Fluvoxamina + Domperidona

GraveRisco elevado — pode causar dano significativo ao paciente
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O que acontece

Aumento significativo dos níveis plasmáticos de domperidona, resultando em prolongamento do intervalo QTc (>500 ms ou aumento >60 ms da linha de base) e risco aumentado de torsades de pointes e morte súbita cardíaca, especialmente em pacientes com fatores de risco adicionais (sexo feminino, idade >65 anos, distúrbios eletrolíticos, bradicardia, cardiopatia estrutural).

Mecanismo

Fluvoxamina é inibidor potente da CYP3A4 (Ki ~0.1-0.2 μM) e inibidor moderado da CYP1A2. Domperidona é metabolizada principalmente pela CYP3A4 (com contribuição menor da CYP1A2). A inibição da CYP3A4 pela fluvoxamina pode aumentar a AUC da domperidona em 3 a 5 vezes, elevando significativamente os níveis plasmáticos. A domperidona bloqueia canais hERG (IKr), prolongando a repolarização ventricular de forma concentração-dependente.

📋Conduta Clinica

Evitar a associação. Se o uso concomitante for inevitável (ex.: gastroparesia refratária sem alternativas), obter ECG basal e monitorar QTc semanalmente no primeiro mês. Manter K+ sérico >4,0 mmol/L e Mg2+ >2,0 mg/dL. Reduzir dose da domperidona em 50% e não exceder 30 mg/dia. Suspender imediatamente se QTc >500 ms ou sintomas de arritmia.

🔍O que monitorar

ECG com QTc (basal, semanal no primeiro mês, depois mensal), eletrólitos (K+, Mg2+) a cada 2 semanas, sinais/sintomas de arritmia (palpitações, síncope, tontura).

Alternativas

Substituir fluvoxamina por antidepressivo com menor potencial de inibição da CYP3A4 (ex.: sertralina, citalopram, mirtazapina) ou substituir domperidona por metoclopramida (com cautela neurológica) ou eritromicina (também risco de QT, mas em baixas doses pode ser opção).

📚Referências

Flockhart Drug Interactions Table; Micromedex 2024; EMA Domperidone Review 2014; DrugBank; PubMed: PMID 23686889

Perguntas Frequentes

Pode tomar Fluvoxamina com Domperidona?

A combinação de Fluvoxamina com Domperidona apresenta interação de gravidade grave. Aumento significativo dos níveis plasmáticos de domperidona, resultando em prolongamento do intervalo QTc (>500 ms ou aumento >60 ms da linha de base) e risco aumentado de torsades de pointes e morte súbita cardíaca, especialmente em pacientes com fatores de risco adicionais (sexo feminino, idade >65 anos, distúrbios eletrolíticos, bradicardia, cardiopatia estrutural). Evitar a associação. Se o uso concomitante for inevitável (ex.: gastroparesia refratária sem alternativas), obter ECG basal e monitorar QTc semanalmente no primeiro mês. Manter K+ sérico >4,0 mmol/L e Mg2+ >2,0 mg/dL. Reduzir dose da domperidona em 50% e não exceder 30 mg/dia. Suspender imediatamente se QTc >500 ms ou sintomas de arritmia.

Fluvoxamina e Domperidona interagem?

Sim, Fluvoxamina e Domperidona possuem interação medicamentosa documentada. O mecanismo envolve fluvoxamina é inibidor potente da cyp3a4 (ki ~0.1-0.2 μm) e inibidor moderado da cyp1a2. domperidona é metabolizada principalmente pela cyp3a4 (com contribuição menor da cyp1a2). a inibição da cyp3a4 pela fluvoxamina pode aumentar a auc da domperidona em 3 a 5 vezes, elevando significativamente os níveis plasmáticos. a domperidona bloqueia canais herg (ikr), prolongando a repolarização ventricular de forma concentração-dependente.. A conduta recomendada é: evitar a associação. se o uso concomitante for inevitável (ex.: gastroparesia refratária sem alternativas), obter ecg basal e monitorar qtc semanalmente no primeiro mês. manter k+ sérico >4,0 mmol/l e mg2+ >2,0 mg/dl. reduzir dose da domperidona em 50% e não exceder 30 mg/dia. suspender imediatamente se qtc >500 ms ou sintomas de arritmia..

Qual o risco de Fluvoxamina com Domperidona?

O risco da associação Fluvoxamina + Domperidona é classificado como GRAVE. Aumento significativo dos níveis plasmáticos de domperidona, resultando em prolongamento do intervalo QTc (>500 ms ou aumento >60 ms da linha de base) e risco aumentado de torsades de pointes e morte súbita cardíaca, especialmente em pacientes com fatores de risco adicionais (sexo feminino, idade >65 anos, distúrbios eletrolíticos, bradicardia, cardiopatia estrutural). Monitorar: ecg com qtc (basal, semanal no primeiro mês, depois mensal), eletrólitos (k+, mg2+) a cada 2 semanas, sinais/sintomas de arritmia (palpitações, síncope, tontura)..

Interações Relacionadas

Amiodarona + Omeprazol

Amiodarona é inibidor fraco da CYP3A4 (IC50 >10 µM), enquanto o Omeprazol é metabolizado principalmente pela CYP2C19 e, em menor extensão, pela CYP3A4. A inibição da CYP3A4 pela amiodarona resulta em aumento modesto (<2x) na exposição ao omeprazol, com relevância clínica limitada devido à ampla janela terapêutica do omeprazol.

Leve
Amiodarona + Lansoprazol

Amiodarona inibe fracamente a CYP3A4, enquanto o Lansoprazol é metabolizado principalmente pela CYP2C19 e CYP3A4. A contribuição da CYP3A4 é secundária, resultando em aumento <30% na AUC do lansoprazol, sem relevância clínica em doses padrão (15-30 mg/dia).

Leve
Amiodarona + Domperidona

Interação farmacodinâmica e farmacocinética sinérgica. Farmacodinâmica: Ambos bloqueiam canais hERG (IKr), prolongando o QT de forma aditiva. Farmacocinética: A amiodarona é um inibidor moderado da CYP3A4, principal via de metabolismo da domperidona. A inibição enzimática pode aumentar a AUC da domperidona em 2-3 vezes, elevando ainda mais o risco de cardiotoxicidade dependente de concentração.

Grave
Amiodarona + Ondansetrona

Risco aditivo de prolongamento do intervalo QT. Ambos os fármacos são listados como de 'Risco Conhecido' de TdP pelo CredibleMeds, atuando por bloqueio dos canais hERG (IKr). A amiodarona inibe CYP2D6 e CYP3A4, vias secundárias da ondansetrona (primariamente metabolizada por UGT1A1, CYP1A2), mas a contribuição farmacocinética é considerada menor. O mecanismo principal é farmacodinâmico.

Grave

Atualizado em junho/2026

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