Eritromicina + Metadona
⚠O que acontece
Aumento significativo nos níveis séricos de metadona, levando a risco de depressão respiratória, sedação excessiva, arritmias (prolongamento do intervalo QTc) e, em casos graves, coma ou morte.
⚙Mecanismo
Eritromicina é um inibidor moderado da P-glicoproteína (P-gp) intestinal e renal (IC50 ~ 10-50 μM). A metadona é um substrato da P-gp, e sua biodisponibilidade oral e depuração renal dependem parcialmente desse transportador. A inibição da P-gp pela eritromicina reduz o efluxo de metadona nos enterócitos e túbulos renais, aumentando sua absorção e diminuindo sua excreção. Estudos de farmacocinética mostram que a coadministração pode elevar a AUC da metadona em 30-50%, com aumento correspondente na Cmax. A metadona possui índice terapêutico estreito, e pequenas variações nos níveis plasmáticos podem precipitar toxicidade.
📋Conduta Clinica
Evitar a associação sempre que possível. Se o uso concomitante for inevitável: reduzir a dose de metadona em 30-50% no início da terapia com eritromicina. Ajustar a dose com base na resposta clínica e nos níveis séricos. Reajustar a dose de metadona após a descontinuação da eritromicina (washout de ~5 meias-vidas da eritromicina, aproximadamente 2-3 dias).
🔍O que monitorar
Monitorar nível sérico de metadona (vale) semanalmente até estabilização. Avaliar sinais de toxicidade: sedação (escala de Ramsay), frequência respiratória (<12 rpm), oximetria de pulso. Realizar ECG basal e semanal para QTc (manter <500 ms ou Δ <60 ms). Monitorar função renal (creatinina, ureia) e eletrólitos (K+, Mg2+).
↺Alternativas
Substituir a eritromicina por um antibiótico macrolídeo com menor potencial de inibição da P-gp, como azitromicina (não é inibidor significativo da P-gp). Alternativamente, considerar uma classe antibiótica diferente (ex: beta-lactâmicos) se a sensibilidade bacteriana permitir.
📚Referências
UCSF P-gp Table; Micromedex 2024; Estudos de interação fármaco-transportador (ex: Kharasch et al., Clin Pharmacol Ther 2004)
Perguntas Frequentes
Pode tomar Eritromicina com Metadona?
A combinação de Eritromicina com Metadona apresenta interação de gravidade grave. Aumento significativo nos níveis séricos de metadona, levando a risco de depressão respiratória, sedação excessiva, arritmias (prolongamento do intervalo QTc) e, em casos graves, coma ou morte. Evitar a associação sempre que possível. Se o uso concomitante for inevitável: reduzir a dose de metadona em 30-50% no início da terapia com eritromicina. Ajustar a dose com base na resposta clínica e nos níveis séricos. Reajustar a dose de metadona após a descontinuação da eritromicina (washout de ~5 meias-vidas da eritromicina, aproximadamente 2-3 dias).
Eritromicina e Metadona interagem?
Sim, Eritromicina e Metadona possuem interação medicamentosa documentada. O mecanismo envolve eritromicina é um inibidor moderado da p-glicoproteína (p-gp) intestinal e renal (ic50 ~ 10-50 μm). a metadona é um substrato da p-gp, e sua biodisponibilidade oral e depuração renal dependem parcialmente desse transportador. a inibição da p-gp pela eritromicina reduz o efluxo de metadona nos enterócitos e túbulos renais, aumentando sua absorção e diminuindo sua excreção. estudos de farmacocinética mostram que a coadministração pode elevar a auc da metadona em 30-50%, com aumento correspondente na cmax. a metadona possui índice terapêutico estreito, e pequenas variações nos níveis plasmáticos podem precipitar toxicidade.. A conduta recomendada é: evitar a associação sempre que possível. se o uso concomitante for inevitável: reduzir a dose de metadona em 30-50% no início da terapia com eritromicina. ajustar a dose com base na resposta clínica e nos níveis séricos. reajustar a dose de metadona após a descontinuação da eritromicina (washout de ~5 meias-vidas da eritromicina, aproximadamente 2-3 dias)..
Qual o risco de Eritromicina com Metadona?
O risco da associação Eritromicina + Metadona é classificado como GRAVE. Aumento significativo nos níveis séricos de metadona, levando a risco de depressão respiratória, sedação excessiva, arritmias (prolongamento do intervalo QTc) e, em casos graves, coma ou morte. Monitorar: monitorar nível sérico de metadona (vale) semanalmente até estabilização. avaliar sinais de toxicidade: sedação (escala de ramsay), frequência respiratória (<12 rpm), oximetria de pulso. realizar ecg basal e semanal para qtc (manter <500 ms ou δ <60 ms). monitorar função renal (creatinina, ureia) e eletrólitos (k+, mg2+)..
Interações Relacionadas
Amiodarona inibe CYP2D6 (Ki ~3-5 µM) e CYP3A4 (Ki ~10-15 µM), enzimas responsáveis pelo metabolismo do Tramadol (substrato da CYP2D6 para formação do metabólito ativo O-desmetiltramadol, e da CYP3A4 para N-desmetiltramadol). A inibição da CYP2D6 reduz a conversão para o metabólito ativo (efeito analgésico diminuído), enquanto a inibição da CYP3A4 aumenta os níveis de Tramadol inalterado, elevando o risco de efeitos adversos serotoninérgicos e convulsivos.
Amiodarona é inibidor moderado da CYP2D6 (Ki ~3-5 µM), enzima responsável pela conversão da Codeína (pró-fármaco) em seu metabólito ativo, morfina. A inibição da CYP2D6 reduz significativamente a formação de morfina (em 50-80%), resultando em falha terapêutica (analgesia inadequada). Os níveis de Codeína inalterada podem aumentar levemente, mas sem efeito clínico relevante.
Amiodarona é inibidor moderado da glicoproteína-P (P-gp) intestinal e renal (IC50 ~5-10 µM). A Morfina é substrato da P-gp, e sua eliminação biliar e renal depende parcialmente desse transportador. A inibição da P-gp pela Amiodarona reduz a excreção de Morfina, aumentando sua biodisponibilidade oral em 30-50% e reduzindo sua depuração, com aumento da AUC em 1,5-2 vezes. A Morfina tem índice terapêutico estreito.
Amiodarona inibe moderadamente CYP3A4 (redução de clearance ~40-60%, aumento AUC esperado 1,5-2x) e fracamente CYP2D6, enzimas responsáveis pelo metabolismo de oxicodona para noroxicodona (CYP3A4) e oximorfona (CYP2D6).
Atualizado em junho/2026
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