Claritromicina + Clozapina
⚠O que acontece
Aumento significativo nos níveis plasmáticos de clozapina (relatos de aumento de 2 a 3 vezes), com risco de toxicidade grave: convulsões (risco dose-dependente >500 ng/mL), sedação excessiva, sialorreia, hipotensão ortostática e prolongamento do intervalo QTc. Há relatos de casos de torsades de pointes com a combinação.
⚙Mecanismo
Claritromicina é um inibidor potente do CYP3A4 (IC50 ~0.5-2 μM) e também inibe a glicoproteína-P (P-gp). A clozapina é metabolizada principalmente por CYP1A2 e CYP3A4, com contribuição menor de CYP2C19 e CYP2D6. A inibição do CYP3A4 pela claritromicina reduz significativamente a depuração da clozapina, podendo aumentar sua AUC em 2 a 3 vezes. Além disso, a inibição da P-gp pode aumentar a absorção intestinal e reduzir a eliminação biliar da clozapina. O metabólito norclozapina também é afetado, alterando a relação clozapina/norclozapina.
📋Conduta Clinica
Evitar a associação sempre que possível. Se o uso concomitante for indispensável (ex.: pneumonia por micobactéria atípica em paciente com esquizofrenia refratária): 1) Reduzir a dose de clozapina em 50% no início do tratamento com claritromicina. 2) Monitorar nível sérico de clozapina (alvo: 350-600 ng/mL) antes de iniciar claritromicina, após 3-5 dias e semanalmente até estabilização. 3) Ajustar dose de clozapina conforme nível sérico e resposta clínica. 4) Após suspensão da claritromicina, aumentar gradualmente a clozapina (monitorando níveis) para evitar recaída psicótica.
🔍O que monitorar
Nível sérico de clozapina e norclozapina (basal, dia 3-5, semanal até estabilidade); ECG com QTc (basal e após 3-5 dias); hemograma completo (risco de agranulocitose independente, mas toxicidade pode mimetizar); eletrólitos (K+, Mg2+); sinais de toxicidade: sedação, mioclonias, convulsões, sialorreia; resposta clínica psiquiátrica.
↺Alternativas
Substituir claritromicina por azitromicina (não inibe CYP3A4 significativamente) ou outro antibiótico não inibidor (ex.: levofloxacino, se sensibilidade permitir). Se necessário antifúngico azólico, preferir fluconazol (inibidor fraco de CYP3A4) a cetoconazol ou itraconazol.
📚Referências
Flockhart Drug Interactions Table; Micromedex 2024; Relatos de caso: Brown et al. 2001, J Clin Psychopharmacol; Meyer et al. 2000, J Clin Psychiatry
Perguntas Frequentes
Pode tomar Claritromicina com Clozapina?
A combinação de Claritromicina com Clozapina apresenta interação de gravidade grave. Aumento significativo nos níveis plasmáticos de clozapina (relatos de aumento de 2 a 3 vezes), com risco de toxicidade grave: convulsões (risco dose-dependente >500 ng/mL), sedação excessiva, sialorreia, hipotensão ortostática e prolongamento do intervalo QTc. Há relatos de casos de torsades de pointes com a combinação. Evitar a associação sempre que possível. Se o uso concomitante for indispensável (ex.: pneumonia por micobactéria atípica em paciente com esquizofrenia refratária): 1) Reduzir a dose de clozapina em 50% no início do tratamento com claritromicina. 2) Monitorar nível sérico de clozapina (alvo: 350-600 ng/mL) antes de iniciar claritromicina, após 3-5 dias e semanalmente até estabilização. 3) Ajustar dose de clozapina conforme nível sérico e resposta clínica. 4) Após suspensão da claritromicina, aumentar gradualmente a clozapina (monitorando níveis) para evitar recaída psicótica.
Claritromicina e Clozapina interagem?
Sim, Claritromicina e Clozapina possuem interação medicamentosa documentada. O mecanismo envolve claritromicina é um inibidor potente do cyp3a4 (ic50 ~0.5-2 μm) e também inibe a glicoproteína-p (p-gp). a clozapina é metabolizada principalmente por cyp1a2 e cyp3a4, com contribuição menor de cyp2c19 e cyp2d6. a inibição do cyp3a4 pela claritromicina reduz significativamente a depuração da clozapina, podendo aumentar sua auc em 2 a 3 vezes. além disso, a inibição da p-gp pode aumentar a absorção intestinal e reduzir a eliminação biliar da clozapina. o metabólito norclozapina também é afetado, alterando a relação clozapina/norclozapina.. A conduta recomendada é: evitar a associação sempre que possível. se o uso concomitante for indispensável (ex.: pneumonia por micobactéria atípica em paciente com esquizofrenia refratária): 1) reduzir a dose de clozapina em 50% no início do tratamento com claritromicina. 2) monitorar nível sérico de clozapina (alvo: 350-600 ng/ml) antes de iniciar claritromicina, após 3-5 dias e semanalmente até estabilização. 3) ajustar dose de clozapina conforme nível sérico e resposta clínica. 4) após suspensão da claritromicina, aumentar gradualmente a clozapina (monitorando níveis) para evitar recaída psicótica..
Qual o risco de Claritromicina com Clozapina?
O risco da associação Claritromicina + Clozapina é classificado como GRAVE. Aumento significativo nos níveis plasmáticos de clozapina (relatos de aumento de 2 a 3 vezes), com risco de toxicidade grave: convulsões (risco dose-dependente >500 ng/mL), sedação excessiva, sialorreia, hipotensão ortostática e prolongamento do intervalo QTc. Há relatos de casos de torsades de pointes com a combinação. Monitorar: nível sérico de clozapina e norclozapina (basal, dia 3-5, semanal até estabilidade); ecg com qtc (basal e após 3-5 dias); hemograma completo (risco de agranulocitose independente, mas toxicidade pode mimetizar); eletrólitos (k+, mg2+); sinais de toxicidade: sedação, mioclonias, convulsões, sialorreia; resposta clínica psiquiátrica..
Interações Relacionadas
Interação complexa: 1) A Amiodarona inibe a CYP2D6 e a CYP2C9, enquanto a Fluoxetina é um potente inibidor da CYP2D6 e inibidor moderado da CYP3A4. Esta inibição mútua pode elevar os níveis de ambos os fármacos. 2) Ambos prolongam o intervalo QT por bloqueio dos canais IKr (hERG), resultando em um efeito aditivo significativo na repolarização ventricular.
Interação dupla: 1) A Amiodarona inibe a CYP2D6 e a CYP3A4, enzimas que metabolizam a Sertralina, podendo aumentar seus níveis. A Sertralina, por sua vez, é um inibidor moderado da CYP2D6, o que pode afetar o metabolismo da Amiodarona. 2) Ambos os fármacos bloqueiam os canais IKr (hERG), causando um efeito aditivo no prolongamento do intervalo QTc.
Interação farmacocinética e farmacodinâmica: 1) A Amiodarona inibe a CYP2D6, a principal via de metabolismo da Paroxetina, podendo aumentar seus níveis. A Paroxetina é um potente inibidor da CYP2D6, o que pode reduzir a conversão da Amiodarona em seu metabólito ativo, alterando seu perfil de eficácia e toxicidade. 2) Ambos prolongam o intervalo QT por bloqueio dos canais IKr (hERG), com efeito aditivo.
Amiodarona inibe CYP2D6 e CYP3A4 (reduz conversão de venlafaxina para O-desmetilvenlafaxina), aumentando níveis de venlafaxina em 30-70% e reduzindo metabólito ativo.
Atualizado em junho/2026
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