Gentamicina + Tacrolimus
⚠O que acontece
Insuficiência renal aguda: aumento da creatinina, oligúria, distúrbios eletrolíticos (hipercalemia, hipomagnesemia). Em transplantados, pode mimetizar rejeição aguda. Creatinina pode dobrar em 3-7 dias.
⚙Mecanismo
Gentamicina causa necrose tubular aguda por toxicidade direta. Tacrolimus, um inibidor da calcineurina, causa nefrotoxicidade por vasoconstrição da arteríola aferente (mediada por endotelina e redução de óxido nítrico) e por efeito tóxico direto nas células tubulares. Ambos os fármacos são nefrotóxicos por mecanismos complementares: lesão tubular (gentamicina) + vasoconstrição e toxicidade tubular (tacrolimus). A combinação pode levar a dano renal sinérgico, especialmente em transplantados renais ou pacientes com função renal limítrofe. Além disso, a disfunção renal pode aumentar os níveis de tacrolimus, criando um ciclo vicioso. Magnitude do efeito: grave, com potencial para LRA e perda de enxerto em transplantados.
📋Conduta Clinica
Evitar a associação sempre que possível. Se necessária (ex.: infecção em transplantado), monitorar rigorosamente função renal e nível sérico de tacrolimus (alvo 5-15 ng/mL). Manter hidratação adequada. Ajustar dose de tacrolimus conforme clearance de creatinina. Se creatinina aumentar >30%, reduzir tacrolimus ou suspender gentamicina e considerar antibiótico alternativo.
🔍O que monitorar
Monitorar creatinina sérica diariamente, nível sérico de tacrolimus a cada 48 horas, débito urinário a cada 6 horas, eletrólitos (K, Mg) diariamente, peso diário, pressão arterial. Dosar nível sérico de gentamicina se disponível.
↺Alternativas
Para infecção: substituir gentamicina por antibiótico não nefrotóxico (ex.: ceftazidima, meropenem) conforme antibiograma. Para imunossupressão: não substituir tacrolimus sem orientação do transplantador; considerar ajuste de dose ou mudança para ciclosporina (também nefrotóxica) ou everolimus (menos nefrotóxico) apenas em casos selecionados.
📚Referências
UpToDate 2024; KDIGO AKI Guidelines; Naesens M, et al. Calcineurin inhibitor nephrotoxicity. Clin J Am Soc Nephrol. 2009;4(2):481-508.
Perguntas Frequentes
Pode tomar Gentamicina com Tacrolimus?
A combinação de Gentamicina com Tacrolimus apresenta interação de gravidade grave. Insuficiência renal aguda: aumento da creatinina, oligúria, distúrbios eletrolíticos (hipercalemia, hipomagnesemia). Em transplantados, pode mimetizar rejeição aguda. Creatinina pode dobrar em 3-7 dias. Evitar a associação sempre que possível. Se necessária (ex.: infecção em transplantado), monitorar rigorosamente função renal e nível sérico de tacrolimus (alvo 5-15 ng/mL). Manter hidratação adequada. Ajustar dose de tacrolimus conforme clearance de creatinina. Se creatinina aumentar >30%, reduzir tacrolimus ou suspender gentamicina e considerar antibiótico alternativo.
Gentamicina e Tacrolimus interagem?
Sim, Gentamicina e Tacrolimus possuem interação medicamentosa documentada. O mecanismo envolve gentamicina causa necrose tubular aguda por toxicidade direta. tacrolimus, um inibidor da calcineurina, causa nefrotoxicidade por vasoconstrição da arteríola aferente (mediada por endotelina e redução de óxido nítrico) e por efeito tóxico direto nas células tubulares. ambos os fármacos são nefrotóxicos por mecanismos complementares: lesão tubular (gentamicina) + vasoconstrição e toxicidade tubular (tacrolimus). a combinação pode levar a dano renal sinérgico, especialmente em transplantados renais ou pacientes com função renal limítrofe. além disso, a disfunção renal pode aumentar os níveis de tacrolimus, criando um ciclo vicioso. magnitude do efeito: grave, com potencial para lra e perda de enxerto em transplantados.. A conduta recomendada é: evitar a associação sempre que possível. se necessária (ex.: infecção em transplantado), monitorar rigorosamente função renal e nível sérico de tacrolimus (alvo 5-15 ng/ml). manter hidratação adequada. ajustar dose de tacrolimus conforme clearance de creatinina. se creatinina aumentar >30%, reduzir tacrolimus ou suspender gentamicina e considerar antibiótico alternativo..
Qual o risco de Gentamicina com Tacrolimus?
O risco da associação Gentamicina + Tacrolimus é classificado como GRAVE. Insuficiência renal aguda: aumento da creatinina, oligúria, distúrbios eletrolíticos (hipercalemia, hipomagnesemia). Em transplantados, pode mimetizar rejeição aguda. Creatinina pode dobrar em 3-7 dias. Monitorar: monitorar creatinina sérica diariamente, nível sérico de tacrolimus a cada 48 horas, débito urinário a cada 6 horas, eletrólitos (k, mg) diariamente, peso diário, pressão arterial. dosar nível sérico de gentamicina se disponível..
Interações Relacionadas
Diurético de alça reduz depuração renal do lítio em 25-40% por depleção de volume e menor filtração, elevando níveis séricos.
A furosemida causa depleção de volume e sódio, levando a um aumento compensatório na reabsorção tubular proximal de sódio e, consequentemente, de lítio. Isso pode elevar os níveis séricos de lítio em 25-40%, mesmo com função renal normal. Adicionalmente, o lítio pode causar diabetes insipidus nefrogênico, e a desidratação induzida pela furosemida exacerba o risco de toxicidade por lítio e lesão renal aguda.
Nefrotoxicidade aditiva. A gentamicina é um aminoglicosídeo que se acumula nas células tubulares renais proximais, causando necrose tubular aguda. A furosemida, ao causar depleção de volume e reduzir o fluxo sanguíneo renal, potencializa a concentração e a toxicidade tubular da gentamicina. A hipocalemia induzida pela furosemida também pode exacerbar o dano tubular.
Nefrotoxicidade aditiva. A vancomicina causa estresse oxidativo e dano mitocondrial nas células tubulares renais proximais. A furosemida, ao induzir depleção de volume e ativar o sistema renina-angiotensina-aldosterona, reduz a perfusão renal e potencializa a concentração tubular da vancomicina, exacerbando seu efeito tóxico direto. O risco é particularmente alto com níveis de vale de vancomicina > 20 mcg/mL.
Atualizado em junho/2026
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