Efavirenz + Amitriptilina
⚠O que acontece
Aumento significativo dos níveis plasmáticos de Amitriptilina, levando a: 1) Prolongamento do QTc > 500 ms com risco de TdP e morte súbita. 2) Toxicidade anticolinérgica (boca seca, constipação, retenção urinária, taquicardia, confusão, delirium). 3) Sedação excessiva e depressão respiratória. 4) Hipotensão ortostática e quedas. Risco de toxicidade grave mesmo em doses terapêuticas habituais.
⚙Mecanismo
Efavirenz é um inibidor fraco de CYP2C19 (IC50 ~15 μM), mas clinicamente relevante para substratos com alta dependência desta via. Amitriptilina é metabolizada ~40% por CYP2C19 (N-desmetilação para nortriptilina) e ~30% por CYP2D6 (hidroxilação). A inibição de CYP2C19 reduz a depuração da Amitriptilina, aumentando sua AUC em 2-3 vezes e prolongando a meia-vida de 15-25h para 30-40h. Além disso, Efavirenz também inibe fracamente CYP2D6 (IC50 ~20 μM), contribuindo para o acúmulo. O aumento dos níveis de Amitriptilina causa prolongamento do QT (bloqueio de canais hERG e canais de sódio) e toxicidade anticolinérgica.
📋Conduta Clinica
Evitar a associação sempre que possível. Se o uso concomitante for absolutamente necessário: 1) Reduzir a dose de Amitriptilina em 50-75% (ex: de 50 mg para 12.5-25 mg/dia). 2) Iniciar com dose baixa e titular lentamente com base na resposta clínica e níveis séricos. 3) Monitorar nível sérico de Amitriptilina + Nortriptilina (faixa terapêutica: 80-200 ng/mL; tóxico > 500 ng/mL) na linha de base e 1-2 semanas após início. 4) Realizar ECG basal e seriado. 5) Corrigir eletrólitos. 6) Evitar outros fármacos que prolongam QT ou com efeitos anticolinérgicos.
🔍O que monitorar
Nível sérico de Amitriptilina + Nortriptilina (pico: 4-6h após dose) na linha de base e semanalmente até estabilização. ECG com QTc na linha de base e semanalmente. Eletrólitos (K+, Mg2+). Sinais de toxicidade anticolinérgica (escala de delirium, função cognitiva). Resposta clínica (escalas de depressão/dor neuropática).
↺Alternativas
Substituir Amitriptilina por antidepressivo com metabolismo independente de CYP2C19: 1) Nortriptilina (metabolizada principalmente por CYP2D6, mas ainda com risco QT). 2) Sertralina ou Citalopram (menor risco QT, mas monitorar). 3) Gabapentina ou Pregabalina para dor neuropática. Ou substituir Efavirenz por Dolutegravir (sem inibição de CYP2C19).
📚Referências
Flockhart Drug Interactions Table; Micromedex 2024; UpToDate 2024; Relatos de caso: Ogu & Maxa (2000) - interação Efavirenz-Amitriptilina com toxicidade grave.
Perguntas Frequentes
Pode tomar Efavirenz com Amitriptilina?
A combinação de Efavirenz com Amitriptilina apresenta interação de gravidade grave. Aumento significativo dos níveis plasmáticos de Amitriptilina, levando a: 1) Prolongamento do QTc > 500 ms com risco de TdP e morte súbita. 2) Toxicidade anticolinérgica (boca seca, constipação, retenção urinária, taquicardia, confusão, delirium). 3) Sedação excessiva e depressão respiratória. 4) Hipotensão ortostática e quedas. Risco de toxicidade grave mesmo em doses terapêuticas habituais. Evitar a associação sempre que possível. Se o uso concomitante for absolutamente necessário: 1) Reduzir a dose de Amitriptilina em 50-75% (ex: de 50 mg para 12.5-25 mg/dia). 2) Iniciar com dose baixa e titular lentamente com base na resposta clínica e níveis séricos. 3) Monitorar nível sérico de Amitriptilina + Nortriptilina (faixa terapêutica: 80-200 ng/mL; tóxico > 500 ng/mL) na linha de base e 1-2 semanas após início. 4) Realizar ECG basal e seriado. 5) Corrigir eletrólitos. 6) Evitar outros fármacos que prolongam QT ou com efeitos anticolinérgicos.
