Lisdexanfetamina + Paroxetina
⚠O que acontece
Síndrome serotoninérgica: agitação, mioclonia, hipertermia (>38.5°C), diaforese, tremor, taquicardia, clônus ocular ou induzível, hiperreflexia, rigidez muscular, diarreia. Pode evoluir para rabdomiólise, acidose metabólica, convulsões e óbito.
⚙Mecanismo
Efeito serotoninérgico aditivo. Lisdexanfetamina (pró-fármaco da dextroanfetamina) promove liberação de serotonina (5-HT) e inibe sua recaptação (SERT). Paroxetina é um potente inibidor seletivo da recaptação de serotonina (ISRS) com Ki para SERT de ~0.13 nM. A combinação pode levar a estimulação excessiva de receptores 5-HT1A e 5-HT2A centrais, com risco de síndrome serotoninérgica. A paroxetina também é um inibidor potente da CYP2D6 (Ki ~0.5-2 μM), o que pode reduzir a depuração de anfetaminas em metabolizadores lentos, mas o risco primário é farmacodinâmico.
📋Conduta Clinica
Evitar associação sempre que possível. Se uso concomitante for inevitável (ex.: TDAH comórbido com depressão refratária), iniciar com doses mínimas: lisdexanfetamina 10-20 mg/dia e paroxetina 5-10 mg/dia, com titulação lenta (aumentos a cada 2-4 semanas). Limitar dose máxima de paroxetina a 20 mg/dia. Educar paciente sobre sinais de alerta. Ao primeiro sinal de síndrome serotoninérgica, suspender ambos e iniciar suporte (benzodiazepínicos, resfriamento, ciproheptadina 12 mg VO/SNE dose inicial, depois 2 mg a cada 2h se necessário).
🔍O que monitorar
Avaliar antes do início e semanalmente no primeiro mês: temperatura, FC, PA, reflexos tendinosos profundos, clônus (especialmente ocular e patelar), mioclonia, sudorese, nível de consciência. Usar Critérios de Hunter para diagnóstico. Em uso crônico, monitorar a cada 3 meses.
↺Alternativas
Para depressão/ansiedade: bupropiona (sem ação serotoninérgica significativa) ou mirtazapina (antagonista 5-HT2/5-HT3, menor risco). Para TDAH: atomoxetina (não serotoninérgica) ou guanfacina. Se ISRS for mandatório, considerar sertralina ou citalopram (menor inibição de CYP2D6 e menor risco relativo em séries de casos).
📚Referências
FDA Serotonin Syndrome Alert; UpToDate 2024; Boyer EW, Shannon M. N Engl J Med 2005;352:1112-20.
Perguntas Frequentes
Pode tomar Lisdexanfetamina com Paroxetina?
A combinação de Lisdexanfetamina com Paroxetina apresenta interação de gravidade grave. Síndrome serotoninérgica: agitação, mioclonia, hipertermia (>38.5°C), diaforese, tremor, taquicardia, clônus ocular ou induzível, hiperreflexia, rigidez muscular, diarreia. Pode evoluir para rabdomiólise, acidose metabólica, convulsões e óbito. Evitar associação sempre que possível. Se uso concomitante for inevitável (ex.: TDAH comórbido com depressão refratária), iniciar com doses mínimas: lisdexanfetamina 10-20 mg/dia e paroxetina 5-10 mg/dia, com titulação lenta (aumentos a cada 2-4 semanas). Limitar dose máxima de paroxetina a 20 mg/dia. Educar paciente sobre sinais de alerta. Ao primeiro sinal de síndrome serotoninérgica, suspender ambos e iniciar suporte (benzodiazepínicos, resfriamento, ciproheptadina 12 mg VO/SNE dose inicial, depois 2 mg a cada 2h se necessário).
Lisdexanfetamina e Paroxetina interagem?
Sim, Lisdexanfetamina e Paroxetina possuem interação medicamentosa documentada. O mecanismo envolve efeito serotoninérgico aditivo. lisdexanfetamina (pró-fármaco da dextroanfetamina) promove liberação de serotonina (5-ht) e inibe sua recaptação (sert). paroxetina é um potente inibidor seletivo da recaptação de serotonina (isrs) com ki para sert de ~0.13 nm. a combinação pode levar a estimulação excessiva de receptores 5-ht1a e 5-ht2a centrais, com risco de síndrome serotoninérgica. a paroxetina também é um inibidor potente da cyp2d6 (ki ~0.5-2 μm), o que pode reduzir a depuração de anfetaminas em metabolizadores lentos, mas o risco primário é farmacodinâmico.. A conduta recomendada é: evitar associação sempre que possível. se uso concomitante for inevitável (ex.: tdah comórbido com depressão refratária), iniciar com doses mínimas: lisdexanfetamina 10-20 mg/dia e paroxetina 5-10 mg/dia, com titulação lenta (aumentos a cada 2-4 semanas). limitar dose máxima de paroxetina a 20 mg/dia. educar paciente sobre sinais de alerta. ao primeiro sinal de síndrome serotoninérgica, suspender ambos e iniciar suporte (benzodiazepínicos, resfriamento, ciproheptadina 12 mg vo/sne dose inicial, depois 2 mg a cada 2h se necessário)..
Qual o risco de Lisdexanfetamina com Paroxetina?
O risco da associação Lisdexanfetamina + Paroxetina é classificado como GRAVE. Síndrome serotoninérgica: agitação, mioclonia, hipertermia (>38.5°C), diaforese, tremor, taquicardia, clônus ocular ou induzível, hiperreflexia, rigidez muscular, diarreia. Pode evoluir para rabdomiólise, acidose metabólica, convulsões e óbito. Monitorar: avaliar antes do início e semanalmente no primeiro mês: temperatura, fc, pa, reflexos tendinosos profundos, clônus (especialmente ocular e patelar), mioclonia, sudorese, nível de consciência. usar critérios de hunter para diagnóstico. em uso crônico, monitorar a cada 3 meses..
Interações Relacionadas
Interação complexa: 1) A Amiodarona inibe a CYP2D6 e a CYP2C9, enquanto a Fluoxetina é um potente inibidor da CYP2D6 e inibidor moderado da CYP3A4. Esta inibição mútua pode elevar os níveis de ambos os fármacos. 2) Ambos prolongam o intervalo QT por bloqueio dos canais IKr (hERG), resultando em um efeito aditivo significativo na repolarização ventricular.
Interação dupla: 1) A Amiodarona inibe a CYP2D6 e a CYP3A4, enzimas que metabolizam a Sertralina, podendo aumentar seus níveis. A Sertralina, por sua vez, é um inibidor moderado da CYP2D6, o que pode afetar o metabolismo da Amiodarona. 2) Ambos os fármacos bloqueiam os canais IKr (hERG), causando um efeito aditivo no prolongamento do intervalo QTc.
Interação farmacocinética e farmacodinâmica: 1) A Amiodarona inibe a CYP2D6, a principal via de metabolismo da Paroxetina, podendo aumentar seus níveis. A Paroxetina é um potente inibidor da CYP2D6, o que pode reduzir a conversão da Amiodarona em seu metabólito ativo, alterando seu perfil de eficácia e toxicidade. 2) Ambos prolongam o intervalo QT por bloqueio dos canais IKr (hERG), com efeito aditivo.
Amiodarona inibe CYP2D6 e CYP3A4 (reduz conversão de venlafaxina para O-desmetilvenlafaxina), aumentando níveis de venlafaxina em 30-70% e reduzindo metabólito ativo.
Atualizado em junho/2026
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