Fluoxetina + Venlafaxina

GraveRisco elevado — pode causar dano significativo ao paciente
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O que acontece

Síndrome serotoninérgica: espectro de sintomas que variam de leves (tremor, ansiedade, diaforese) a graves (hipertermia >38,5°C, rigidez muscular, mioclonia, clônus ocular ou induzível, agitação, delirium, taquicardia, hipertensão, midríase). Casos graves podem evoluir para rabdomiólise, acidose metabólica, coagulação intravascular disseminada e óbito. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios de Hunter (clônus espontâneo, induzível ou ocular + agitação/diaforese/hipertermia/tremor).

Mecanismo

A fluoxetina é um inibidor seletivo da recaptação de serotonina (ISRS) que aumenta a serotonina na fenda sináptica ao bloquear o transportador SERT (Ki ~1 nM). A venlafaxina é um inibidor da recaptação de serotonina e noradrenalina (IRSN) que também bloqueia o SERT (Ki ~8 nM) e, em doses mais altas (>150 mg/dia), o transportador de noradrenalina NET. A combinação resulta em excesso serotoninérgico sinérgico, especialmente nos receptores 5-HT1A e 5-HT2A, podendo desencadear síndrome serotoninérgica. O risco é maior com doses altas, no início do tratamento ou após aumento rápido de dose. A fluoxetina tem meia-vida longa (4-6 dias para o fármaco e 4-16 dias para o metabólito ativo norfluoxetina), prolongando o risco por semanas após a suspensão.

📋Conduta Clinica

Evitar a associação, especialmente em doses altas. Se o uso combinado for inevitável: 1) Iniciar com doses mínimas (fluoxetina 10 mg/dia, venlafaxina 37,5 mg/dia) e aumentar lentamente; 2) Aguardar pelo menos 2 semanas após aumentar a dose de um fármaco antes de ajustar o outro; 3) Educar o paciente sobre os sinais de alerta (agitação, confusão, tremor, febre); 4) Ao primeiro sinal de síndrome serotoninérgica, suspender ambos os fármacos imediatamente e procurar atendimento de emergência. O tratamento inclui suporte (resfriamento, hidratação, benzodiazepínicos para agitação/mioclonia) e, em casos graves, ciproeptadina (antagonista 5-HT2A) 12 mg via oral ou sonda, seguido de 2 mg a cada 2 horas até resposta.

🔍O que monitorar

Avaliar sinais vitais (temperatura, FC, PA) e exame neurológico (reflexos, clônus, mioclonia, nível de consciência) a cada consulta e sempre que houver ajuste de dose. Usar os critérios de Hunter para triagem. Em caso de suspeita, monitorização hospitalar com ECG, CK, função renal e hepática.

Alternativas

Substituir um dos fármacos por alternativa sem ação serotoninérgica forte. Para depressão: bupropiona (sem ação serotoninérgica significativa) ou mirtazapina (antagonista 5-HT2 e 5-HT3, baixo risco). Para ansiedade: buspirona (agonista parcial 5-HT1A, risco moderado) ou pregabalina. Evitar combinar ISRS com IRSN, IMAO, linezolida, azul de metileno ou erva-de-são-joão.

📚Referências

FDA Serotonin Syndrome Alert 2024; UpToDate 2024; Boyer EW, Shannon M. The serotonin syndrome. N Engl J Med. 2005;352:1112-20; Critérios de Hunter.

Perguntas Frequentes

Pode tomar Fluoxetina com Venlafaxina?

