Carbamazepina + Metadona

GraveRisco elevado — pode causar dano significativo ao paciente
Validada por motor farmacologico

O que acontece

Perda da eficácia terapêutica, síndrome de abstinência intensa (escala COWS >13), desejo intenso por opioides (craving), risco de recaída e overdose por uso de opioides ilícitos. Em dor crônica, falha analgésica.

Mecanismo

A carbamazepina é um indutor potente de múltiplas enzimas do citocromo P450: CYP3A4 (principal via de metabolismo da metadona para EDDP, inativo), CYP2B6 (via significativa, especialmente em indivíduos com polimorfismos) e CYP2C19 (via menor). A indução máxima ocorre em 2-4 semanas. Estudos clínicos e relatos de caso demonstram redução da AUC da metadona em 40-60%, aumento da depuração em 2-3 vezes e diminuição da meia-vida de 24-36h para 12-18h. Isso resulta em falha terapêutica em programas de manutenção de opioides e risco de síndrome de abstinência grave. A interação é crítica devido ao estreito índice terapêutico da metadona e ao risco de recaída em pacientes com transtorno por uso de opioides.

📋Conduta Clinica

Evitar a associação. Se inevitável, aumentar a dose de metadona em 50-100% e dividir a dose diária em duas tomadas (ex.: de 80 mg 1x/dia para 60 mg 2x/dia) para compensar a meia-vida reduzida. Titular a cada 3-5 dias conforme resposta clínica e escala de abstinência. Ao descontinuar a carbamazepina, reduzir a dose de metadona em 50% imediatamente e continuar reduzindo 10-20% a cada 3-4 dias por 2-3 semanas para evitar acúmulo e toxicidade (QTc prolongado, depressão respiratória).

🔍O que monitorar

Avaliar escala COWS a cada 8-12h durante ajuste de dose. Realizar ECG basal e semanalmente (QTc <500 ms). Dosar nível sérico de metadona (vale) se disponível (alvo: 400-600 ng/mL para manutenção). Monitorar FR e sedação a cada 4h. Testes toxicológicos de urina semanais para detectar uso de opioides ilícitos.

Alternativas

Para transtorno por uso de opioides, considerar buprenorfina/naloxona, que tem metabolismo por CYP3A4 mas com menor impacto clínico devido ao efeito teto. Para dor, preferir morfina ou hidromorfona. Se anticonvulsivante for necessário, usar lamotrigina, levetiracetam ou ácido valproico (este último inibe CYP2C9 e 2C19, podendo aumentar metadona, exigindo ajuste inverso).

📚Referências

Flockhart Drug Interactions Table; UpToDate 2024; Lexicomp 2024; Micromedex 2024; J Addict Med 2017;11(3):211-217

Perguntas Frequentes

Pode tomar Carbamazepina com Metadona?

A combinação de Carbamazepina com Metadona apresenta interação de gravidade grave. Perda da eficácia terapêutica, síndrome de abstinência intensa (escala COWS >13), desejo intenso por opioides (craving), risco de recaída e overdose por uso de opioides ilícitos. Em dor crônica, falha analgésica. Evitar a associação. Se inevitável, aumentar a dose de metadona em 50-100% e dividir a dose diária em duas tomadas (ex.: de 80 mg 1x/dia para 60 mg 2x/dia) para compensar a meia-vida reduzida. Titular a cada 3-5 dias conforme resposta clínica e escala de abstinência. Ao descontinuar a carbamazepina, reduzir a dose de metadona em 50% imediatamente e continuar reduzindo 10-20% a cada 3-4 dias por 2-3 semanas para evitar acúmulo e toxicidade (QTc prolongado, depressão respiratória).

Carbamazepina e Metadona interagem?

