Clomipramina + Nortriptilina
⚠O que acontece
Risco teórico de síndrome serotoninérgica, mas baixo na prática devido à baixa atividade serotoninérgica da nortriptilina. Efeitos anticolinérgicos aditivos (boca seca, constipação, retenção urinária, taquicardia) e risco de cardiotoxicidade (prolongamento QT) são mais preocupantes.
⚙Mecanismo
A clomipramina é um potente inibidor da recaptação de serotonina (SERT) (Ki ~0.14 nM), enquanto a nortriptilina é um inibidor seletivo da recaptação de noradrenalina (NET) com afinidade muito baixa por SERT (Ki ~150 nM). Portanto, a nortriptilina isoladamente não aumenta significativamente a serotonina sináptica. No entanto, a clomipramina é metabolizada pela CYP2D6 em desmetilclomipramina, que é um inibidor de NET. A nortriptilina também é substrato da CYP2D6. A competição pela CYP2D6 pode aumentar os níveis de ambos os fármacos, mas o efeito é modesto. O principal risco serotoninérgico vem da clomipramina isoladamente, e a adição de nortriptilina não aumenta significativamente esse risco. A síndrome serotoninérgica é improvável com esta combinação, a menos que a clomipramina esteja em doses altas. A interação é mais relevante pelo risco de cardiotoxicidade e efeitos anticolinérgicos aditivos.
📋Conduta Clinica
A combinação pode ser usada com cautela em depressão refratária sob supervisão especializada. Iniciar com doses baixas (clomipramina 25 mg/dia, nortriptilina 25 mg/dia) e titular lentamente. Monitorar níveis séricos de nortriptilina (alvo: 50-150 ng/mL) e clomipramina (alvo: 150-300 ng/mL). Suspender se surgirem sinais de síndrome serotoninérgica, mas estar ciente de que é improvável.
🔍O que monitorar
Avaliar critérios de Hunter, mas com baixo limiar para outras causas de agitação/confusão (ex.: efeitos anticolinérgicos). Monitorar temperatura, FC, PA, reflexos. ECG basal e após ajustes. Dosar níveis plasmáticos de ambos os fármacos.
↺Alternativas
Para depressão refratária, considerar combinação de clomipramina com bupropiona ou mirtazapina, que têm menor risco serotoninérgico e cardiotóxico.
📚Referências
FDA Serotonin Syndrome Alert; UpToDate 2024; Gillman PK. Tricyclic antidepressant pharmacology and therapeutic drug interactions. Br J Pharmacol. 2007;151(6):737-748.
Perguntas Frequentes
Pode tomar Clomipramina com Nortriptilina?
A combinação de Clomipramina com Nortriptilina apresenta interação de gravidade grave. Risco teórico de síndrome serotoninérgica, mas baixo na prática devido à baixa atividade serotoninérgica da nortriptilina. Efeitos anticolinérgicos aditivos (boca seca, constipação, retenção urinária, taquicardia) e risco de cardiotoxicidade (prolongamento QT) são mais preocupantes. A combinação pode ser usada com cautela em depressão refratária sob supervisão especializada. Iniciar com doses baixas (clomipramina 25 mg/dia, nortriptilina 25 mg/dia) e titular lentamente. Monitorar níveis séricos de nortriptilina (alvo: 50-150 ng/mL) e clomipramina (alvo: 150-300 ng/mL). Suspender se surgirem sinais de síndrome serotoninérgica, mas estar ciente de que é improvável.
Clomipramina e Nortriptilina interagem?
Sim, Clomipramina e Nortriptilina possuem interação medicamentosa documentada. O mecanismo envolve a clomipramina é um potente inibidor da recaptação de serotonina (sert) (ki ~0.14 nm), enquanto a nortriptilina é um inibidor seletivo da recaptação de noradrenalina (net) com afinidade muito baixa por sert (ki ~150 nm). portanto, a nortriptilina isoladamente não aumenta significativamente a serotonina sináptica. no entanto, a clomipramina é metabolizada pela cyp2d6 em desmetilclomipramina, que é um inibidor de net. a nortriptilina também é substrato da cyp2d6. a competição pela cyp2d6 pode aumentar os níveis de ambos os fármacos, mas o efeito é modesto. o principal risco serotoninérgico vem da clomipramina isoladamente, e a adição de nortriptilina não aumenta significativamente esse risco. a síndrome serotoninérgica é improvável com esta combinação, a menos que a clomipramina esteja em doses altas. a interação é mais relevante pelo risco de cardiotoxicidade e efeitos anticolinérgicos aditivos.. A conduta recomendada é: a combinação pode ser usada com cautela em depressão refratária sob supervisão especializada. iniciar com doses baixas (clomipramina 25 mg/dia, nortriptilina 25 mg/dia) e titular lentamente. monitorar níveis séricos de nortriptilina (alvo: 50-150 ng/ml) e clomipramina (alvo: 150-300 ng/ml). suspender se surgirem sinais de síndrome serotoninérgica, mas estar ciente de que é improvável..
Qual o risco de Clomipramina com Nortriptilina?
O risco da associação Clomipramina + Nortriptilina é classificado como GRAVE. Risco teórico de síndrome serotoninérgica, mas baixo na prática devido à baixa atividade serotoninérgica da nortriptilina. Efeitos anticolinérgicos aditivos (boca seca, constipação, retenção urinária, taquicardia) e risco de cardiotoxicidade (prolongamento QT) são mais preocupantes. Monitorar: avaliar critérios de hunter, mas com baixo limiar para outras causas de agitação/confusão (ex.: efeitos anticolinérgicos). monitorar temperatura, fc, pa, reflexos. ecg basal e após ajustes. dosar níveis plasmáticos de ambos os fármacos..
Interações Relacionadas
Interação complexa: 1) A Amiodarona inibe a CYP2D6 e a CYP2C9, enquanto a Fluoxetina é um potente inibidor da CYP2D6 e inibidor moderado da CYP3A4. Esta inibição mútua pode elevar os níveis de ambos os fármacos. 2) Ambos prolongam o intervalo QT por bloqueio dos canais IKr (hERG), resultando em um efeito aditivo significativo na repolarização ventricular.
Interação dupla: 1) A Amiodarona inibe a CYP2D6 e a CYP3A4, enzimas que metabolizam a Sertralina, podendo aumentar seus níveis. A Sertralina, por sua vez, é um inibidor moderado da CYP2D6, o que pode afetar o metabolismo da Amiodarona. 2) Ambos os fármacos bloqueiam os canais IKr (hERG), causando um efeito aditivo no prolongamento do intervalo QTc.
Interação farmacocinética e farmacodinâmica: 1) A Amiodarona inibe a CYP2D6, a principal via de metabolismo da Paroxetina, podendo aumentar seus níveis. A Paroxetina é um potente inibidor da CYP2D6, o que pode reduzir a conversão da Amiodarona em seu metabólito ativo, alterando seu perfil de eficácia e toxicidade. 2) Ambos prolongam o intervalo QT por bloqueio dos canais IKr (hERG), com efeito aditivo.
Amiodarona inibe CYP2D6 e CYP3A4 (reduz conversão de venlafaxina para O-desmetilvenlafaxina), aumentando níveis de venlafaxina em 30-70% e reduzindo metabólito ativo.
Atualizado em junho/2026
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