Haloperidol + Clozapina
⚠O que acontece
Aumento dos níveis séricos de clozapina, com risco de toxicidade: sedação excessiva, sialorreia, hipotensão, convulsões (risco dose-dependente: > 500 ng/mL), prolongamento QTc aditivo, miocardite e agranulocitose. Risco de íleo paralítico e pneumonia aspirativa.
⚙Mecanismo
Haloperidol é inibidor fraco de CYP2D6 (IC50 ~12 μM), mas a clozapina é substrato com múltiplas vias: CYP1A2 (principal, ~70%), CYP3A4 (~20%), CYP2D6 (~10%) e CYP2C19. Embora a contribuição de CYP2D6 seja menor, a inibição pode aumentar os níveis de clozapina em 20-40%, especialmente em pacientes com atividade reduzida de CYP1A2 (tabagismo, inflamação) ou polimorfismos CYP2D6. O principal risco é o efeito aditivo no QTc (ambos prolongam QT) e o aumento do risco de miocardite e agranulocitose (mecanismo não totalmente elucidado, mas dose-dependente). A interação é clinicamente significativa devido à estreita janela terapêutica da clozapina.
📋Conduta Clinica
1) Evitar a associação sempre que possível; 2) Se indispensável, iniciar clozapina com dose 50% menor que a usual (ex: 12,5 mg/dia) e titular lentamente (aumentos de 12,5-25 mg a cada 3-7 dias); 3) Monitorar nível sérico de clozapina semanalmente até estabilização (alvo: 350-600 ng/mL, não exceder 1000 ng/mL); 4) ECG basal e semanal no primeiro mês; 5) Hemograma conforme protocolo de farmacovigilância (semanal por 18 semanas, depois mensal); 6) Avaliar função cardíaca (ecocardiograma basal e se sintomas); 7) Suspender haloperidol se possível e manter apenas clozapina.
🔍O que monitorar
Nível sérico de clozapina e norclozapina (semanal até dose estável, depois mensal); ECG com QTc (basal, semanal por 4 semanas, depois mensal); hemograma completo (protocolo ANC); eletrólitos (K+, Mg2+); sinais de miocardite (taquicardia, dor torácica, dispneia, PCR e troponina se suspeita); função hepática; glicemia e perfil lipídico.
↺Alternativas
Substituir haloperidol por antipsicótico não inibidor de CYP2D6 e com menor risco QT (ex: aripiprazol, lurasidona) ou considerar monoterapia com clozapina. Se necessário potencializar clozapina, usar lamotrigina ou aripiprazol (com monitoramento).
📚Referências
Flockhart Drug Interactions Table 2024; Clozapine REMS Program 2024; Maudsley Prescribing Guidelines 14th Ed; UpToDate 2024; FDA Clozapine SmPC 2023
Perguntas Frequentes
Pode tomar Haloperidol com Clozapina?
A combinação de Haloperidol com Clozapina apresenta interação de gravidade grave. Aumento dos níveis séricos de clozapina, com risco de toxicidade: sedação excessiva, sialorreia, hipotensão, convulsões (risco dose-dependente: > 500 ng/mL), prolongamento QTc aditivo, miocardite e agranulocitose. Risco de íleo paralítico e pneumonia aspirativa. 1) Evitar a associação sempre que possível; 2) Se indispensável, iniciar clozapina com dose 50% menor que a usual (ex: 12,5 mg/dia) e titular lentamente (aumentos de 12,5-25 mg a cada 3-7 dias); 3) Monitorar nível sérico de clozapina semanalmente até estabilização (alvo: 350-600 ng/mL, não exceder 1000 ng/mL); 4) ECG basal e semanal no primeiro mês; 5) Hemograma conforme protocolo de farmacovigilância (semanal por 18 semanas, depois mensal); 6) Avaliar função cardíaca (ecocardiograma basal e se sintomas); 7) Suspender haloperidol se possível e manter apenas clozapina.
Haloperidol e Clozapina interagem?