Efavirenz e Amitriptilina interagem?
Sim, Efavirenz e Amitriptilina possuem interação medicamentosa documentada. O mecanismo envolve efavirenz é um inibidor fraco de cyp2c19 (ic50 ~15 μm), mas clinicamente relevante para substratos com alta dependência desta via. amitriptilina é metabolizada ~40% por cyp2c19 (n-desmetilação para nortriptilina) e ~30% por cyp2d6 (hidroxilação). a inibição de cyp2c19 reduz a depuração da amitriptilina, aumentando sua auc em 2-3 vezes e prolongando a meia-vida de 15-25h para 30-40h. além disso, efavirenz também inibe fracamente cyp2d6 (ic50 ~20 μm), contribuindo para o acúmulo. o aumento dos níveis de amitriptilina causa prolongamento do qt (bloqueio de canais herg e canais de sódio) e toxicidade anticolinérgica.. A conduta recomendada é: evitar a associação sempre que possível. se o uso concomitante for absolutamente necessário: 1) reduzir a dose de amitriptilina em 50-75% (ex: de 50 mg para 12.5-25 mg/dia). 2) iniciar com dose baixa e titular lentamente com base na resposta clínica e níveis séricos. 3) monitorar nível sérico de amitriptilina + nortriptilina (faixa terapêutica: 80-200 ng/ml; tóxico > 500 ng/ml) na linha de base e 1-2 semanas após início. 4) realizar ecg basal e seriado. 5) corrigir eletrólitos. 6) evitar outros fármacos que prolongam qt ou com efeitos anticolinérgicos..
Qual o risco de Efavirenz com Amitriptilina?
O risco da associação Efavirenz + Amitriptilina é classificado como GRAVE. Aumento significativo dos níveis plasmáticos de Amitriptilina, levando a: 1) Prolongamento do QTc > 500 ms com risco de TdP e morte súbita. 2) Toxicidade anticolinérgica (boca seca, constipação, retenção urinária, taquicardia, confusão, delirium). 3) Sedação excessiva e depressão respiratória. 4) Hipotensão ortostática e quedas. Risco de toxicidade grave mesmo em doses terapêuticas habituais. Monitorar: nível sérico de amitriptilina + nortriptilina (pico: 4-6h após dose) na linha de base e semanalmente até estabilização. ecg com qtc na linha de base e semanalmente. eletrólitos (k+, mg2+). sinais de toxicidade anticolinérgica (escala de delirium, função cognitiva). resposta clínica (escalas de depressão/dor neuropática)..
Interações Relacionadas
Interação complexa: 1) A Amiodarona inibe a CYP2D6 e a CYP2C9, enquanto a Fluoxetina é um potente inibidor da CYP2D6 e inibidor moderado da CYP3A4. Esta inibição mútua pode elevar os níveis de ambos os fármacos. 2) Ambos prolongam o intervalo QT por bloqueio dos canais IKr (hERG), resultando em um efeito aditivo significativo na repolarização ventricular.
Interação dupla: 1) A Amiodarona inibe a CYP2D6 e a CYP3A4, enzimas que metabolizam a Sertralina, podendo aumentar seus níveis. A Sertralina, por sua vez, é um inibidor moderado da CYP2D6, o que pode afetar o metabolismo da Amiodarona. 2) Ambos os fármacos bloqueiam os canais IKr (hERG), causando um efeito aditivo no prolongamento do intervalo QTc.
Interação farmacocinética e farmacodinâmica: 1) A Amiodarona inibe a CYP2D6, a principal via de metabolismo da Paroxetina, podendo aumentar seus níveis. A Paroxetina é um potente inibidor da CYP2D6, o que pode reduzir a conversão da Amiodarona em seu metabólito ativo, alterando seu perfil de eficácia e toxicidade. 2) Ambos prolongam o intervalo QT por bloqueio dos canais IKr (hERG), com efeito aditivo.
Amiodarona inibe CYP2D6 e CYP3A4 (reduz conversão de venlafaxina para O-desmetilvenlafaxina), aumentando níveis de venlafaxina em 30-70% e reduzindo metabólito ativo.
Atualizado em junho/2026
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