Cisaprida + Clomipramina
⚠O que acontece
Síndrome serotoninérgica: agitação, mioclonia, hipertermia (>38.5°C), diaforese, tremor, taquicardia, clônus ocular/induzível, rigidez muscular, delirium. Pode evoluir para rabdomiólise, acidose metabólica e falência renal.
⚙Mecanismo
Cisaprida é um agonista parcial do receptor 5-HT4 e pode aumentar a liberação de serotonina entérica, enquanto a clomipramina é um inibidor potente da recaptação de serotonina (ISRS) com Ki de ~0.14 nM para SERT. A combinação resulta em excesso serotoninérgico sináptico, especialmente em nível central e entérico. A magnitude do efeito é dose-dependente e pode ser exacerbada por polimorfismos do CYP2D6 (metabolizador lento da clomipramina).
📋Conduta Clinica
Evitar associação. Se inevitável, iniciar com doses mínimas (ex: clomipramina 25 mg/dia, cisaprida 5 mg 3x/dia) e titular lentamente com intervalo ≥2 semanas. Suspender imediatamente se surgirem sintomas. Em casos graves, administrar ciproeptadina 12 mg VO (dose inicial) e repetir 2 mg a cada 2h até resposta, ou benzodiazepínicos (lorazepam 2 mg IV) para controle de agitação. Internação se hipertermia ou instabilidade autonômica.
🔍O que monitorar
Aplicar Critérios de Hunter a cada consulta: clônus espontâneo, ocular ou induzível, agitação, diaforese, hipertermia, tremor, hiperreflexia. Monitorar temperatura axilar, FC, PA, saturação O2. Em caso de suspeita, solicitar CK total, função renal, eletrólitos e gasometria arterial.
↺Alternativas
Substituir cisaprida por prucaloprida (agonista 5-HT4 seletivo, sem ação central significativa) ou domperidona (ação periférica, sem efeito serotoninérgico central). Para clomipramina, considerar nortriptilina (menor inibição de SERT) ou bupropiona (sem ação serotoninérgica).
📚Referências
FDA Serotonin Syndrome Alert; UpToDate 2024; Boyer EW, Shannon M. N Engl J Med 2005;352:1112-20.
Perguntas Frequentes
Pode tomar Cisaprida com Clomipramina?
A combinação de Cisaprida com Clomipramina apresenta interação de gravidade grave. Síndrome serotoninérgica: agitação, mioclonia, hipertermia (>38.5°C), diaforese, tremor, taquicardia, clônus ocular/induzível, rigidez muscular, delirium. Pode evoluir para rabdomiólise, acidose metabólica e falência renal. Evitar associação. Se inevitável, iniciar com doses mínimas (ex: clomipramina 25 mg/dia, cisaprida 5 mg 3x/dia) e titular lentamente com intervalo ≥2 semanas. Suspender imediatamente se surgirem sintomas. Em casos graves, administrar ciproeptadina 12 mg VO (dose inicial) e repetir 2 mg a cada 2h até resposta, ou benzodiazepínicos (lorazepam 2 mg IV) para controle de agitação. Internação se hipertermia ou instabilidade autonômica.
Cisaprida e Clomipramina interagem?
Sim, Cisaprida e Clomipramina possuem interação medicamentosa documentada. O mecanismo envolve cisaprida é um agonista parcial do receptor 5-ht4 e pode aumentar a liberação de serotonina entérica, enquanto a clomipramina é um inibidor potente da recaptação de serotonina (isrs) com ki de ~0.14 nm para sert. a combinação resulta em excesso serotoninérgico sináptico, especialmente em nível central e entérico. a magnitude do efeito é dose-dependente e pode ser exacerbada por polimorfismos do cyp2d6 (metabolizador lento da clomipramina).. A conduta recomendada é: evitar associação. se inevitável, iniciar com doses mínimas (ex: clomipramina 25 mg/dia, cisaprida 5 mg 3x/dia) e titular lentamente com intervalo ≥2 semanas. suspender imediatamente se surgirem sintomas. em casos graves, administrar ciproeptadina 12 mg vo (dose inicial) e repetir 2 mg a cada 2h até resposta, ou benzodiazepínicos (lorazepam 2 mg iv) para controle de agitação. internação se hipertermia ou instabilidade autonômica..
Qual o risco de Cisaprida com Clomipramina?
O risco da associação Cisaprida + Clomipramina é classificado como GRAVE. Síndrome serotoninérgica: agitação, mioclonia, hipertermia (>38.5°C), diaforese, tremor, taquicardia, clônus ocular/induzível, rigidez muscular, delirium. Pode evoluir para rabdomiólise, acidose metabólica e falência renal. Monitorar: aplicar critérios de hunter a cada consulta: clônus espontâneo, ocular ou induzível, agitação, diaforese, hipertermia, tremor, hiperreflexia. monitorar temperatura axilar, fc, pa, saturação o2. em caso de suspeita, solicitar ck total, função renal, eletrólitos e gasometria arterial..
Interações Relacionadas
Interação complexa: 1) A Amiodarona inibe a CYP2D6 e a CYP2C9, enquanto a Fluoxetina é um potente inibidor da CYP2D6 e inibidor moderado da CYP3A4. Esta inibição mútua pode elevar os níveis de ambos os fármacos. 2) Ambos prolongam o intervalo QT por bloqueio dos canais IKr (hERG), resultando em um efeito aditivo significativo na repolarização ventricular.
Interação dupla: 1) A Amiodarona inibe a CYP2D6 e a CYP3A4, enzimas que metabolizam a Sertralina, podendo aumentar seus níveis. A Sertralina, por sua vez, é um inibidor moderado da CYP2D6, o que pode afetar o metabolismo da Amiodarona. 2) Ambos os fármacos bloqueiam os canais IKr (hERG), causando um efeito aditivo no prolongamento do intervalo QTc.
Interação farmacocinética e farmacodinâmica: 1) A Amiodarona inibe a CYP2D6, a principal via de metabolismo da Paroxetina, podendo aumentar seus níveis. A Paroxetina é um potente inibidor da CYP2D6, o que pode reduzir a conversão da Amiodarona em seu metabólito ativo, alterando seu perfil de eficácia e toxicidade. 2) Ambos prolongam o intervalo QT por bloqueio dos canais IKr (hERG), com efeito aditivo.
Amiodarona inibe CYP2D6 e CYP3A4 (reduz conversão de venlafaxina para O-desmetilvenlafaxina), aumentando níveis de venlafaxina em 30-70% e reduzindo metabólito ativo.
Atualizado em junho/2026
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