Sim, Carbamazepina e Metadona possuem interação medicamentosa documentada. O mecanismo envolve a carbamazepina é um indutor potente de múltiplas enzimas do citocromo p450: cyp3a4 (principal via de metabolismo da metadona para eddp, inativo), cyp2b6 (via significativa, especialmente em indivíduos com polimorfismos) e cyp2c19 (via menor). a indução máxima ocorre em 2-4 semanas. estudos clínicos e relatos de caso demonstram redução da auc da metadona em 40-60%, aumento da depuração em 2-3 vezes e diminuição da meia-vida de 24-36h para 12-18h. isso resulta em falha terapêutica em programas de manutenção de opioides e risco de síndrome de abstinência grave. a interação é crítica devido ao estreito índice terapêutico da metadona e ao risco de recaída em pacientes com transtorno por uso de opioides.. A conduta recomendada é: evitar a associação. se inevitável, aumentar a dose de metadona em 50-100% e dividir a dose diária em duas tomadas (ex.: de 80 mg 1x/dia para 60 mg 2x/dia) para compensar a meia-vida reduzida. titular a cada 3-5 dias conforme resposta clínica e escala de abstinência. ao descontinuar a carbamazepina, reduzir a dose de metadona em 50% imediatamente e continuar reduzindo 10-20% a cada 3-4 dias por 2-3 semanas para evitar acúmulo e toxicidade (qtc prolongado, depressão respiratória)..

Qual o risco de Carbamazepina com Metadona?

O risco da associação Carbamazepina + Metadona é classificado como GRAVE. Perda da eficácia terapêutica, síndrome de abstinência intensa (escala COWS >13), desejo intenso por opioides (craving), risco de recaída e overdose por uso de opioides ilícitos. Em dor crônica, falha analgésica. Monitorar: avaliar escala cows a cada 8-12h durante ajuste de dose. realizar ecg basal e semanalmente (qtc <500 ms). dosar nível sérico de metadona (vale) se disponível (alvo: 400-600 ng/ml para manutenção). monitorar fr e sedação a cada 4h. testes toxicológicos de urina semanais para detectar uso de opioides ilícitos..

Interações Relacionadas

Amiodarona + Tramadol

Amiodarona inibe CYP2D6 (Ki ~3-5 µM) e CYP3A4 (Ki ~10-15 µM), enzimas responsáveis pelo metabolismo do Tramadol (substrato da CYP2D6 para formação do metabólito ativo O-desmetiltramadol, e da CYP3A4 para N-desmetiltramadol). A inibição da CYP2D6 reduz a conversão para o metabólito ativo (efeito analgésico diminuído), enquanto a inibição da CYP3A4 aumenta os níveis de Tramadol inalterado, elevando o risco de efeitos adversos serotoninérgicos e convulsivos.

Moderada
Amiodarona + Codeína

Amiodarona é inibidor moderado da CYP2D6 (Ki ~3-5 µM), enzima responsável pela conversão da Codeína (pró-fármaco) em seu metabólito ativo, morfina. A inibição da CYP2D6 reduz significativamente a formação de morfina (em 50-80%), resultando em falha terapêutica (analgesia inadequada). Os níveis de Codeína inalterada podem aumentar levemente, mas sem efeito clínico relevante.

Moderada
Amiodarona + Morfina

Amiodarona é inibidor moderado da glicoproteína-P (P-gp) intestinal e renal (IC50 ~5-10 µM). A Morfina é substrato da P-gp, e sua eliminação biliar e renal depende parcialmente desse transportador. A inibição da P-gp pela Amiodarona reduz a excreção de Morfina, aumentando sua biodisponibilidade oral em 30-50% e reduzindo sua depuração, com aumento da AUC em 1,5-2 vezes. A Morfina tem índice terapêutico estreito.

Grave
Amiodarona + Oxicodona

Amiodarona inibe moderadamente CYP3A4 (redução de clearance ~40-60%, aumento AUC esperado 1,5-2x) e fracamente CYP2D6, enzimas responsáveis pelo metabolismo de oxicodona para noroxicodona (CYP3A4) e oximorfona (CYP2D6).

Moderada

Atualizado em junho/2026

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