Celecoxibe + Tramadol
⚠O que acontece
Em metabolizadores extensos: redução da analgesia, necessitando de doses mais altas de tramadol, o que pode aumentar efeitos adversos (náusea, tontura, risco de convulsões). Em metabolizadores lentos (10% da população): pouco impacto adicional. O risco de síndrome serotoninérgica é baixo, mas possível se combinado com outros serotoninérgicos. Não há prolongamento QTc significativo com tramadol em doses terapêuticas.
⚙Mecanismo
Celecoxibe é um inibidor moderado da CYP2D6 (IC50 ~5-10 μM). Tramadol é um pró-fármaco metabolizado pela CYP2D6 em O-desmetiltramadol (metabólito ativo com afinidade 200 vezes maior pelo receptor μ-opioide). A inibição da CYP2D6 reduz a conversão, podendo diminuir a eficácia analgésica em até 30-50% em metabolizadores extensos. Paradoxalmente, os níveis plasmáticos de tramadol (composto inalterado) podem aumentar, elevando o risco de efeitos adversos serotoninérgicos e convulsivos (tramadol inibe a recaptação de serotonina e noradrenalina). A magnitude do efeito depende do genótipo CYP2D6 do paciente.
📋Conduta Clinica
A associação pode ser usada com cautela. Monitorar a resposta analgésica: se houver falha terapêutica, considerar aumentar a dose de tramadol em 25-50% ou trocar para um opioide não dependente de CYP2D6 (ex.: morfina, hidromorfona, oxicodona). Se houver efeitos adversos serotoninérgicos, reduzir a dose de tramadol ou suspender. Evitar em pacientes com histórico de convulsões ou em uso de outros fármacos que reduzem o limiar convulsivo.
🔍O que monitorar
Avaliar escala de dor (ex.: EVA) antes e após 1-2 semanas de coadministração; monitorar sinais de toxicidade serotoninérgica (agitação, taquicardia, hipertermia, clônus) e efeitos adversos comuns (náusea, tontura, constipação); não é necessário monitoramento de níveis séricos de tramadol rotineiramente.
↺Alternativas
Se a analgesia for inadequada, substituir tramadol por opioide não metabolizado por CYP2D6 (ex.: morfina, hidromorfona) ou por analgésico não opioide (ex.: paracetamol, dipirona). Se o celecoxibe for o problema, trocar por AINE não inibidor da CYP2D6 (ex.: naproxeno, ibuprofeno) ou por analgésico não AINE.
📚Referências
Flockhart Drug Interactions Table; Micromedex 2024; UpToDate 2024; Stockley's Drug Interactions 2024; FDA Label: Tramadol
Perguntas Frequentes
Pode tomar Celecoxibe com Tramadol?
A combinação de Celecoxibe com Tramadol apresenta interação de gravidade moderada. Em metabolizadores extensos: redução da analgesia, necessitando de doses mais altas de tramadol, o que pode aumentar efeitos adversos (náusea, tontura, risco de convulsões). Em metabolizadores lentos (10% da população): pouco impacto adicional. O risco de síndrome serotoninérgica é baixo, mas possível se combinado com outros serotoninérgicos. Não há prolongamento QTc significativo com tramadol em doses terapêuticas. A associação pode ser usada com cautela. Monitorar a resposta analgésica: se houver falha terapêutica, considerar aumentar a dose de tramadol em 25-50% ou trocar para um opioide não dependente de CYP2D6 (ex.: morfina, hidromorfona, oxicodona). Se houver efeitos adversos serotoninérgicos, reduzir a dose de tramadol ou suspender. Evitar em pacientes com histórico de convulsões ou em uso de outros fármacos que reduzem o limiar convulsivo.
Celecoxibe e Tramadol interagem?
