Fluconazol + Clomipramina
⚠O que acontece
Aumento significativo nos níveis plasmáticos de clomipramina, levando a prolongamento do intervalo QTc (>500 ms) e risco aumentado de torsades de pointes, especialmente em pacientes com fatores de risco adicionais (sexo feminino, idade avançada, distúrbios eletrolíticos, cardiopatia estrutural).
⚙Mecanismo
Fluconazol é um inibidor potente da CYP2C19 (IC50 ~0.5-2 μM) e inibidor moderado da CYP3A4. A clomipramina é metabolizada principalmente pela CYP2C19 (N-desmetilação) e CYP1A2 (hidroxilação), com contribuição menor da CYP3A4. A inibição da CYP2C19 pelo fluconazol pode aumentar a AUC da clomipramina em 2 a 4 vezes, elevando significativamente os níveis plasmáticos do fármaco e de seu metabólito ativo, desmetilclomipramina, que também é substrato da CYP2D6. O acúmulo de clomipramina está associado a cardiotoxicidade dose-dependente.
📋Conduta Clinica
Evitar a associação sempre que possível. Se o uso concomitante for absolutamente necessário: 1) Reduzir a dose de clomipramina em 50-75% antes de iniciar o fluconazol. 2) Ajustar a dose com base no monitoramento terapêutico de fármacos (TDM). 3) Manter níveis séricos de clomipramina + desmetilclomipramina entre 150-300 ng/mL (faixa terapêutica). 4) Corrigir distúrbios eletrolíticos (K+ >4,0 mEq/L, Mg2+ >2,0 mg/dL) antes e durante o tratamento.
🔍O que monitorar
1) ECG basal e semanal para medir QTc (alvo: <470 ms homens, <480 ms mulheres). 2) Nível sérico de clomipramina e desmetilclomipramina no estado de equilíbrio (após 5-7 dias de coadministração). 3) Eletrólitos séricos (K+, Mg2+, Ca2+) no início e a cada 3-5 dias. 4) Sinais clínicos de toxicidade: sedação excessiva, confusão, convulsões, síncope, palpitações.
↺Alternativas
Substituir o fluconazol por um antifúngico que não iniba a CYP2C19, como a anfotericina B (para infecções graves) ou a nistatina (para candidíase oral). Se o tratamento com fluconazol for insubstituível, considerar a troca da clomipramina por um ISRS com menor risco de interação, como sertralina ou citalopram, que não são substratos significativos da CYP2C19.
📚Referências
Flockhart Drug Interactions Table; Micromedex 2024; Lexicomp 2024; Stockley's Drug Interactions 2023
Perguntas Frequentes
Pode tomar Fluconazol com Clomipramina?
A combinação de Fluconazol com Clomipramina apresenta interação de gravidade grave. Aumento significativo nos níveis plasmáticos de clomipramina, levando a prolongamento do intervalo QTc (>500 ms) e risco aumentado de torsades de pointes, especialmente em pacientes com fatores de risco adicionais (sexo feminino, idade avançada, distúrbios eletrolíticos, cardiopatia estrutural). Evitar a associação sempre que possível. Se o uso concomitante for absolutamente necessário: 1) Reduzir a dose de clomipramina em 50-75% antes de iniciar o fluconazol. 2) Ajustar a dose com base no monitoramento terapêutico de fármacos (TDM). 3) Manter níveis séricos de clomipramina + desmetilclomipramina entre 150-300 ng/mL (faixa terapêutica). 4) Corrigir distúrbios eletrolíticos (K+ >4,0 mEq/L, Mg2+ >2,0 mg/dL) antes e durante o tratamento.
Fluconazol e Clomipramina interagem?
Sim, Fluconazol e Clomipramina possuem interação medicamentosa documentada. O mecanismo envolve fluconazol é um inibidor potente da cyp2c19 (ic50 ~0.5-2 μm) e inibidor moderado da cyp3a4. a clomipramina é metabolizada principalmente pela cyp2c19 (n-desmetilação) e cyp1a2 (hidroxilação), com contribuição menor da cyp3a4. a inibição da cyp2c19 pelo fluconazol pode aumentar a auc da clomipramina em 2 a 4 vezes, elevando significativamente os níveis plasmáticos do fármaco e de seu metabólito ativo, desmetilclomipramina, que também é substrato da cyp2d6. o acúmulo de clomipramina está associado a cardiotoxicidade dose-dependente.. A conduta recomendada é: evitar a associação sempre que possível. se o uso concomitante for absolutamente necessário: 1) reduzir a dose de clomipramina em 50-75% antes de iniciar o fluconazol. 2) ajustar a dose com base no monitoramento terapêutico de fármacos (tdm). 3) manter níveis séricos de clomipramina + desmetilclomipramina entre 150-300 ng/ml (faixa terapêutica). 4) corrigir distúrbios eletrolíticos (k+ >4,0 meq/l, mg2+ >2,0 mg/dl) antes e durante o tratamento..
Qual o risco de Fluconazol com Clomipramina?
O risco da associação Fluconazol + Clomipramina é classificado como GRAVE. Aumento significativo nos níveis plasmáticos de clomipramina, levando a prolongamento do intervalo QTc (>500 ms) e risco aumentado de torsades de pointes, especialmente em pacientes com fatores de risco adicionais (sexo feminino, idade avançada, distúrbios eletrolíticos, cardiopatia estrutural). Monitorar: 1) ecg basal e semanal para medir qtc (alvo: <470 ms homens, <480 ms mulheres). 2) nível sérico de clomipramina e desmetilclomipramina no estado de equilíbrio (após 5-7 dias de coadministração). 3) eletrólitos séricos (k+, mg2+, ca2+) no início e a cada 3-5 dias. 4) sinais clínicos de toxicidade: sedação excessiva, confusão, convulsões, síncope, palpitações..
Interações Relacionadas
Interação complexa: 1) A Amiodarona inibe a CYP2D6 e a CYP2C9, enquanto a Fluoxetina é um potente inibidor da CYP2D6 e inibidor moderado da CYP3A4. Esta inibição mútua pode elevar os níveis de ambos os fármacos. 2) Ambos prolongam o intervalo QT por bloqueio dos canais IKr (hERG), resultando em um efeito aditivo significativo na repolarização ventricular.
Interação dupla: 1) A Amiodarona inibe a CYP2D6 e a CYP3A4, enzimas que metabolizam a Sertralina, podendo aumentar seus níveis. A Sertralina, por sua vez, é um inibidor moderado da CYP2D6, o que pode afetar o metabolismo da Amiodarona. 2) Ambos os fármacos bloqueiam os canais IKr (hERG), causando um efeito aditivo no prolongamento do intervalo QTc.
Interação farmacocinética e farmacodinâmica: 1) A Amiodarona inibe a CYP2D6, a principal via de metabolismo da Paroxetina, podendo aumentar seus níveis. A Paroxetina é um potente inibidor da CYP2D6, o que pode reduzir a conversão da Amiodarona em seu metabólito ativo, alterando seu perfil de eficácia e toxicidade. 2) Ambos prolongam o intervalo QT por bloqueio dos canais IKr (hERG), com efeito aditivo.
Amiodarona inibe CYP2D6 e CYP3A4 (reduz conversão de venlafaxina para O-desmetilvenlafaxina), aumentando níveis de venlafaxina em 30-70% e reduzindo metabólito ativo.
Atualizado em junho/2026
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