Escitalopram + Fluoxetina
⚠O que acontece
Síndrome serotoninérgica, variando de leve a potencialmente fatal. Manifestações incluem: alteração do estado mental (agitação, confusão, hipomania), hiperatividade autonômica (taquicardia, hipertensão, hipertermia > 38,5°C, diaforese, midríase) e hiperatividade neuromuscular (tremor, mioclonia, hiperreflexia, clônus espontâneo ou induzível, rigidez muscular). Casos graves podem evoluir para rabdomiólise, acidose metabólica, coagulação intravascular disseminada e falência múltipla de órgãos.
⚙Mecanismo
Ambos são inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS), aumentando a concentração de serotonina na fenda sináptica. O escitalopram inibe o transportador de serotonina (SERT) com alta afinidade (Ki ≈ 1-2 nM), enquanto a fluoxetina tem Ki ≈ 5-10 nM. A combinação resulta em excesso serotoninérgico sinérgico, especialmente nos receptores 5-HT1A e 5-HT2A do tronco cerebral e medula espinhal, desencadeando hiperatividade autonômica e neuromuscular. O risco de síndrome serotoninérgica (SS) é dose-dependente e aumenta com polifarmácia serotoninérgica.
📋Conduta Clinica
Evitar a associação de dois ISRS, pois não há benefício terapêutico adicional e o risco de SS é elevado. Se a troca de um ISRS para outro for necessária, respeitar um período de washout: pelo menos 2 semanas entre fluoxetina e escitalopram (devido à meia-vida longa da fluoxetina e seu metabólito ativo norfluoxetina, t1/2 ≈ 4-16 dias). Em caso de SS: suspender imediatamente ambos os fármacos, iniciar medidas de suporte (resfriamento externo, benzodiazepínicos para sedação e controle de mioclonia – ex.: diazepam 5-10 mg IV a cada 5-10 min até controle). Casos graves com hipertermia > 40°C ou rigidez intensa podem necessitar de intubação, paralisia neuromuscular e ciproheptadina (antagonista 5-HT2A) 12 mg VO/SNG dose inicial, seguida de 2 mg a cada 2 horas até resposta (máx. 32 mg/dia).
🔍O que monitorar
Aplicar os Critérios de Hunter para diagnóstico de SS (clônus espontâneo, clônus induzível + agitação/diaforese, clônus ocular + agitação/diaforese, tremor + hiperreflexia, hipertonia + temperatura > 38°C + clônus ocular/induzível). Monitorar sinais vitais (temperatura retal, FC, PA), nível de consciência, reflexos tendinosos, clônus, mioclonia, rigidez muscular. Exames laboratoriais: CPK, função renal, eletrólitos, gasometria arterial, coagulograma em casos graves.
↺Alternativas
Para potencialização de resposta antidepressiva, considerar combinação com fármacos não serotoninérgicos (ex.: bupropiona, mirtazapina) ou estratégias não farmacológicas. Se houver falha terapêutica, optar por troca para outro ISRS após washout adequado, em vez de associação.
📚Referências
FDA Serotonin Syndrome Alert; UpToDate 2024; Critérios de Hunter (2003); Diretrizes da American Association of Poison Control Centers
Perguntas Frequentes
Pode tomar Escitalopram com Fluoxetina?
A combinação de Escitalopram com Fluoxetina apresenta interação de gravidade grave. Síndrome serotoninérgica, variando de leve a potencialmente fatal. Manifestações incluem: alteração do estado mental (agitação, confusão, hipomania), hiperatividade autonômica (taquicardia, hipertensão, hipertermia > 38,5°C, diaforese, midríase) e hiperatividade neuromuscular (tremor, mioclonia, hiperreflexia, clônus espontâneo ou induzível, rigidez muscular). Casos graves podem evoluir para rabdomiólise, acidose metabólica, coagulação intravascular disseminada e falência múltipla de órgãos. Evitar a associação de dois ISRS, pois não há benefício terapêutico adicional e o risco de SS é elevado. Se a troca de um ISRS para outro for necessária, respeitar um período de washout: pelo menos 2 semanas entre fluoxetina e escitalopram (devido à meia-vida longa da fluoxetina e seu metabólito ativo norfluoxetina, t1/2 ≈ 4-16 dias). Em caso de SS: suspender imediatamente ambos os fármacos, iniciar medidas de suporte (resfriamento externo, benzodiazepínicos para sedação e controle de mioclonia – ex.: diazepam 5-10 mg IV a cada 5-10 min até controle). Casos graves com hipertermia > 40°C ou rigidez intensa podem necessitar de intubação, paralisia neuromuscular e ciproheptadina (antagonista 5-HT2A) 12 mg VO/SNG dose inicial, seguida de 2 mg a cada 2 horas até resposta (máx. 32 mg/dia).