Sim, Celecoxibe e Tramadol possuem interação medicamentosa documentada. O mecanismo envolve celecoxibe é um inibidor moderado da cyp2d6 (ic50 ~5-10 μm). tramadol é um pró-fármaco metabolizado pela cyp2d6 em o-desmetiltramadol (metabólito ativo com afinidade 200 vezes maior pelo receptor μ-opioide). a inibição da cyp2d6 reduz a conversão, podendo diminuir a eficácia analgésica em até 30-50% em metabolizadores extensos. paradoxalmente, os níveis plasmáticos de tramadol (composto inalterado) podem aumentar, elevando o risco de efeitos adversos serotoninérgicos e convulsivos (tramadol inibe a recaptação de serotonina e noradrenalina). a magnitude do efeito depende do genótipo cyp2d6 do paciente.. A conduta recomendada é: a associação pode ser usada com cautela. monitorar a resposta analgésica: se houver falha terapêutica, considerar aumentar a dose de tramadol em 25-50% ou trocar para um opioide não dependente de cyp2d6 (ex.: morfina, hidromorfona, oxicodona). se houver efeitos adversos serotoninérgicos, reduzir a dose de tramadol ou suspender. evitar em pacientes com histórico de convulsões ou em uso de outros fármacos que reduzem o limiar convulsivo..
Qual o risco de Celecoxibe com Tramadol?
O risco da associação Celecoxibe + Tramadol é classificado como MODERADA. Em metabolizadores extensos: redução da analgesia, necessitando de doses mais altas de tramadol, o que pode aumentar efeitos adversos (náusea, tontura, risco de convulsões). Em metabolizadores lentos (10% da população): pouco impacto adicional. O risco de síndrome serotoninérgica é baixo, mas possível se combinado com outros serotoninérgicos. Não há prolongamento QTc significativo com tramadol em doses terapêuticas. Monitorar: avaliar escala de dor (ex.: eva) antes e após 1-2 semanas de coadministração; monitorar sinais de toxicidade serotoninérgica (agitação, taquicardia, hipertermia, clônus) e efeitos adversos comuns (náusea, tontura, constipação); não é necessário monitoramento de níveis séricos de tramadol rotineiramente..
Interações Relacionadas
Amiodarona inibe CYP2D6 (Ki ~3-5 µM) e CYP3A4 (Ki ~10-15 µM), enzimas responsáveis pelo metabolismo do Tramadol (substrato da CYP2D6 para formação do metabólito ativo O-desmetiltramadol, e da CYP3A4 para N-desmetiltramadol). A inibição da CYP2D6 reduz a conversão para o metabólito ativo (efeito analgésico diminuído), enquanto a inibição da CYP3A4 aumenta os níveis de Tramadol inalterado, elevando o risco de efeitos adversos serotoninérgicos e convulsivos.
Amiodarona é inibidor moderado da CYP2D6 (Ki ~3-5 µM), enzima responsável pela conversão da Codeína (pró-fármaco) em seu metabólito ativo, morfina. A inibição da CYP2D6 reduz significativamente a formação de morfina (em 50-80%), resultando em falha terapêutica (analgesia inadequada). Os níveis de Codeína inalterada podem aumentar levemente, mas sem efeito clínico relevante.
Amiodarona é inibidor moderado da glicoproteína-P (P-gp) intestinal e renal (IC50 ~5-10 µM). A Morfina é substrato da P-gp, e sua eliminação biliar e renal depende parcialmente desse transportador. A inibição da P-gp pela Amiodarona reduz a excreção de Morfina, aumentando sua biodisponibilidade oral em 30-50% e reduzindo sua depuração, com aumento da AUC em 1,5-2 vezes. A Morfina tem índice terapêutico estreito.
Amiodarona inibe moderadamente CYP3A4 (redução de clearance ~40-60%, aumento AUC esperado 1,5-2x) e fracamente CYP2D6, enzimas responsáveis pelo metabolismo de oxicodona para noroxicodona (CYP3A4) e oximorfona (CYP2D6).
Atualizado em junho/2026
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