Fluoxetina + Amitriptilina
⚠O que acontece
Aumento dos níveis plasmáticos de amitriptilina e nortriptilina, com risco de prolongamento do intervalo QTc (>500 ms), torsades de pointes, convulsões, delirium anticolinérgico (confusão, alucinações, taquicardia, retenção urinária) e hipotensão ortostática. O risco é maior em idosos e em pacientes com cardiopatia prévia.
⚙Mecanismo
A fluoxetina e a norfluoxetina inibem potentemente a CYP2D6 (Ki ~0,2-0,5 μM) e moderadamente a CYP2C19 (Ki ~1-5 μM). A amitriptilina é metabolizada principalmente pela CYP2C19 a nortriptilina (metabólito ativo) e pela CYP2D6 a metabólitos inativos. A inibição dessas vias pode aumentar a AUC da amitriptilina em 2-4 vezes e da nortriptilina em 1,5-2 vezes, elevando o risco de cardiotoxicidade (prolongamento QTc, arritmias) e efeitos anticolinérgicos. A janela terapêutica da amitriptilina é estreita (nível sérico combinado de amitriptilina + nortriptilina: 80-200 ng/mL); níveis >300 ng/mL são tóxicos.
📋Conduta Clinica
Evitar a associação sempre que possível. Se o uso combinado for indispensável: 1) Reduzir a dose de amitriptilina em 50-75% antes de iniciar fluoxetina; 2) Monitorar nível sérico de amitriptilina + nortriptilina (alvo: 80-200 ng/mL) após 1-2 semanas do início da fluoxetina e após cada ajuste de dose; 3) Realizar ECG basal e após 1-2 semanas; 4) Não exceder dose de amitriptilina 50-75 mg/dia na maioria dos pacientes; 5) Suspender imediatamente se QTc >500 ms ou sinais de toxicidade.
🔍O que monitorar
Nível sérico de amitriptilina + nortriptilina (coletar 12h após a dose noturna) no início, após 1-2 semanas e a cada 3-6 meses. ECG com QTc no início, após 1-2 semanas e a cada 3-6 meses. Eletrólitos (K+, Mg2+). Monitorar sinais de toxicidade anticolinérgica (boca seca, constipação, visão turva, confusão) e cardiovascular (palpitações, síncope).
↺Alternativas
Substituir a fluoxetina por um ISRS que não iniba CYP2D6/CYP2C19, como citalopram, escitalopram ou sertralina. Se o objetivo for potencializar analgesia, considerar outros adjuvantes como gabapentina ou duloxetina (com cautela). Para depressão, considerar trocar amitriptilina por um ADT com menor risco cardíaco (ex: nortriptilina isoladamente, que tem menor inibição anticolinérgica) ou por outra classe (ISRS, bupropiona).
📚Referências
Flockhart Drug Interactions Table; Micromedex 2024; UpToDate 2024; Diretrizes de monitoramento de ADT (APA)
Perguntas Frequentes
Pode tomar Fluoxetina com Amitriptilina?
A combinação de Fluoxetina com Amitriptilina apresenta interação de gravidade grave. Aumento dos níveis plasmáticos de amitriptilina e nortriptilina, com risco de prolongamento do intervalo QTc (>500 ms), torsades de pointes, convulsões, delirium anticolinérgico (confusão, alucinações, taquicardia, retenção urinária) e hipotensão ortostática. O risco é maior em idosos e em pacientes com cardiopatia prévia. Evitar a associação sempre que possível. Se o uso combinado for indispensável: 1) Reduzir a dose de amitriptilina em 50-75% antes de iniciar fluoxetina; 2) Monitorar nível sérico de amitriptilina + nortriptilina (alvo: 80-200 ng/mL) após 1-2 semanas do início da fluoxetina e após cada ajuste de dose; 3) Realizar ECG basal e após 1-2 semanas; 4) Não exceder dose de amitriptilina 50-75 mg/dia na maioria dos pacientes; 5) Suspender imediatamente se QTc >500 ms ou sinais de toxicidade.