Escitalopram e Fluoxetina interagem?
Sim, Escitalopram e Fluoxetina possuem interação medicamentosa documentada. O mecanismo envolve ambos são inibidores seletivos da recaptação de serotonina (isrs), aumentando a concentração de serotonina na fenda sináptica. o escitalopram inibe o transportador de serotonina (sert) com alta afinidade (ki ≈ 1-2 nm), enquanto a fluoxetina tem ki ≈ 5-10 nm. a combinação resulta em excesso serotoninérgico sinérgico, especialmente nos receptores 5-ht1a e 5-ht2a do tronco cerebral e medula espinhal, desencadeando hiperatividade autonômica e neuromuscular. o risco de síndrome serotoninérgica (ss) é dose-dependente e aumenta com polifarmácia serotoninérgica.. A conduta recomendada é: evitar a associação de dois isrs, pois não há benefício terapêutico adicional e o risco de ss é elevado. se a troca de um isrs para outro for necessária, respeitar um período de washout: pelo menos 2 semanas entre fluoxetina e escitalopram (devido à meia-vida longa da fluoxetina e seu metabólito ativo norfluoxetina, t1/2 ≈ 4-16 dias). em caso de ss: suspender imediatamente ambos os fármacos, iniciar medidas de suporte (resfriamento externo, benzodiazepínicos para sedação e controle de mioclonia – ex.: diazepam 5-10 mg iv a cada 5-10 min até controle). casos graves com hipertermia > 40°c ou rigidez intensa podem necessitar de intubação, paralisia neuromuscular e ciproheptadina (antagonista 5-ht2a) 12 mg vo/sng dose inicial, seguida de 2 mg a cada 2 horas até resposta (máx. 32 mg/dia)..
Qual o risco de Escitalopram com Fluoxetina?
O risco da associação Escitalopram + Fluoxetina é classificado como GRAVE. Síndrome serotoninérgica, variando de leve a potencialmente fatal. Manifestações incluem: alteração do estado mental (agitação, confusão, hipomania), hiperatividade autonômica (taquicardia, hipertensão, hipertermia > 38,5°C, diaforese, midríase) e hiperatividade neuromuscular (tremor, mioclonia, hiperreflexia, clônus espontâneo ou induzível, rigidez muscular). Casos graves podem evoluir para rabdomiólise, acidose metabólica, coagulação intravascular disseminada e falência múltipla de órgãos. Monitorar: aplicar os critérios de hunter para diagnóstico de ss (clônus espontâneo, clônus induzível + agitação/diaforese, clônus ocular + agitação/diaforese, tremor + hiperreflexia, hipertonia + temperatura > 38°c + clônus ocular/induzível). monitorar sinais vitais (temperatura retal, fc, pa), nível de consciência, reflexos tendinosos, clônus, mioclonia, rigidez muscular. exames laboratoriais: cpk, função renal, eletrólitos, gasometria arterial, coagulograma em casos graves..
Interações Relacionadas
Interação complexa: 1) A Amiodarona inibe a CYP2D6 e a CYP2C9, enquanto a Fluoxetina é um potente inibidor da CYP2D6 e inibidor moderado da CYP3A4. Esta inibição mútua pode elevar os níveis de ambos os fármacos. 2) Ambos prolongam o intervalo QT por bloqueio dos canais IKr (hERG), resultando em um efeito aditivo significativo na repolarização ventricular.
Interação dupla: 1) A Amiodarona inibe a CYP2D6 e a CYP3A4, enzimas que metabolizam a Sertralina, podendo aumentar seus níveis. A Sertralina, por sua vez, é um inibidor moderado da CYP2D6, o que pode afetar o metabolismo da Amiodarona. 2) Ambos os fármacos bloqueiam os canais IKr (hERG), causando um efeito aditivo no prolongamento do intervalo QTc.
Interação farmacocinética e farmacodinâmica: 1) A Amiodarona inibe a CYP2D6, a principal via de metabolismo da Paroxetina, podendo aumentar seus níveis. A Paroxetina é um potente inibidor da CYP2D6, o que pode reduzir a conversão da Amiodarona em seu metabólito ativo, alterando seu perfil de eficácia e toxicidade. 2) Ambos prolongam o intervalo QT por bloqueio dos canais IKr (hERG), com efeito aditivo.
Amiodarona inibe CYP2D6 e CYP3A4 (reduz conversão de venlafaxina para O-desmetilvenlafaxina), aumentando níveis de venlafaxina em 30-70% e reduzindo metabólito ativo.
Atualizado em junho/2026
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