 1% com níveis > 600 ng/mL), sedação profunda, íleo paralítico, e agranulocitose (embora esta não seja estritamente dose-dependente). O prolongamento do QTc é um risco adicional, mas o principal perigo são as toxicidades graves da clozapina. Monitorar: 1) nível sérico de clozapina e norclozapina: basal, semanalmente por 4-6 semanas, e depois mensalmente. 2) ecg: basal e após cada ajuste de dose. 3) hemograma completo: semanalmente (conforme protocolo padrão de clozapina). 4) sinais vitais, função cardíaca (troponina, pcr na basal e se sintomas), e função intestinal (risco de constipação grave). 5) eletrólitos (k+, mg2+) na basal e periodicamente..
Interações Relacionadas
Interação complexa: 1) A Amiodarona inibe a CYP2D6 e a CYP2C9, enquanto a Fluoxetina é um potente inibidor da CYP2D6 e inibidor moderado da CYP3A4. Esta inibição mútua pode elevar os níveis de ambos os fármacos. 2) Ambos prolongam o intervalo QT por bloqueio dos canais IKr (hERG), resultando em um efeito aditivo significativo na repolarização ventricular.
Interação dupla: 1) A Amiodarona inibe a CYP2D6 e a CYP3A4, enzimas que metabolizam a Sertralina, podendo aumentar seus níveis. A Sertralina, por sua vez, é um inibidor moderado da CYP2D6, o que pode afetar o metabolismo da Amiodarona. 2) Ambos os fármacos bloqueiam os canais IKr (hERG), causando um efeito aditivo no prolongamento do intervalo QTc.
Interação farmacocinética e farmacodinâmica: 1) A Amiodarona inibe a CYP2D6, a principal via de metabolismo da Paroxetina, podendo aumentar seus níveis. A Paroxetina é um potente inibidor da CYP2D6, o que pode reduzir a conversão da Amiodarona em seu metabólito ativo, alterando seu perfil de eficácia e toxicidade. 2) Ambos prolongam o intervalo QT por bloqueio dos canais IKr (hERG), com efeito aditivo.
Amiodarona inibe CYP2D6 e CYP3A4 (reduz conversão de venlafaxina para O-desmetilvenlafaxina), aumentando níveis de venlafaxina em 30-70% e reduzindo metabólito ativo.
Atualizado em junho/2026
Gerada por motor farmacologico com validacao por IA — Tier B
As informações desta página são de caráter educativo e não substituem a orientação de um profissional farmacêutico. Sempre consulte um farmacêutico antes de alterar sua medicação.