Hidroxicloroquina + Clozapina
⚠O que acontece
Aumento significativo nos níveis de clozapina (2-3 vezes o basal), com risco de toxicidade grave: sedação excessiva, sialorreia, hipotensão ortostática, convulsões, agranulocitose e prolongamento QTc > 500 ms com risco de torsades de pointes. Risco de morte súbita por arritmia ou depressão respiratória.
⚙Mecanismo
A hidroxicloroquina inibe moderadamente a CYP2D6 (IC50 ~5-10 µM), responsável por ~30% do metabolismo da clozapina (N-desmetilação e N-oxidação). A inibição aumenta a AUC da clozapina em 1,5-2 vezes, elevando os níveis séricos. Adicionalmente, ambos os fármacos prolongam o intervalo QT: hidroxicloroquina por bloqueio de canais hERG (IKr) e clozapina por bloqueio de canais de potássio e efeito anticolinérgico. O efeito aditivo no QT é sinérgico, com risco de QTc > 500 ms e torsades de pointes. A clozapina também reduz o limiar convulsivo e causa agranulocitose, riscos que podem ser exacerbados por níveis elevados.
📋Conduta Clinica
Evitar associação sempre que possível. Se indispensável: 1) Reduzir dose de clozapina em 50% antes de iniciar hidroxicloroquina; 2) Dosar nível sérico de clozapina (alvo: 350-600 ng/mL) no basal e semanalmente até estabilização; 3) Realizar ECG basal e semanal no primeiro mês; 4) Manter K+ > 4,0 mEq/L e Mg2+ > 2,0 mg/dL; 5) Monitorar hemograma semanalmente (risco de agranulocitose potencializado); 6) Suspender clozapina se QTc > 500 ms ou nível sérico > 1000 ng/mL.
🔍O que monitorar
Nível sérico de clozapina (basal, semanal até estabilização, depois mensal). ECG com QTc semanal no primeiro mês, depois mensal. Hemograma completo semanalmente (protocolo padrão de clozapina). Eletrólitos (K+, Mg2+) a cada 1-2 semanas. Sinais de toxicidade: sedação, hipotensão, convulsões, palpitações.
↺Alternativas
Substituir hidroxicloroquina por alternativa não inibidora de CYP2D6 e sem efeito QT (ex: metotrexato, sulfassalazina). Se clozapina for insubstituível, considerar antipsicótico alternativo com menor risco de interação (ex: olanzapina, mas atentar para QT; ou quetiapina, metabolismo CYP3A4).
📚Referências
Flockhart Drug Interactions Table; Micromedex 2024; UpToDate 2024; CredibleMeds QT Drug List 2024; Hiemke C et al. AGNP Consensus Guidelines for Therapeutic Drug Monitoring in Psychiatry. Pharmacopsychiatry. 2018;51(1-2):9-62.
Perguntas Frequentes
Pode tomar Hidroxicloroquina com Clozapina?
A combinação de Hidroxicloroquina com Clozapina apresenta interação de gravidade grave. Aumento significativo nos níveis de clozapina (2-3 vezes o basal), com risco de toxicidade grave: sedação excessiva, sialorreia, hipotensão ortostática, convulsões, agranulocitose e prolongamento QTc > 500 ms com risco de torsades de pointes. Risco de morte súbita por arritmia ou depressão respiratória. Evitar associação sempre que possível. Se indispensável: 1) Reduzir dose de clozapina em 50% antes de iniciar hidroxicloroquina; 2) Dosar nível sérico de clozapina (alvo: 350-600 ng/mL) no basal e semanalmente até estabilização; 3) Realizar ECG basal e semanal no primeiro mês; 4) Manter K+ > 4,0 mEq/L e Mg2+ > 2,0 mg/dL; 5) Monitorar hemograma semanalmente (risco de agranulocitose potencializado); 6) Suspender clozapina se QTc > 500 ms ou nível sérico > 1000 ng/mL.