Sim, Haloperidol e Clozapina possuem interação medicamentosa documentada. O mecanismo envolve haloperidol é inibidor fraco de cyp2d6 (ic50 ~12 μm), mas a clozapina é substrato com múltiplas vias: cyp1a2 (principal, ~70%), cyp3a4 (~20%), cyp2d6 (~10%) e cyp2c19. embora a contribuição de cyp2d6 seja menor, a inibição pode aumentar os níveis de clozapina em 20-40%, especialmente em pacientes com atividade reduzida de cyp1a2 (tabagismo, inflamação) ou polimorfismos cyp2d6. o principal risco é o efeito aditivo no qtc (ambos prolongam qt) e o aumento do risco de miocardite e agranulocitose (mecanismo não totalmente elucidado, mas dose-dependente). a interação é clinicamente significativa devido à estreita janela terapêutica da clozapina.. A conduta recomendada é: 1) evitar a associação sempre que possível; 2) se indispensável, iniciar clozapina com dose 50% menor que a usual (ex: 12,5 mg/dia) e titular lentamente (aumentos de 12,5-25 mg a cada 3-7 dias); 3) monitorar nível sérico de clozapina semanalmente até estabilização (alvo: 350-600 ng/ml, não exceder 1000 ng/ml); 4) ecg basal e semanal no primeiro mês; 5) hemograma conforme protocolo de farmacovigilância (semanal por 18 semanas, depois mensal); 6) avaliar função cardíaca (ecocardiograma basal e se sintomas); 7) suspender haloperidol se possível e manter apenas clozapina..
Qual o risco de Haloperidol com Clozapina?
O risco da associação Haloperidol + Clozapina é classificado como GRAVE. Aumento dos níveis séricos de clozapina, com risco de toxicidade: sedação excessiva, sialorreia, hipotensão, convulsões (risco dose-dependente: > 500 ng/mL), prolongamento QTc aditivo, miocardite e agranulocitose. Risco de íleo paralítico e pneumonia aspirativa. Monitorar: nível sérico de clozapina e norclozapina (semanal até dose estável, depois mensal); ecg com qtc (basal, semanal por 4 semanas, depois mensal); hemograma completo (protocolo anc); eletrólitos (k+, mg2+); sinais de miocardite (taquicardia, dor torácica, dispneia, pcr e troponina se suspeita); função hepática; glicemia e perfil lipídico..
Interações Relacionadas
Interação complexa: 1) A Amiodarona inibe a CYP2D6 e a CYP2C9, enquanto a Fluoxetina é um potente inibidor da CYP2D6 e inibidor moderado da CYP3A4. Esta inibição mútua pode elevar os níveis de ambos os fármacos. 2) Ambos prolongam o intervalo QT por bloqueio dos canais IKr (hERG), resultando em um efeito aditivo significativo na repolarização ventricular.
Interação dupla: 1) A Amiodarona inibe a CYP2D6 e a CYP3A4, enzimas que metabolizam a Sertralina, podendo aumentar seus níveis. A Sertralina, por sua vez, é um inibidor moderado da CYP2D6, o que pode afetar o metabolismo da Amiodarona. 2) Ambos os fármacos bloqueiam os canais IKr (hERG), causando um efeito aditivo no prolongamento do intervalo QTc.
Interação farmacocinética e farmacodinâmica: 1) A Amiodarona inibe a CYP2D6, a principal via de metabolismo da Paroxetina, podendo aumentar seus níveis. A Paroxetina é um potente inibidor da CYP2D6, o que pode reduzir a conversão da Amiodarona em seu metabólito ativo, alterando seu perfil de eficácia e toxicidade. 2) Ambos prolongam o intervalo QT por bloqueio dos canais IKr (hERG), com efeito aditivo.
Amiodarona inibe CYP2D6 e CYP3A4 (reduz conversão de venlafaxina para O-desmetilvenlafaxina), aumentando níveis de venlafaxina em 30-70% e reduzindo metabólito ativo.
Atualizado em junho/2026
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