A combinação de Fluoxetina com Venlafaxina apresenta interação de gravidade grave. Síndrome serotoninérgica: espectro de sintomas que variam de leves (tremor, ansiedade, diaforese) a graves (hipertermia >38,5°C, rigidez muscular, mioclonia, clônus ocular ou induzível, agitação, delirium, taquicardia, hipertensão, midríase). Casos graves podem evoluir para rabdomiólise, acidose metabólica, coagulação intravascular disseminada e óbito. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios de Hunter (clônus espontâneo, induzível ou ocular + agitação/diaforese/hipertermia/tremor). Evitar a associação, especialmente em doses altas. Se o uso combinado for inevitável: 1) Iniciar com doses mínimas (fluoxetina 10 mg/dia, venlafaxina 37,5 mg/dia) e aumentar lentamente; 2) Aguardar pelo menos 2 semanas após aumentar a dose de um fármaco antes de ajustar o outro; 3) Educar o paciente sobre os sinais de alerta (agitação, confusão, tremor, febre); 4) Ao primeiro sinal de síndrome serotoninérgica, suspender ambos os fármacos imediatamente e procurar atendimento de emergência. O tratamento inclui suporte (resfriamento, hidratação, benzodiazepínicos para agitação/mioclonia) e, em casos graves, ciproeptadina (antagonista 5-HT2A) 12 mg via oral ou sonda, seguido de 2 mg a cada 2 horas até resposta.

Fluoxetina e Venlafaxina interagem?

Sim, Fluoxetina e Venlafaxina possuem interação medicamentosa documentada. O mecanismo envolve a fluoxetina é um inibidor seletivo da recaptação de serotonina (isrs) que aumenta a serotonina na fenda sináptica ao bloquear o transportador sert (ki ~1 nm). a venlafaxina é um inibidor da recaptação de serotonina e noradrenalina (irsn) que também bloqueia o sert (ki ~8 nm) e, em doses mais altas (>150 mg/dia), o transportador de noradrenalina net. a combinação resulta em excesso serotoninérgico sinérgico, especialmente nos receptores 5-ht1a e 5-ht2a, podendo desencadear síndrome serotoninérgica. o risco é maior com doses altas, no início do tratamento ou após aumento rápido de dose. a fluoxetina tem meia-vida longa (4-6 dias para o fármaco e 4-16 dias para o metabólito ativo norfluoxetina), prolongando o risco por semanas após a suspensão.. A conduta recomendada é: evitar a associação, especialmente em doses altas. se o uso combinado for inevitável: 1) iniciar com doses mínimas (fluoxetina 10 mg/dia, venlafaxina 37,5 mg/dia) e aumentar lentamente; 2) aguardar pelo menos 2 semanas após aumentar a dose de um fármaco antes de ajustar o outro; 3) educar o paciente sobre os sinais de alerta (agitação, confusão, tremor, febre); 4) ao primeiro sinal de síndrome serotoninérgica, suspender ambos os fármacos imediatamente e procurar atendimento de emergência. o tratamento inclui suporte (resfriamento, hidratação, benzodiazepínicos para agitação/mioclonia) e, em casos graves, ciproeptadina (antagonista 5-ht2a) 12 mg via oral ou sonda, seguido de 2 mg a cada 2 horas até resposta..

Qual o risco de Fluoxetina com Venlafaxina?

O risco da associação Fluoxetina + Venlafaxina é classificado como GRAVE. Síndrome serotoninérgica: espectro de sintomas que variam de leves (tremor, ansiedade, diaforese) a graves (hipertermia >38,5°C, rigidez muscular, mioclonia, clônus ocular ou induzível, agitação, delirium, taquicardia, hipertensão, midríase). Casos graves podem evoluir para rabdomiólise, acidose metabólica, coagulação intravascular disseminada e óbito. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios de Hunter (clônus espontâneo, induzível ou ocular + agitação/diaforese/hipertermia/tremor). Monitorar: avaliar sinais vitais (temperatura, fc, pa) e exame neurológico (reflexos, clônus, mioclonia, nível de consciência) a cada consulta e sempre que houver ajuste de dose. usar os critérios de hunter para triagem. em caso de suspeita, monitorização hospitalar com ecg, ck, função renal e hepática..

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Atualizado em junho/2026

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