Verapamil + Tacrolimus
⚠O que acontece
Aumento maciço nos níveis de tacrolimus (3-7x) com risco de nefrotoxicidade aguda, neurotoxicidade (tremor, convulsões, leucoencefalopatia posterior reversível), hipercalemia, hiperglicemia e prolongamento QTc >500ms com risco de torsades de pointes. Mortalidade associada em casos de toxicidade grave não reconhecida.
⚙Mecanismo
Verapamil é inibidor potente da CYP3A4 (principal via metabólica do tacrolimus) e P-gp intestinal. Estudos in vivo mostram aumento de 3-7x na AUC do tacrolimus com redução do clearance em 50-70%. Tacrolimus tem índice terapêutico extremamente estreito (alvo 5-15 ng/mL). Adicionalmente, ambos prolongam intervalo QTc por mecanismos aditivos (bloqueio de canais hERG).
📋Conduta Clinica
EVITAR associação. Se absolutamente indispensável: reduzir tacrolimus em 60-75% no momento de iniciar verapamil. Dose inicial sugerida: 0,02-0,04 mg/kg/dia (dose usual 0,1-0,2 mg/kg/dia). Monitorar nível sérico em 48h e ajustar para alvo de 5-8 ng/mL inicialmente. Realizar ECG basal e em 48-72h.
🔍O que monitorar
Nível sérico de tacrolimus (C0) em 48h, 72h e semanalmente por 1 mês; creatinina sérica diária na primeira semana; ECG com QTc basal e em 48-72h (suspender se QTc >500ms ou aumento >60ms); potássio e glicemia a cada 48h; avaliação neurológica para tremor, cefaleia, alterações visuais.
↺Alternativas
Substituir verapamil por anlodipino (sem interação significativa com tacrolimus) ou anti-hipertensivo não inibidor de CYP3A4. Se necessário BCC não-diidropiridínico, diltiazem tem interação moderada (reduzir tacrolimus 40-50%).
📚Referências
Flockhart Drug Interactions Table; Micromedex 2024; UCSF P-gp Table; American Journal of Transplantation 2020
Perguntas Frequentes
Pode tomar Verapamil com Tacrolimus?
A combinação de Verapamil com Tacrolimus apresenta interação de gravidade grave. Aumento maciço nos níveis de tacrolimus (3-7x) com risco de nefrotoxicidade aguda, neurotoxicidade (tremor, convulsões, leucoencefalopatia posterior reversível), hipercalemia, hiperglicemia e prolongamento QTc >500ms com risco de torsades de pointes. Mortalidade associada em casos de toxicidade grave não reconhecida. EVITAR associação. Se absolutamente indispensável: reduzir tacrolimus em 60-75% no momento de iniciar verapamil. Dose inicial sugerida: 0,02-0,04 mg/kg/dia (dose usual 0,1-0,2 mg/kg/dia). Monitorar nível sérico em 48h e ajustar para alvo de 5-8 ng/mL inicialmente. Realizar ECG basal e em 48-72h.
Verapamil e Tacrolimus interagem?
Sim, Verapamil e Tacrolimus possuem interação medicamentosa documentada. O mecanismo envolve verapamil é inibidor potente da cyp3a4 (principal via metabólica do tacrolimus) e p-gp intestinal. estudos in vivo mostram aumento de 3-7x na auc do tacrolimus com redução do clearance em 50-70%. tacrolimus tem índice terapêutico extremamente estreito (alvo 5-15 ng/ml). adicionalmente, ambos prolongam intervalo qtc por mecanismos aditivos (bloqueio de canais herg).. A conduta recomendada é: evitar associação. se absolutamente indispensável: reduzir tacrolimus em 60-75% no momento de iniciar verapamil. dose inicial sugerida: 0,02-0,04 mg/kg/dia (dose usual 0,1-0,2 mg/kg/dia). monitorar nível sérico em 48h e ajustar para alvo de 5-8 ng/ml inicialmente. realizar ecg basal e em 48-72h..
Qual o risco de Verapamil com Tacrolimus?
O risco da associação Verapamil + Tacrolimus é classificado como GRAVE. Aumento maciço nos níveis de tacrolimus (3-7x) com risco de nefrotoxicidade aguda, neurotoxicidade (tremor, convulsões, leucoencefalopatia posterior reversível), hipercalemia, hiperglicemia e prolongamento QTc >500ms com risco de torsades de pointes. Mortalidade associada em casos de toxicidade grave não reconhecida. Monitorar: nível sérico de tacrolimus (c0) em 48h, 72h e semanalmente por 1 mês; creatinina sérica diária na primeira semana; ecg com qtc basal e em 48-72h (suspender se qtc >500ms ou aumento >60ms); potássio e glicemia a cada 48h; avaliação neurológica para tremor, cefaleia, alterações visuais..
Interações Relacionadas
Amiodarona é inibidor moderado da CYP3A4 (Ki ~5 µM) e da P-glicoproteína (P-gp). A Ciclosporina é substrato de ambas, com metabolismo hepático >90% via CYP3A4 e transporte intestinal/renal via P-gp. A inibição dupla reduz a depuração em 50-70%, aumentando a AUC da ciclosporina em 2-4x. O índice terapêutico estreito (faixa alvo: 100-400 ng/mL) torna o risco de nefrotoxicidade e neurotoxicidade clinicamente significativo.
Amiodarona inibe a P-glicoproteína (P-gp) intestinal e renal (IC50 ~8 µM), reduzindo a eliminação de Ciclosporina. A P-gp é responsável por 30-40% da excreção biliar e renal da ciclosporina. A inibição aumenta a biodisponibilidade oral em 50-80% e reduz a depuração sistêmica em 20-30%, resultando em aumento líquido de 2-3x na AUC. Este mecanismo é aditivo à inibição da CYP3A4, potencializando o risco de toxicidade.
Amiodarona inibe moderadamente a CYP3A4 (Ki ~5 µM), enzima responsável por >95% do metabolismo do Tacrolimus. A inibição reduz a depuração hepática em 60-80%, aumentando a AUC do tacrolimus em 3-5x. O tacrolimus tem índice terapêutico estreito (5-15 ng/mL) e é substrato de alta afinidade pela CYP3A4, tornando a interação clinicamente perigosa. Adicionalmente, ambos prolongam o intervalo QTc, com risco aditivo de arritmias ventriculares.
Amiodarona inibe a P-glicoproteína (P-gp) intestinal e renal (IC50 ~8 µM), reduzindo a eliminação de Tacrolimus. A P-gp contribui com 20-30% da excreção biliar e renal do tacrolimus. A inibição aumenta a biodisponibilidade oral em 40-60% e reduz a depuração sistêmica em 15-25%, resultando em aumento líquido de 2-3x na AUC. Este mecanismo é aditivo à inibição da CYP3A4, amplificando o risco de toxicidade. Polimorfismos no gene ABCB1 podem exacerbar a interação.
Atualizado em junho/2026
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