Cetoconazol + Escitalopram
⚠O que acontece
Aumento da exposição ao escitalopram, levando a prolongamento do QTc (risco de TdP em altas concentrações), além de exacerbação de efeitos serotoninérgicos (náusea, diarreia, insônia) e risco de síndrome serotoninérgica se associado a outros serotoninérgicos. O risco de TdP é inferior ao da interação puramente aditiva de QT, mas clinicamente relevante em pacientes suscetíveis.
⚙Mecanismo
Cetoconazol é inibidor potente da CYP3A4 (IC50 ~0,02 μM) e inibidor moderado da CYP2C19 (IC50 ~1-10 μM). Escitalopram é metabolizado principalmente pela CYP2C19 (via principal, formando S-desmetilcitalopram) e, em menor extensão, pela CYP3A4 e CYP2D6. A inibição da CYP2C19 pelo cetoconazol pode aumentar a AUC do escitalopram em aproximadamente 50-100%, com aumento proporcional no risco de prolongamento QTc dose-dependente. A contribuição da CYP3A4 é secundária, mas a inibição combinada pode exacerbar o efeito.
📋Conduta Clinica
Monitorar resposta clínica e efeitos adversos. Considerar redução da dose de escitalopram em 50% se houver intolerância. Evitar doses >10 mg/dia de escitalopram. Se ambos forem necessários, realizar ECG basal e após 1-2 semanas. Corrigir eletrólitos. Preferir alternativa antifúngica com menor potencial inibitório (ex.: terbinafina para onicomicose, se indicada) ou ISRS com menor dependência de CYP2C19 (ex.: sertralina, que é metabolizada por múltiplas vias).
🔍O que monitorar
ECG com QTc basal e após 1-2 semanas de uso concomitante. Monitorar K+ e Mg2+. Avaliar sinais de toxicidade serotoninérgica (agitação, taquicardia, hipertermia, clônus).
↺Alternativas
Substituir cetoconazol por antifúngico não inibidor da CYP2C19 (ex.: terbinafina, se indicada) ou escitalopram por sertralina (menor interação).
📚Referências
Flockhart Drug Interactions Table; Micromedex 2024; Stanford CYP450 Drug Interactions; Lexicomp 2024
Perguntas Frequentes
Pode tomar Cetoconazol com Escitalopram?
A combinação de Cetoconazol com Escitalopram apresenta interação de gravidade moderada. Aumento da exposição ao escitalopram, levando a prolongamento do QTc (risco de TdP em altas concentrações), além de exacerbação de efeitos serotoninérgicos (náusea, diarreia, insônia) e risco de síndrome serotoninérgica se associado a outros serotoninérgicos. O risco de TdP é inferior ao da interação puramente aditiva de QT, mas clinicamente relevante em pacientes suscetíveis. Monitorar resposta clínica e efeitos adversos. Considerar redução da dose de escitalopram em 50% se houver intolerância. Evitar doses >10 mg/dia de escitalopram. Se ambos forem necessários, realizar ECG basal e após 1-2 semanas. Corrigir eletrólitos. Preferir alternativa antifúngica com menor potencial inibitório (ex.: terbinafina para onicomicose, se indicada) ou ISRS com menor dependência de CYP2C19 (ex.: sertralina, que é metabolizada por múltiplas vias).
Cetoconazol e Escitalopram interagem?
Sim, Cetoconazol e Escitalopram possuem interação medicamentosa documentada. O mecanismo envolve cetoconazol é inibidor potente da cyp3a4 (ic50 ~0,02 μm) e inibidor moderado da cyp2c19 (ic50 ~1-10 μm). escitalopram é metabolizado principalmente pela cyp2c19 (via principal, formando s-desmetilcitalopram) e, em menor extensão, pela cyp3a4 e cyp2d6. a inibição da cyp2c19 pelo cetoconazol pode aumentar a auc do escitalopram em aproximadamente 50-100%, com aumento proporcional no risco de prolongamento qtc dose-dependente. a contribuição da cyp3a4 é secundária, mas a inibição combinada pode exacerbar o efeito.. A conduta recomendada é: monitorar resposta clínica e efeitos adversos. considerar redução da dose de escitalopram em 50% se houver intolerância. evitar doses >10 mg/dia de escitalopram. se ambos forem necessários, realizar ecg basal e após 1-2 semanas. corrigir eletrólitos. preferir alternativa antifúngica com menor potencial inibitório (ex.: terbinafina para onicomicose, se indicada) ou isrs com menor dependência de cyp2c19 (ex.: sertralina, que é metabolizada por múltiplas vias)..
Qual o risco de Cetoconazol com Escitalopram?
O risco da associação Cetoconazol + Escitalopram é classificado como MODERADA. Aumento da exposição ao escitalopram, levando a prolongamento do QTc (risco de TdP em altas concentrações), além de exacerbação de efeitos serotoninérgicos (náusea, diarreia, insônia) e risco de síndrome serotoninérgica se associado a outros serotoninérgicos. O risco de TdP é inferior ao da interação puramente aditiva de QT, mas clinicamente relevante em pacientes suscetíveis. Monitorar: ecg com qtc basal e após 1-2 semanas de uso concomitante. monitorar k+ e mg2+. avaliar sinais de toxicidade serotoninérgica (agitação, taquicardia, hipertermia, clônus)..
Interações Relacionadas
Interação complexa: 1) A Amiodarona inibe a CYP2D6 e a CYP2C9, enquanto a Fluoxetina é um potente inibidor da CYP2D6 e inibidor moderado da CYP3A4. Esta inibição mútua pode elevar os níveis de ambos os fármacos. 2) Ambos prolongam o intervalo QT por bloqueio dos canais IKr (hERG), resultando em um efeito aditivo significativo na repolarização ventricular.
Interação dupla: 1) A Amiodarona inibe a CYP2D6 e a CYP3A4, enzimas que metabolizam a Sertralina, podendo aumentar seus níveis. A Sertralina, por sua vez, é um inibidor moderado da CYP2D6, o que pode afetar o metabolismo da Amiodarona. 2) Ambos os fármacos bloqueiam os canais IKr (hERG), causando um efeito aditivo no prolongamento do intervalo QTc.
Interação farmacocinética e farmacodinâmica: 1) A Amiodarona inibe a CYP2D6, a principal via de metabolismo da Paroxetina, podendo aumentar seus níveis. A Paroxetina é um potente inibidor da CYP2D6, o que pode reduzir a conversão da Amiodarona em seu metabólito ativo, alterando seu perfil de eficácia e toxicidade. 2) Ambos prolongam o intervalo QT por bloqueio dos canais IKr (hERG), com efeito aditivo.
Amiodarona inibe CYP2D6 e CYP3A4 (reduz conversão de venlafaxina para O-desmetilvenlafaxina), aumentando níveis de venlafaxina em 30-70% e reduzindo metabólito ativo.
Atualizado em junho/2026
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