Haloperidol + Metadona
⚠O que acontece
Aumento significativo nos níveis plasmáticos de metadona, levando a risco aumentado de depressão respiratória, sedação excessiva e prolongamento do intervalo QTc (efeito aditivo com o próprio haloperidol). Risco de torsades de pointes e morte súbita cardíaca.
⚙Mecanismo
Haloperidol é um inibidor moderado da CYP2D6 (Ki ~ 0.5-1 μM), enzima responsável por ~30-40% do metabolismo da metadona (principalmente a S-metadona, menos ativa, mas a R-metadona também é afetada em menor grau). A inibição da CYP2D6 reduz a depuração da metadona, aumentando sua AUC em 30-50% e prolongando a meia-vida. Além disso, a metadona é substrato da CYP3A4 e CYP2B6, vias não afetadas pelo haloperidol, mas a contribuição da CYP2D6 é clinicamente relevante.
📋Conduta Clinica
Evitar associação sempre que possível. Se indispensável: reduzir dose da metadona em 25-50% no início da coadministração e titular conforme resposta clínica e níveis séricos. Realizar ECG basal e seriado. Manter K+ sérico > 4,0 mEq/L e Mg2+ > 2,0 mg/dL. Considerar monitoramento terapêutico de metadona (faixa terapêutica: 100-400 ng/mL para manutenção; níveis > 500 ng/mL associados a maior risco de toxicidade).
🔍O que monitorar
ECG com QTc antes do início e após 3-5 dias de coadministração, depois mensalmente. Eletrólitos (K+, Mg2+, Ca2+) na mesma frequência. Nível sérico de metadona (vale) após 5-7 dias de ajuste de dose. Sinais de depressão respiratória (FR < 12/min, SpO2 < 90%), sedação excessiva (escala de Ramsay > 4), e arritmias.
↺Alternativas
Substituir haloperidol por antipsicótico com menor potencial de inibição da CYP2D6 e menor risco de prolongamento QTc, como olanzapina ou aripiprazol. Para metadona, considerar buprenorfina (menor risco de QTc) se indicado para dependência de opioides.
📚Referências
Flockhart Drug Interactions Table; Micromedex 2024; UpToDate 2024; FDA Drug Safety Communication: Methadone (2006)
Perguntas Frequentes
Pode tomar Haloperidol com Metadona?
A combinação de Haloperidol com Metadona apresenta interação de gravidade grave. Aumento significativo nos níveis plasmáticos de metadona, levando a risco aumentado de depressão respiratória, sedação excessiva e prolongamento do intervalo QTc (efeito aditivo com o próprio haloperidol). Risco de torsades de pointes e morte súbita cardíaca. Evitar associação sempre que possível. Se indispensável: reduzir dose da metadona em 25-50% no início da coadministração e titular conforme resposta clínica e níveis séricos. Realizar ECG basal e seriado. Manter K+ sérico > 4,0 mEq/L e Mg2+ > 2,0 mg/dL. Considerar monitoramento terapêutico de metadona (faixa terapêutica: 100-400 ng/mL para manutenção; níveis > 500 ng/mL associados a maior risco de toxicidade).
Haloperidol e Metadona interagem?
Sim, Haloperidol e Metadona possuem interação medicamentosa documentada. O mecanismo envolve haloperidol é um inibidor moderado da cyp2d6 (ki ~ 0.5-1 μm), enzima responsável por ~30-40% do metabolismo da metadona (principalmente a s-metadona, menos ativa, mas a r-metadona também é afetada em menor grau). a inibição da cyp2d6 reduz a depuração da metadona, aumentando sua auc em 30-50% e prolongando a meia-vida. além disso, a metadona é substrato da cyp3a4 e cyp2b6, vias não afetadas pelo haloperidol, mas a contribuição da cyp2d6 é clinicamente relevante.. A conduta recomendada é: evitar associação sempre que possível. se indispensável: reduzir dose da metadona em 25-50% no início da coadministração e titular conforme resposta clínica e níveis séricos. realizar ecg basal e seriado. manter k+ sérico > 4,0 meq/l e mg2+ > 2,0 mg/dl. considerar monitoramento terapêutico de metadona (faixa terapêutica: 100-400 ng/ml para manutenção; níveis > 500 ng/ml associados a maior risco de toxicidade)..
Qual o risco de Haloperidol com Metadona?
O risco da associação Haloperidol + Metadona é classificado como GRAVE. Aumento significativo nos níveis plasmáticos de metadona, levando a risco aumentado de depressão respiratória, sedação excessiva e prolongamento do intervalo QTc (efeito aditivo com o próprio haloperidol). Risco de torsades de pointes e morte súbita cardíaca. Monitorar: ecg com qtc antes do início e após 3-5 dias de coadministração, depois mensalmente. eletrólitos (k+, mg2+, ca2+) na mesma frequência. nível sérico de metadona (vale) após 5-7 dias de ajuste de dose. sinais de depressão respiratória (fr < 12/min, spo2 < 90%), sedação excessiva (escala de ramsay > 4), e arritmias..
Interações Relacionadas
Amiodarona inibe CYP2D6 (Ki ~3-5 µM) e CYP3A4 (Ki ~10-15 µM), enzimas responsáveis pelo metabolismo do Tramadol (substrato da CYP2D6 para formação do metabólito ativo O-desmetiltramadol, e da CYP3A4 para N-desmetiltramadol). A inibição da CYP2D6 reduz a conversão para o metabólito ativo (efeito analgésico diminuído), enquanto a inibição da CYP3A4 aumenta os níveis de Tramadol inalterado, elevando o risco de efeitos adversos serotoninérgicos e convulsivos.
Amiodarona é inibidor moderado da CYP2D6 (Ki ~3-5 µM), enzima responsável pela conversão da Codeína (pró-fármaco) em seu metabólito ativo, morfina. A inibição da CYP2D6 reduz significativamente a formação de morfina (em 50-80%), resultando em falha terapêutica (analgesia inadequada). Os níveis de Codeína inalterada podem aumentar levemente, mas sem efeito clínico relevante.
Amiodarona é inibidor moderado da glicoproteína-P (P-gp) intestinal e renal (IC50 ~5-10 µM). A Morfina é substrato da P-gp, e sua eliminação biliar e renal depende parcialmente desse transportador. A inibição da P-gp pela Amiodarona reduz a excreção de Morfina, aumentando sua biodisponibilidade oral em 30-50% e reduzindo sua depuração, com aumento da AUC em 1,5-2 vezes. A Morfina tem índice terapêutico estreito.
Amiodarona inibe moderadamente CYP3A4 (redução de clearance ~40-60%, aumento AUC esperado 1,5-2x) e fracamente CYP2D6, enzimas responsáveis pelo metabolismo de oxicodona para noroxicodona (CYP3A4) e oximorfona (CYP2D6).
Atualizado em junho/2026
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