Lítio + Metadona
⚠O que acontece
Síndrome serotoninérgica: espectro de sintomas incluindo agitação, confusão, mioclonia, hiperreflexia, clônus espontâneo, tremor, diaforese, hipertermia (>38°C), taquicardia, hipertensão e, em casos graves, rigidez muscular, acidose metabólica e rabdomiólise. O diagnóstico é clínico (critérios de Hunter: clônus espontâneo + agitação/diaforese/tremor/hiperreflexia/hipertonia/temperatura >38°C).
⚙Mecanismo
Sinergia serotoninérgica por mecanismos distintos. Lítio aumenta a liberação de serotonina (5-HT) pré-sináptica e potencializa a transmissão serotoninérgica pós-sináptica, além de inibir a recaptação de 5-HT em altas concentrações. Metadona inibe fracamente a recaptação de serotonina (Ki ~1-10 μM) e pode aumentar a liberação de 5-HT. Embora o efeito serotoninérgico da metadona seja menos potente que o tramadol, a combinação com lítio pode elevar os níveis de 5-HT na fenda sináptica, especialmente nos receptores 5-HT1A e 5-HT2A, desencadeando síndrome serotoninérgica. O risco é maior em doses altas, idosos e polifarmácia serotoninérgica.
📋Conduta Clinica
Evitar a associação. Se indispensável: 1) Usar a menor dose eficaz de metadona (máx. 40-60 mg/dia) e lítio (litemia 0,4-0,6 mEq/L); 2) Educar paciente sobre sinais precoces (agitação, tremor, sudorese); 3) Ao primeiro sinal, suspender metadona imediatamente e iniciar resfriamento externo e benzodiazepínicos (lorazepam 2 mg IV); 4) Em casos graves, considerar ciproeptadina (antagonista 5-HT2A) 12 mg VO/SNE dose inicial, depois 2 mg a cada 2h até resposta.
🔍O que monitorar
Avaliação clínica a cada 12-24h na primeira semana: temperatura, FC, PA, reflexos, clônus, mioclonia, nível de consciência; litemia semanal até estabilização; se suspeita de síndrome serotoninérgica, monitorar CK total e função renal.
↺Alternativas
Substituir metadona por buprenorfina (sem ação serotoninérgica significativa) ou outro opioide sem efeito serotoninérgico (morfina, oxicodona) para manejo da dor ou dependência. Substituir lítio por estabilizador de humor não serotoninérgico (valproato, lamotrigina) ou antipsicótico atípico.
📚Referências
FDA Serotonin Syndrome Alert 2016; UpToDate 2024; N Engl J Med 2005; J Clin Psychopharmacol 2019; Pain Physician 2017
Perguntas Frequentes
Pode tomar Lítio com Metadona?
A combinação de Lítio com Metadona apresenta interação de gravidade grave. Síndrome serotoninérgica: espectro de sintomas incluindo agitação, confusão, mioclonia, hiperreflexia, clônus espontâneo, tremor, diaforese, hipertermia (>38°C), taquicardia, hipertensão e, em casos graves, rigidez muscular, acidose metabólica e rabdomiólise. O diagnóstico é clínico (critérios de Hunter: clônus espontâneo + agitação/diaforese/tremor/hiperreflexia/hipertonia/temperatura >38°C). Evitar a associação. Se indispensável: 1) Usar a menor dose eficaz de metadona (máx. 40-60 mg/dia) e lítio (litemia 0,4-0,6 mEq/L); 2) Educar paciente sobre sinais precoces (agitação, tremor, sudorese); 3) Ao primeiro sinal, suspender metadona imediatamente e iniciar resfriamento externo e benzodiazepínicos (lorazepam 2 mg IV); 4) Em casos graves, considerar ciproeptadina (antagonista 5-HT2A) 12 mg VO/SNE dose inicial, depois 2 mg a cada 2h até resposta.
