Amitriptilina + Linezolida
⚠O que acontece
Síndrome serotoninérgica: agitação, confusão, mioclonia, hiperreflexia, clônus espontâneo ou induzido, tremor, diaforese, hipertermia (>38°C), taquicardia, hipertensão lábil, midríase, diarreia. Casos graves podem evoluir para rabdomiólise, acidose metabólica, convulsões e coagulação intravascular disseminada.
⚙Mecanismo
Risco de síndrome serotoninérgica por mecanismos aditivos. Amitriptilina: inibe a recaptação de serotonina (SERT) com Ki ~100 nM, aumentando a serotonina sináptica. Linezolida: inibe a monoamina oxidase (MAO) de forma reversível e não seletiva (IMAO), reduzindo a degradação de serotonina. A combinação pode levar a acúmulo excessivo de serotonina nas sinapses do SNC e periférico. O risco é maior com doses altas de amitriptilina (>75 mg/dia) e em pacientes com polimorfismos genéticos que reduzem a atividade da MAO ou do CYP2D6.
📋Conduta Clinica
Evitar a associação sempre que possível. Se indispensável (ex: infecção por MRSA sem alternativa): 1) Reduzir amitriptilina para a menor dose eficaz (máximo 25-50 mg/dia); 2) Monitorar rigorosamente sinais de síndrome serotoninérgica usando os Critérios de Hunter (clônus espontâneo, induzido ou ocular + agitação/diaforese/hipertonia/hipertermia); 3) Suspender ambos imediatamente ao primeiro sinal de toxicidade serotoninérgica; 4) Tratamento de suporte: benzodiazepínicos (lorazepam 1-2 mg IV) para agitação e mioclonia, resfriamento externo para hipertermia, e ciproeptadina (antagonista 5-HT2A) 12 mg VO/SNG dose inicial, seguida de 2 mg a cada 2 horas se necessário (máximo 32 mg/dia) em casos moderados a graves.
🔍O que monitorar
Avaliar sinais vitais (temperatura, FC, PA) a cada 4-6 horas. Exame neurológico focado: reflexos tendinosos, clônus (espontâneo, induzido, ocular), tônus muscular, nível de consciência. Em casos suspeitos, solicitar CK total, função renal e gasometria arterial. Em ambiente hospitalar, manter o paciente em unidade com monitorização contínua se houver fatores de risco.
↺Alternativas
Para infecções por MRSA: substituir linezolida por vancomicina, daptomicina ou ceftarolina (sem ação serotoninérgica). Para amitriptilina: considerar substituir por nortriptilina (menor inibição de SERT) ou usar analgésicos não serotoninérgicos (gabapentina, pregabalina, carbamazepina) para dor neuropática. Se antidepressivo for necessário, optar por bupropiona (sem ação serotoninérgica significativa).
📚Referências
FDA Serotonin Syndrome Alert; UpToDate 2024; Boyer EW, Shannon M. N Engl J Med. 2005;352(11):1112-1120; Hunter Serotonin Toxicity Criteria.
Perguntas Frequentes
Pode tomar Amitriptilina com Linezolida?
A combinação de Amitriptilina com Linezolida apresenta interação de gravidade grave. Síndrome serotoninérgica: agitação, confusão, mioclonia, hiperreflexia, clônus espontâneo ou induzido, tremor, diaforese, hipertermia (>38°C), taquicardia, hipertensão lábil, midríase, diarreia. Casos graves podem evoluir para rabdomiólise, acidose metabólica, convulsões e coagulação intravascular disseminada. Evitar a associação sempre que possível. Se indispensável (ex: infecção por MRSA sem alternativa): 1) Reduzir amitriptilina para a menor dose eficaz (máximo 25-50 mg/dia); 2) Monitorar rigorosamente sinais de síndrome serotoninérgica usando os Critérios de Hunter (clônus espontâneo, induzido ou ocular + agitação/diaforese/hipertonia/hipertermia); 3) Suspender ambos imediatamente ao primeiro sinal de toxicidade serotoninérgica; 4) Tratamento de suporte: benzodiazepínicos (lorazepam 1-2 mg IV) para agitação e mioclonia, resfriamento externo para hipertermia, e ciproeptadina (antagonista 5-HT2A) 12 mg VO/SNG dose inicial, seguida de 2 mg a cada 2 horas se necessário (máximo 32 mg/dia) em casos moderados a graves.