Fluoxetina e Amitriptilina interagem?
Sim, Fluoxetina e Amitriptilina possuem interação medicamentosa documentada. O mecanismo envolve a fluoxetina e a norfluoxetina inibem potentemente a cyp2d6 (ki ~0,2-0,5 μm) e moderadamente a cyp2c19 (ki ~1-5 μm). a amitriptilina é metabolizada principalmente pela cyp2c19 a nortriptilina (metabólito ativo) e pela cyp2d6 a metabólitos inativos. a inibição dessas vias pode aumentar a auc da amitriptilina em 2-4 vezes e da nortriptilina em 1,5-2 vezes, elevando o risco de cardiotoxicidade (prolongamento qtc, arritmias) e efeitos anticolinérgicos. a janela terapêutica da amitriptilina é estreita (nível sérico combinado de amitriptilina + nortriptilina: 80-200 ng/ml); níveis >300 ng/ml são tóxicos.. A conduta recomendada é: evitar a associação sempre que possível. se o uso combinado for indispensável: 1) reduzir a dose de amitriptilina em 50-75% antes de iniciar fluoxetina; 2) monitorar nível sérico de amitriptilina + nortriptilina (alvo: 80-200 ng/ml) após 1-2 semanas do início da fluoxetina e após cada ajuste de dose; 3) realizar ecg basal e após 1-2 semanas; 4) não exceder dose de amitriptilina 50-75 mg/dia na maioria dos pacientes; 5) suspender imediatamente se qtc >500 ms ou sinais de toxicidade..
Qual o risco de Fluoxetina com Amitriptilina?
O risco da associação Fluoxetina + Amitriptilina é classificado como GRAVE. Aumento dos níveis plasmáticos de amitriptilina e nortriptilina, com risco de prolongamento do intervalo QTc (>500 ms), torsades de pointes, convulsões, delirium anticolinérgico (confusão, alucinações, taquicardia, retenção urinária) e hipotensão ortostática. O risco é maior em idosos e em pacientes com cardiopatia prévia. Monitorar: nível sérico de amitriptilina + nortriptilina (coletar 12h após a dose noturna) no início, após 1-2 semanas e a cada 3-6 meses. ecg com qtc no início, após 1-2 semanas e a cada 3-6 meses. eletrólitos (k+, mg2+). monitorar sinais de toxicidade anticolinérgica (boca seca, constipação, visão turva, confusão) e cardiovascular (palpitações, síncope)..
Interações Relacionadas
Interação complexa: 1) A Amiodarona inibe a CYP2D6 e a CYP2C9, enquanto a Fluoxetina é um potente inibidor da CYP2D6 e inibidor moderado da CYP3A4. Esta inibição mútua pode elevar os níveis de ambos os fármacos. 2) Ambos prolongam o intervalo QT por bloqueio dos canais IKr (hERG), resultando em um efeito aditivo significativo na repolarização ventricular.
Interação dupla: 1) A Amiodarona inibe a CYP2D6 e a CYP3A4, enzimas que metabolizam a Sertralina, podendo aumentar seus níveis. A Sertralina, por sua vez, é um inibidor moderado da CYP2D6, o que pode afetar o metabolismo da Amiodarona. 2) Ambos os fármacos bloqueiam os canais IKr (hERG), causando um efeito aditivo no prolongamento do intervalo QTc.
Interação farmacocinética e farmacodinâmica: 1) A Amiodarona inibe a CYP2D6, a principal via de metabolismo da Paroxetina, podendo aumentar seus níveis. A Paroxetina é um potente inibidor da CYP2D6, o que pode reduzir a conversão da Amiodarona em seu metabólito ativo, alterando seu perfil de eficácia e toxicidade. 2) Ambos prolongam o intervalo QT por bloqueio dos canais IKr (hERG), com efeito aditivo.
Amiodarona inibe CYP2D6 e CYP3A4 (reduz conversão de venlafaxina para O-desmetilvenlafaxina), aumentando níveis de venlafaxina em 30-70% e reduzindo metabólito ativo.
Atualizado em junho/2026
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