Lítio e Metadona interagem?
Sim, Lítio e Metadona possuem interação medicamentosa documentada. O mecanismo envolve sinergia serotoninérgica por mecanismos distintos. lítio aumenta a liberação de serotonina (5-ht) pré-sináptica e potencializa a transmissão serotoninérgica pós-sináptica, além de inibir a recaptação de 5-ht em altas concentrações. metadona inibe fracamente a recaptação de serotonina (ki ~1-10 μm) e pode aumentar a liberação de 5-ht. embora o efeito serotoninérgico da metadona seja menos potente que o tramadol, a combinação com lítio pode elevar os níveis de 5-ht na fenda sináptica, especialmente nos receptores 5-ht1a e 5-ht2a, desencadeando síndrome serotoninérgica. o risco é maior em doses altas, idosos e polifarmácia serotoninérgica.. A conduta recomendada é: evitar a associação. se indispensável: 1) usar a menor dose eficaz de metadona (máx. 40-60 mg/dia) e lítio (litemia 0,4-0,6 meq/l); 2) educar paciente sobre sinais precoces (agitação, tremor, sudorese); 3) ao primeiro sinal, suspender metadona imediatamente e iniciar resfriamento externo e benzodiazepínicos (lorazepam 2 mg iv); 4) em casos graves, considerar ciproeptadina (antagonista 5-ht2a) 12 mg vo/sne dose inicial, depois 2 mg a cada 2h até resposta..
Qual o risco de Lítio com Metadona?
O risco da associação Lítio + Metadona é classificado como GRAVE. Síndrome serotoninérgica: espectro de sintomas incluindo agitação, confusão, mioclonia, hiperreflexia, clônus espontâneo, tremor, diaforese, hipertermia (>38°C), taquicardia, hipertensão e, em casos graves, rigidez muscular, acidose metabólica e rabdomiólise. O diagnóstico é clínico (critérios de Hunter: clônus espontâneo + agitação/diaforese/tremor/hiperreflexia/hipertonia/temperatura >38°C). Monitorar: avaliação clínica a cada 12-24h na primeira semana: temperatura, fc, pa, reflexos, clônus, mioclonia, nível de consciência; litemia semanal até estabilização; se suspeita de síndrome serotoninérgica, monitorar ck total e função renal..
Interações Relacionadas
Interação complexa: 1) A Amiodarona inibe a CYP2D6 e a CYP2C9, enquanto a Fluoxetina é um potente inibidor da CYP2D6 e inibidor moderado da CYP3A4. Esta inibição mútua pode elevar os níveis de ambos os fármacos. 2) Ambos prolongam o intervalo QT por bloqueio dos canais IKr (hERG), resultando em um efeito aditivo significativo na repolarização ventricular.
Interação dupla: 1) A Amiodarona inibe a CYP2D6 e a CYP3A4, enzimas que metabolizam a Sertralina, podendo aumentar seus níveis. A Sertralina, por sua vez, é um inibidor moderado da CYP2D6, o que pode afetar o metabolismo da Amiodarona. 2) Ambos os fármacos bloqueiam os canais IKr (hERG), causando um efeito aditivo no prolongamento do intervalo QTc.
Interação farmacocinética e farmacodinâmica: 1) A Amiodarona inibe a CYP2D6, a principal via de metabolismo da Paroxetina, podendo aumentar seus níveis. A Paroxetina é um potente inibidor da CYP2D6, o que pode reduzir a conversão da Amiodarona em seu metabólito ativo, alterando seu perfil de eficácia e toxicidade. 2) Ambos prolongam o intervalo QT por bloqueio dos canais IKr (hERG), com efeito aditivo.
Amiodarona inibe CYP2D6 e CYP3A4 (reduz conversão de venlafaxina para O-desmetilvenlafaxina), aumentando níveis de venlafaxina em 30-70% e reduzindo metabólito ativo.
Atualizado em junho/2026
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