Ciprofloxacino + Clomipramina
⚠O que acontece
Aumento significativo dos níveis de Clomipramina com risco de prolongamento QTc > 500 ms, torsades de pointes, convulsões (risco dose-dependente, maior com níveis > 500 ng/mL) e síndrome serotoninérgica.
⚙Mecanismo
Ciprofloxacino é inibidor moderado a potente da CYP1A2. Clomipramina é metabolizada por CYP1A2 (principal), CYP2C19, CYP2D6 e CYP3A4 a desmetilclomipramina (ativo). A inibição da CYP1A2 pode aumentar a AUC da Clomipramina em 2-4 vezes, elevando o risco de cardiotoxicidade (prolongamento QTc, arritmias), convulsões e toxicidade serotoninérgica. Clomipramina é 'risco condicional de TdP' (CredibleMeds).
📋Conduta Clinica
Evitar a associação. Se indispensável: reduzir dose de Clomipramina em 50-75% (dose máxima 75-100 mg/dia). Monitorar nível sérico de Clomipramina + Desmetilclomipramina (faixa terapêutica: 150-300 ng/mL; tóxico > 500 ng/mL). ECG basal e após 3-5 dias. Manter K+ ≥ 4,0 mEq/L, Mg2+ ≥ 2,0 mg/dL. Suspender se QTc > 500 ms ou convulsões.
🔍O que monitorar
Nível sérico de Clomipramina/Desmetilclomipramina basal e após 5-7 dias do início do Ciprofloxacino. ECG com QTc basal e após 3-5 dias. Eletrólitos basais. Monitorar sinais de toxicidade: mioclonias, hiperreflexia, agitação, taquicardia, hipertermia (síndrome serotoninérgica).
↺Alternativas
Substituir Ciprofloxacino por antibiótico não inibidor de CYP1A2 (ex: Sulfametoxazol/Trimetoprima, Amoxicilina/Clavulanato). Se Clomipramina for para TOC, considerar Sertralina ou Fluoxetina (inibidor CYP2D6, mas menor interação com CYP1A2).
📚Referências
Flockhart Drug Interactions Table 2024; Micromedex 2024; UpToDate 2024; Clin Pharmacol Ther. 1996;60(3):295-302; Clomipramina bula (FDA)
Perguntas Frequentes
Pode tomar Ciprofloxacino com Clomipramina?
A combinação de Ciprofloxacino com Clomipramina apresenta interação de gravidade grave. Aumento significativo dos níveis de Clomipramina com risco de prolongamento QTc > 500 ms, torsades de pointes, convulsões (risco dose-dependente, maior com níveis > 500 ng/mL) e síndrome serotoninérgica. Evitar a associação. Se indispensável: reduzir dose de Clomipramina em 50-75% (dose máxima 75-100 mg/dia). Monitorar nível sérico de Clomipramina + Desmetilclomipramina (faixa terapêutica: 150-300 ng/mL; tóxico > 500 ng/mL). ECG basal e após 3-5 dias. Manter K+ ≥ 4,0 mEq/L, Mg2+ ≥ 2,0 mg/dL. Suspender se QTc > 500 ms ou convulsões.
Ciprofloxacino e Clomipramina interagem?
Sim, Ciprofloxacino e Clomipramina possuem interação medicamentosa documentada. O mecanismo envolve ciprofloxacino é inibidor moderado a potente da cyp1a2. clomipramina é metabolizada por cyp1a2 (principal), cyp2c19, cyp2d6 e cyp3a4 a desmetilclomipramina (ativo). a inibição da cyp1a2 pode aumentar a auc da clomipramina em 2-4 vezes, elevando o risco de cardiotoxicidade (prolongamento qtc, arritmias), convulsões e toxicidade serotoninérgica. clomipramina é 'risco condicional de tdp' (crediblemeds).. A conduta recomendada é: evitar a associação. se indispensável: reduzir dose de clomipramina em 50-75% (dose máxima 75-100 mg/dia). monitorar nível sérico de clomipramina + desmetilclomipramina (faixa terapêutica: 150-300 ng/ml; tóxico > 500 ng/ml). ecg basal e após 3-5 dias. manter k+ ≥ 4,0 meq/l, mg2+ ≥ 2,0 mg/dl. suspender se qtc > 500 ms ou convulsões..
Qual o risco de Ciprofloxacino com Clomipramina?
O risco da associação Ciprofloxacino + Clomipramina é classificado como GRAVE. Aumento significativo dos níveis de Clomipramina com risco de prolongamento QTc > 500 ms, torsades de pointes, convulsões (risco dose-dependente, maior com níveis > 500 ng/mL) e síndrome serotoninérgica. Monitorar: nível sérico de clomipramina/desmetilclomipramina basal e após 5-7 dias do início do ciprofloxacino. ecg com qtc basal e após 3-5 dias. eletrólitos basais. monitorar sinais de toxicidade: mioclonias, hiperreflexia, agitação, taquicardia, hipertermia (síndrome serotoninérgica)..
Interações Relacionadas
Interação complexa: 1) A Amiodarona inibe a CYP2D6 e a CYP2C9, enquanto a Fluoxetina é um potente inibidor da CYP2D6 e inibidor moderado da CYP3A4. Esta inibição mútua pode elevar os níveis de ambos os fármacos. 2) Ambos prolongam o intervalo QT por bloqueio dos canais IKr (hERG), resultando em um efeito aditivo significativo na repolarização ventricular.
Interação dupla: 1) A Amiodarona inibe a CYP2D6 e a CYP3A4, enzimas que metabolizam a Sertralina, podendo aumentar seus níveis. A Sertralina, por sua vez, é um inibidor moderado da CYP2D6, o que pode afetar o metabolismo da Amiodarona. 2) Ambos os fármacos bloqueiam os canais IKr (hERG), causando um efeito aditivo no prolongamento do intervalo QTc.
Interação farmacocinética e farmacodinâmica: 1) A Amiodarona inibe a CYP2D6, a principal via de metabolismo da Paroxetina, podendo aumentar seus níveis. A Paroxetina é um potente inibidor da CYP2D6, o que pode reduzir a conversão da Amiodarona em seu metabólito ativo, alterando seu perfil de eficácia e toxicidade. 2) Ambos prolongam o intervalo QT por bloqueio dos canais IKr (hERG), com efeito aditivo.
Amiodarona inibe CYP2D6 e CYP3A4 (reduz conversão de venlafaxina para O-desmetilvenlafaxina), aumentando níveis de venlafaxina em 30-70% e reduzindo metabólito ativo.
Atualizado em junho/2026
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