Eritromicina + Clozapina
⚠O que acontece
Aumento significativo dos níveis séricos de clozapina, levando a risco de toxicidade grave: sedação excessiva, convulsões (risco dose-dependente > 600 ng/mL), miocardite, agranulocitose, e prolongamento do QTc com risco de torsades de pointes. Relatos de caso documentam níveis > 2000 ng/mL e eventos adversos sérios com esta combinação.
⚙Mecanismo
Eritromicina inibe moderadamente a CYP3A4 (Ki ~ 10-50 µM) e fracamente a CYP1A2, ambas envolvidas no metabolismo da clozapina (CYP1A2 é a via principal, CYP3A4 contribui com ~20-30%). A inibição combinada pode aumentar a AUC da clozapina em 2-4 vezes, elevando os níveis séricos para faixas tóxicas (> 1000 ng/mL). Além disso, ambos os fármacos prolongam o intervalo QT por bloqueio de canais hERG, com efeito aditivo no risco de arritmias.
📋Conduta Clinica
Evitar a associação. Se indispensável (ex.: infecção grave sem alternativa): 1) Reduzir a dose de clozapina em 50% antes de iniciar eritromicina; 2) Monitorar nível sérico de clozapina (alvo: 350-600 ng/mL) no início, após 3-5 dias e semanalmente; 3) Realizar ECG basal e após 48-72h; 4) Manter K+ > 4,0 mEq/L e Mg2+ > 2,0 mg/dL; 5) Suspender eritromicina se sinais de toxicidade ou QTc > 500 ms.
🔍O que monitorar
Nível sérico de clozapina e norclozapina (pré-dose) no início, após 3-5 dias e semanalmente. ECG com QTc no início e após 48-72h. Hemograma completo semanal (risco de agranulocitose). Sinais vitais, sedação, miocardite (troponina, ecocardiograma se sintomas). Eletrólitos (K+, Mg2+) no início e após 48-72h.
↺Alternativas
Substituir eritromicina por antibiótico sem inibição relevante da CYP1A2/3A4 e sem efeito no QT, como penicilinas, cefalosporinas ou doxiciclina. Se necessário, ajustar clozapina com base em níveis séricos.
📚Referências
Flockhart Drug Interactions Table; Micromedex 2024; Spina E et al. Clin Pharmacokinet. 2000;38(5):393-414; Cohen LG et al. J Clin Psychiatry. 1996;57(2):70-1.
Perguntas Frequentes
Pode tomar Eritromicina com Clozapina?
A combinação de Eritromicina com Clozapina apresenta interação de gravidade grave. Aumento significativo dos níveis séricos de clozapina, levando a risco de toxicidade grave: sedação excessiva, convulsões (risco dose-dependente > 600 ng/mL), miocardite, agranulocitose, e prolongamento do QTc com risco de torsades de pointes. Relatos de caso documentam níveis > 2000 ng/mL e eventos adversos sérios com esta combinação. Evitar a associação. Se indispensável (ex.: infecção grave sem alternativa): 1) Reduzir a dose de clozapina em 50% antes de iniciar eritromicina; 2) Monitorar nível sérico de clozapina (alvo: 350-600 ng/mL) no início, após 3-5 dias e semanalmente; 3) Realizar ECG basal e após 48-72h; 4) Manter K+ > 4,0 mEq/L e Mg2+ > 2,0 mg/dL; 5) Suspender eritromicina se sinais de toxicidade ou QTc > 500 ms.
Eritromicina e Clozapina interagem?
Sim, Eritromicina e Clozapina possuem interação medicamentosa documentada. O mecanismo envolve eritromicina inibe moderadamente a cyp3a4 (ki ~ 10-50 µm) e fracamente a cyp1a2, ambas envolvidas no metabolismo da clozapina (cyp1a2 é a via principal, cyp3a4 contribui com ~20-30%). a inibição combinada pode aumentar a auc da clozapina em 2-4 vezes, elevando os níveis séricos para faixas tóxicas (> 1000 ng/ml). além disso, ambos os fármacos prolongam o intervalo qt por bloqueio de canais herg, com efeito aditivo no risco de arritmias.. A conduta recomendada é: evitar a associação. se indispensável (ex.: infecção grave sem alternativa): 1) reduzir a dose de clozapina em 50% antes de iniciar eritromicina; 2) monitorar nível sérico de clozapina (alvo: 350-600 ng/ml) no início, após 3-5 dias e semanalmente; 3) realizar ecg basal e após 48-72h; 4) manter k+ > 4,0 meq/l e mg2+ > 2,0 mg/dl; 5) suspender eritromicina se sinais de toxicidade ou qtc > 500 ms..
Qual o risco de Eritromicina com Clozapina?
O risco da associação Eritromicina + Clozapina é classificado como GRAVE. Aumento significativo dos níveis séricos de clozapina, levando a risco de toxicidade grave: sedação excessiva, convulsões (risco dose-dependente > 600 ng/mL), miocardite, agranulocitose, e prolongamento do QTc com risco de torsades de pointes. Relatos de caso documentam níveis > 2000 ng/mL e eventos adversos sérios com esta combinação. Monitorar: nível sérico de clozapina e norclozapina (pré-dose) no início, após 3-5 dias e semanalmente. ecg com qtc no início e após 48-72h. hemograma completo semanal (risco de agranulocitose). sinais vitais, sedação, miocardite (troponina, ecocardiograma se sintomas). eletrólitos (k+, mg2+) no início e após 48-72h..
Interações Relacionadas
Interação complexa: 1) A Amiodarona inibe a CYP2D6 e a CYP2C9, enquanto a Fluoxetina é um potente inibidor da CYP2D6 e inibidor moderado da CYP3A4. Esta inibição mútua pode elevar os níveis de ambos os fármacos. 2) Ambos prolongam o intervalo QT por bloqueio dos canais IKr (hERG), resultando em um efeito aditivo significativo na repolarização ventricular.
Interação dupla: 1) A Amiodarona inibe a CYP2D6 e a CYP3A4, enzimas que metabolizam a Sertralina, podendo aumentar seus níveis. A Sertralina, por sua vez, é um inibidor moderado da CYP2D6, o que pode afetar o metabolismo da Amiodarona. 2) Ambos os fármacos bloqueiam os canais IKr (hERG), causando um efeito aditivo no prolongamento do intervalo QTc.
Interação farmacocinética e farmacodinâmica: 1) A Amiodarona inibe a CYP2D6, a principal via de metabolismo da Paroxetina, podendo aumentar seus níveis. A Paroxetina é um potente inibidor da CYP2D6, o que pode reduzir a conversão da Amiodarona em seu metabólito ativo, alterando seu perfil de eficácia e toxicidade. 2) Ambos prolongam o intervalo QT por bloqueio dos canais IKr (hERG), com efeito aditivo.
Amiodarona inibe CYP2D6 e CYP3A4 (reduz conversão de venlafaxina para O-desmetilvenlafaxina), aumentando níveis de venlafaxina em 30-70% e reduzindo metabólito ativo.
Atualizado em junho/2026
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