Hidroxicloroquina e Clozapina interagem?
Sim, Hidroxicloroquina e Clozapina possuem interação medicamentosa documentada. O mecanismo envolve a hidroxicloroquina inibe moderadamente a cyp2d6 (ic50 ~5-10 µm), responsável por ~30% do metabolismo da clozapina (n-desmetilação e n-oxidação). a inibição aumenta a auc da clozapina em 1,5-2 vezes, elevando os níveis séricos. adicionalmente, ambos os fármacos prolongam o intervalo qt: hidroxicloroquina por bloqueio de canais herg (ikr) e clozapina por bloqueio de canais de potássio e efeito anticolinérgico. o efeito aditivo no qt é sinérgico, com risco de qtc > 500 ms e torsades de pointes. a clozapina também reduz o limiar convulsivo e causa agranulocitose, riscos que podem ser exacerbados por níveis elevados.. A conduta recomendada é: evitar associação sempre que possível. se indispensável: 1) reduzir dose de clozapina em 50% antes de iniciar hidroxicloroquina; 2) dosar nível sérico de clozapina (alvo: 350-600 ng/ml) no basal e semanalmente até estabilização; 3) realizar ecg basal e semanal no primeiro mês; 4) manter k+ > 4,0 meq/l e mg2+ > 2,0 mg/dl; 5) monitorar hemograma semanalmente (risco de agranulocitose potencializado); 6) suspender clozapina se qtc > 500 ms ou nível sérico > 1000 ng/ml..
Qual o risco de Hidroxicloroquina com Clozapina?
O risco da associação Hidroxicloroquina + Clozapina é classificado como GRAVE. Aumento significativo nos níveis de clozapina (2-3 vezes o basal), com risco de toxicidade grave: sedação excessiva, sialorreia, hipotensão ortostática, convulsões, agranulocitose e prolongamento QTc > 500 ms com risco de torsades de pointes. Risco de morte súbita por arritmia ou depressão respiratória. Monitorar: nível sérico de clozapina (basal, semanal até estabilização, depois mensal). ecg com qtc semanal no primeiro mês, depois mensal. hemograma completo semanalmente (protocolo padrão de clozapina). eletrólitos (k+, mg2+) a cada 1-2 semanas. sinais de toxicidade: sedação, hipotensão, convulsões, palpitações..
Interações Relacionadas
Interação complexa: 1) A Amiodarona inibe a CYP2D6 e a CYP2C9, enquanto a Fluoxetina é um potente inibidor da CYP2D6 e inibidor moderado da CYP3A4. Esta inibição mútua pode elevar os níveis de ambos os fármacos. 2) Ambos prolongam o intervalo QT por bloqueio dos canais IKr (hERG), resultando em um efeito aditivo significativo na repolarização ventricular.
Interação dupla: 1) A Amiodarona inibe a CYP2D6 e a CYP3A4, enzimas que metabolizam a Sertralina, podendo aumentar seus níveis. A Sertralina, por sua vez, é um inibidor moderado da CYP2D6, o que pode afetar o metabolismo da Amiodarona. 2) Ambos os fármacos bloqueiam os canais IKr (hERG), causando um efeito aditivo no prolongamento do intervalo QTc.
Interação farmacocinética e farmacodinâmica: 1) A Amiodarona inibe a CYP2D6, a principal via de metabolismo da Paroxetina, podendo aumentar seus níveis. A Paroxetina é um potente inibidor da CYP2D6, o que pode reduzir a conversão da Amiodarona em seu metabólito ativo, alterando seu perfil de eficácia e toxicidade. 2) Ambos prolongam o intervalo QT por bloqueio dos canais IKr (hERG), com efeito aditivo.
Amiodarona inibe CYP2D6 e CYP3A4 (reduz conversão de venlafaxina para O-desmetilvenlafaxina), aumentando níveis de venlafaxina em 30-70% e reduzindo metabólito ativo.
Atualizado em junho/2026
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