Lisdexanfetamina + Venlafaxina
⚠O que acontece
Síndrome serotoninérgica: agitação, mioclonia, hipertermia, diaforese, tremor, taquicardia, clônus, hiperreflexia, rigidez, diarreia. Risco aumentado com doses altas de venlafaxina (>150 mg/dia).
⚙Mecanismo
Efeito serotoninérgico aditivo. Lisdexanfetamina (dextroanfetamina) aumenta liberação de 5-HT e inibe SERT. Venlafaxina inibe recaptação de serotonina (Ki para SERT ~9 nM) e noradrenalina (Ki para NET ~1000 nM) de forma dose-dependente. Em doses >150 mg/dia, a inibição de SERT é significativa. A combinação pode saturar os mecanismos de depuração sináptica de 5-HT, levando a estimulação excessiva de receptores 5-HT1A e 5-HT2A. A venlafaxina é substrato da CYP2D6, mas a lisdexanfetamina não altera sua farmacocinética de forma relevante. O risco é primariamente farmacodinâmico.
📋Conduta Clinica
Evitar associação. Se indispensável (ex.: depressão grave com TDAH), usar venlafaxina em dose baixa (37.5-75 mg/dia) e lisdexanfetamina na menor dose eficaz (10-20 mg/dia). Titular lentamente, com intervalo mínimo de 4 semanas entre aumentos. Não exceder 150 mg/dia de venlafaxina. Educar paciente sobre sinais de toxicidade. Em caso de síndrome serotoninérgica, suspender ambos, suporte com benzodiazepínicos, resfriamento ativo e ciproheptadina (12 mg VO/SNE, depois 2 mg a cada 2h até resposta).
🔍O que monitorar
Pré-tratamento: sinais vitais, exame neurológico (reflexos, clônus). Semanalmente no primeiro mês: temperatura, FC, PA, sudorese, mioclonia, clônus ocular/patelar, nível de consciência. Aplicar Critérios de Hunter. Manutenção: a cada 3 meses.
↺Alternativas
Para depressão: bupropiona (não serotoninérgica) ou mirtazapina. Para TDAH: atomoxetina ou guanfacina. Se ISRS for necessário, considerar sertralina (menor risco relativo) com monitoramento rigoroso.
📚Referências
FDA Serotonin Syndrome Alert; UpToDate 2024; Dunkley EJ et al. QJM 2003;96:635-42.
Perguntas Frequentes
Pode tomar Lisdexanfetamina com Venlafaxina?
A combinação de Lisdexanfetamina com Venlafaxina apresenta interação de gravidade grave. Síndrome serotoninérgica: agitação, mioclonia, hipertermia, diaforese, tremor, taquicardia, clônus, hiperreflexia, rigidez, diarreia. Risco aumentado com doses altas de venlafaxina (>150 mg/dia). Evitar associação. Se indispensável (ex.: depressão grave com TDAH), usar venlafaxina em dose baixa (37.5-75 mg/dia) e lisdexanfetamina na menor dose eficaz (10-20 mg/dia). Titular lentamente, com intervalo mínimo de 4 semanas entre aumentos. Não exceder 150 mg/dia de venlafaxina. Educar paciente sobre sinais de toxicidade. Em caso de síndrome serotoninérgica, suspender ambos, suporte com benzodiazepínicos, resfriamento ativo e ciproheptadina (12 mg VO/SNE, depois 2 mg a cada 2h até resposta).
Lisdexanfetamina e Venlafaxina interagem?
Sim, Lisdexanfetamina e Venlafaxina possuem interação medicamentosa documentada. O mecanismo envolve efeito serotoninérgico aditivo. lisdexanfetamina (dextroanfetamina) aumenta liberação de 5-ht e inibe sert. venlafaxina inibe recaptação de serotonina (ki para sert ~9 nm) e noradrenalina (ki para net ~1000 nm) de forma dose-dependente. em doses >150 mg/dia, a inibição de sert é significativa. a combinação pode saturar os mecanismos de depuração sináptica de 5-ht, levando a estimulação excessiva de receptores 5-ht1a e 5-ht2a. a venlafaxina é substrato da cyp2d6, mas a lisdexanfetamina não altera sua farmacocinética de forma relevante. o risco é primariamente farmacodinâmico.. A conduta recomendada é: evitar associação. se indispensável (ex.: depressão grave com tdah), usar venlafaxina em dose baixa (37.5-75 mg/dia) e lisdexanfetamina na menor dose eficaz (10-20 mg/dia). titular lentamente, com intervalo mínimo de 4 semanas entre aumentos. não exceder 150 mg/dia de venlafaxina. educar paciente sobre sinais de toxicidade. em caso de síndrome serotoninérgica, suspender ambos, suporte com benzodiazepínicos, resfriamento ativo e ciproheptadina (12 mg vo/sne, depois 2 mg a cada 2h até resposta)..
Qual o risco de Lisdexanfetamina com Venlafaxina?
O risco da associação Lisdexanfetamina + Venlafaxina é classificado como GRAVE. Síndrome serotoninérgica: agitação, mioclonia, hipertermia, diaforese, tremor, taquicardia, clônus, hiperreflexia, rigidez, diarreia. Risco aumentado com doses altas de venlafaxina (>150 mg/dia). Monitorar: pré-tratamento: sinais vitais, exame neurológico (reflexos, clônus). semanalmente no primeiro mês: temperatura, fc, pa, sudorese, mioclonia, clônus ocular/patelar, nível de consciência. aplicar critérios de hunter. manutenção: a cada 3 meses..
Interações Relacionadas
Interação complexa: 1) A Amiodarona inibe a CYP2D6 e a CYP2C9, enquanto a Fluoxetina é um potente inibidor da CYP2D6 e inibidor moderado da CYP3A4. Esta inibição mútua pode elevar os níveis de ambos os fármacos. 2) Ambos prolongam o intervalo QT por bloqueio dos canais IKr (hERG), resultando em um efeito aditivo significativo na repolarização ventricular.
Interação dupla: 1) A Amiodarona inibe a CYP2D6 e a CYP3A4, enzimas que metabolizam a Sertralina, podendo aumentar seus níveis. A Sertralina, por sua vez, é um inibidor moderado da CYP2D6, o que pode afetar o metabolismo da Amiodarona. 2) Ambos os fármacos bloqueiam os canais IKr (hERG), causando um efeito aditivo no prolongamento do intervalo QTc.
Interação farmacocinética e farmacodinâmica: 1) A Amiodarona inibe a CYP2D6, a principal via de metabolismo da Paroxetina, podendo aumentar seus níveis. A Paroxetina é um potente inibidor da CYP2D6, o que pode reduzir a conversão da Amiodarona em seu metabólito ativo, alterando seu perfil de eficácia e toxicidade. 2) Ambos prolongam o intervalo QT por bloqueio dos canais IKr (hERG), com efeito aditivo.
Amiodarona inibe CYP2D6 e CYP3A4 (reduz conversão de venlafaxina para O-desmetilvenlafaxina), aumentando níveis de venlafaxina em 30-70% e reduzindo metabólito ativo.
Atualizado em junho/2026
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