Amitriptilina e Linezolida interagem?
Sim, Amitriptilina e Linezolida possuem interação medicamentosa documentada. O mecanismo envolve risco de síndrome serotoninérgica por mecanismos aditivos. amitriptilina: inibe a recaptação de serotonina (sert) com ki ~100 nm, aumentando a serotonina sináptica. linezolida: inibe a monoamina oxidase (mao) de forma reversível e não seletiva (imao), reduzindo a degradação de serotonina. a combinação pode levar a acúmulo excessivo de serotonina nas sinapses do snc e periférico. o risco é maior com doses altas de amitriptilina (>75 mg/dia) e em pacientes com polimorfismos genéticos que reduzem a atividade da mao ou do cyp2d6.. A conduta recomendada é: evitar a associação sempre que possível. se indispensável (ex: infecção por mrsa sem alternativa): 1) reduzir amitriptilina para a menor dose eficaz (máximo 25-50 mg/dia); 2) monitorar rigorosamente sinais de síndrome serotoninérgica usando os critérios de hunter (clônus espontâneo, induzido ou ocular + agitação/diaforese/hipertonia/hipertermia); 3) suspender ambos imediatamente ao primeiro sinal de toxicidade serotoninérgica; 4) tratamento de suporte: benzodiazepínicos (lorazepam 1-2 mg iv) para agitação e mioclonia, resfriamento externo para hipertermia, e ciproeptadina (antagonista 5-ht2a) 12 mg vo/sng dose inicial, seguida de 2 mg a cada 2 horas se necessário (máximo 32 mg/dia) em casos moderados a graves..
Qual o risco de Amitriptilina com Linezolida?
O risco da associação Amitriptilina + Linezolida é classificado como GRAVE. Síndrome serotoninérgica: agitação, confusão, mioclonia, hiperreflexia, clônus espontâneo ou induzido, tremor, diaforese, hipertermia (>38°C), taquicardia, hipertensão lábil, midríase, diarreia. Casos graves podem evoluir para rabdomiólise, acidose metabólica, convulsões e coagulação intravascular disseminada. Monitorar: avaliar sinais vitais (temperatura, fc, pa) a cada 4-6 horas. exame neurológico focado: reflexos tendinosos, clônus (espontâneo, induzido, ocular), tônus muscular, nível de consciência. em casos suspeitos, solicitar ck total, função renal e gasometria arterial. em ambiente hospitalar, manter o paciente em unidade com monitorização contínua se houver fatores de risco..
Interações Relacionadas
Interação complexa: 1) A Amiodarona inibe a CYP2D6 e a CYP2C9, enquanto a Fluoxetina é um potente inibidor da CYP2D6 e inibidor moderado da CYP3A4. Esta inibição mútua pode elevar os níveis de ambos os fármacos. 2) Ambos prolongam o intervalo QT por bloqueio dos canais IKr (hERG), resultando em um efeito aditivo significativo na repolarização ventricular.
Interação dupla: 1) A Amiodarona inibe a CYP2D6 e a CYP3A4, enzimas que metabolizam a Sertralina, podendo aumentar seus níveis. A Sertralina, por sua vez, é um inibidor moderado da CYP2D6, o que pode afetar o metabolismo da Amiodarona. 2) Ambos os fármacos bloqueiam os canais IKr (hERG), causando um efeito aditivo no prolongamento do intervalo QTc.
Interação farmacocinética e farmacodinâmica: 1) A Amiodarona inibe a CYP2D6, a principal via de metabolismo da Paroxetina, podendo aumentar seus níveis. A Paroxetina é um potente inibidor da CYP2D6, o que pode reduzir a conversão da Amiodarona em seu metabólito ativo, alterando seu perfil de eficácia e toxicidade. 2) Ambos prolongam o intervalo QT por bloqueio dos canais IKr (hERG), com efeito aditivo.
Amiodarona inibe CYP2D6 e CYP3A4 (reduz conversão de venlafaxina para O-desmetilvenlafaxina), aumentando níveis de venlafaxina em 30-70% e reduzindo metabólito ativo.
Atualizado em junho/2026
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