Fluoxetina + Clomipramina

GraveRisco elevado — pode causar dano significativo ao paciente
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O que acontece

Aumento dos níveis plasmáticos de clomipramina, com risco de: 1) Síndrome serotoninérgica grave (hipertermia, rigidez, mioclonia); 2) Prolongamento do intervalo QTc (>500 ms) e torsades de pointes; 3) Convulsões (clomipramina reduz o limiar convulsivo); 4) Efeitos anticolinérgicos graves (delirium, retenção urinária, íleo paralítico). O risco é maior em idosos e em pacientes com epilepsia ou cardiopatia.

Mecanismo

A fluoxetina e a norfluoxetina inibem potentemente a CYP2D6 (Ki ~0,2-0,5 μM) e moderadamente a CYP2C19 (Ki ~1-5 μM). A clomipramina é metabolizada principalmente pela CYP2C19 a desmetilclomipramina (metabólito ativo) e pela CYP2D6 a metabólitos inativos. A inibição dessas vias pode aumentar a AUC da clomipramina em 2-4 vezes, elevando o risco de cardiotoxicidade e síndrome serotoninérgica. A clomipramina é o ADT mais potente como inibidor da recaptação de serotonina (Ki para SERT ~0,14 nM), o que aumenta o risco de síndrome serotoninérgica quando combinado com ISRS. A janela terapêutica é estreita (nível sérico combinado de clomipramina + desmetilclomipramina: 150-300 ng/mL); níveis >400 ng/mL são tóxicos.

📋Conduta Clinica

Evitar a associação. Se o uso combinado for indispensável (ex: TOC refratário): 1) Reduzir a dose de clomipramina em 50-75% antes de iniciar fluoxetina; 2) Monitorar nível sérico de clomipramina + desmetilclomipramina (alvo: 150-300 ng/mL) após 1-2 semanas e após cada ajuste; 3) ECG basal e após 1-2 semanas; 4) Não exceder dose de clomipramina 75-100 mg/dia na maioria dos pacientes; 5) Suspender imediatamente se sinais de síndrome serotoninérgica, QTc >500 ms ou convulsões.

🔍O que monitorar

Nível sérico de clomipramina + desmetilclomipramina (coletar 12h após a dose) no início, após 1-2 semanas e a cada 3-6 meses. ECG com QTc no início, após 1-2 semanas e a cada 3-6 meses. Eletrólitos (K+, Mg2+). Monitorar sinais de síndrome serotoninérgica (critérios de Hunter), toxicidade anticolinérgica e cardiovascular.

Alternativas

Substituir a fluoxetina por um ISRS que não iniba CYP2D6/CYP2C19, como citalopram ou escitalopram (com cautela, pois também aumentam serotonina). Para TOC, considerar trocar clomipramina por um ISRS em dose alta (ex: fluoxetina 60-80 mg/dia isoladamente) ou associar ISRS com terapia cognitivo-comportamental. Se a combinação for necessária, considerar o uso de fluvoxamina (inibidor da CYP1A2 e CYP2C19, mas não da CYP2D6) com clomipramina, sob monitoramento rigoroso.

📚Referências

Flockhart Drug Interactions Table; Micromedex 2024; UpToDate 2024; Diretrizes de TOC (APA)

Perguntas Frequentes

Pode tomar Fluoxetina com Clomipramina?

A combinação de Fluoxetina com Clomipramina apresenta interação de gravidade grave. Aumento dos níveis plasmáticos de clomipramina, com risco de: 1) Síndrome serotoninérgica grave (hipertermia, rigidez, mioclonia); 2) Prolongamento do intervalo QTc (>500 ms) e torsades de pointes; 3) Convulsões (clomipramina reduz o limiar convulsivo); 4) Efeitos anticolinérgicos graves (delirium, retenção urinária, íleo paralítico). O risco é maior em idosos e em pacientes com epilepsia ou cardiopatia. Evitar a associação. Se o uso combinado for indispensável (ex: TOC refratário): 1) Reduzir a dose de clomipramina em 50-75% antes de iniciar fluoxetina; 2) Monitorar nível sérico de clomipramina + desmetilclomipramina (alvo: 150-300 ng/mL) após 1-2 semanas e após cada ajuste; 3) ECG basal e após 1-2 semanas; 4) Não exceder dose de clomipramina 75-100 mg/dia na maioria dos pacientes; 5) Suspender imediatamente se sinais de síndrome serotoninérgica, QTc >500 ms ou convulsões.

Fluoxetina e Clomipramina interagem?

Sim, Fluoxetina e Clomipramina possuem interação medicamentosa documentada. O mecanismo envolve a fluoxetina e a norfluoxetina inibem potentemente a cyp2d6 (ki ~0,2-0,5 μm) e moderadamente a cyp2c19 (ki ~1-5 μm). a clomipramina é metabolizada principalmente pela cyp2c19 a desmetilclomipramina (metabólito ativo) e pela cyp2d6 a metabólitos inativos. a inibição dessas vias pode aumentar a auc da clomipramina em 2-4 vezes, elevando o risco de cardiotoxicidade e síndrome serotoninérgica. a clomipramina é o adt mais potente como inibidor da recaptação de serotonina (ki para sert ~0,14 nm), o que aumenta o risco de síndrome serotoninérgica quando combinado com isrs. a janela terapêutica é estreita (nível sérico combinado de clomipramina + desmetilclomipramina: 150-300 ng/ml); níveis >400 ng/ml são tóxicos.. A conduta recomendada é: evitar a associação. se o uso combinado for indispensável (ex: toc refratário): 1) reduzir a dose de clomipramina em 50-75% antes de iniciar fluoxetina; 2) monitorar nível sérico de clomipramina + desmetilclomipramina (alvo: 150-300 ng/ml) após 1-2 semanas e após cada ajuste; 3) ecg basal e após 1-2 semanas; 4) não exceder dose de clomipramina 75-100 mg/dia na maioria dos pacientes; 5) suspender imediatamente se sinais de síndrome serotoninérgica, qtc >500 ms ou convulsões..

Qual o risco de Fluoxetina com Clomipramina?

O risco da associação Fluoxetina + Clomipramina é classificado como GRAVE. Aumento dos níveis plasmáticos de clomipramina, com risco de: 1) Síndrome serotoninérgica grave (hipertermia, rigidez, mioclonia); 2) Prolongamento do intervalo QTc (>500 ms) e torsades de pointes; 3) Convulsões (clomipramina reduz o limiar convulsivo); 4) Efeitos anticolinérgicos graves (delirium, retenção urinária, íleo paralítico). O risco é maior em idosos e em pacientes com epilepsia ou cardiopatia. Monitorar: nível sérico de clomipramina + desmetilclomipramina (coletar 12h após a dose) no início, após 1-2 semanas e a cada 3-6 meses. ecg com qtc no início, após 1-2 semanas e a cada 3-6 meses. eletrólitos (k+, mg2+). monitorar sinais de síndrome serotoninérgica (critérios de hunter), toxicidade anticolinérgica e cardiovascular..

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Atualizado em junho/2026

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