Ritonavir + Vincristina
⚠O que acontece
Aumento da AUC da vincristina em 50-100%, com risco de neurotoxicidade (neuropatia periférica, íleo paralítico, convulsões), mielossupressão (neutropenia, trombocitopenia) e SIADH (secreção inapropriada de ADH). Relatos de caso documentam toxicidade grave com associação de antirretrovirais inibidores de protease e vincristina.
⚙Mecanismo
Ritonavir é inibidor potente da glicoproteína-P (P-gp) (IC50 ~0.5 μM) e da CYP3A4 (IC50 ~0.1 μM). Vincristina é substrato de ambas as vias: a P-gp medeia seu efluxo intestinal, renal e na barreira hematoencefálica; a CYP3A4 é responsável por seu metabolismo hepático. A inibição dupla pelo ritonavir reduz significativamente a eliminação e aumenta a exposição sistêmica e tecidual da vincristina. A vincristina tem índice terapêutico estreito, e pequenos aumentos na exposição podem causar neurotoxicidade grave e mielossupressão.
📋Conduta Clinica
Evitar associação sempre que possível. Se indispensável e após avaliação oncológica: reduzir dose de vincristina em 50% (dose máxima 1.4 mg/m², arredondar para 1 mg em adultos). Monitorar rigorosamente neurotoxicidade e hematotoxicidade. Considerar profilaxia para constipação intestinal (laxativos).
🔍O que monitorar
Hemograma completo basal e semanal. Exame neurológico focado (parestesias, reflexos tendinosos, força muscular, função autonômica) antes de cada dose. Função renal e eletrólitos (sódio sérico para SIADH). Níveis séricos de vincristina não são rotineiros, mas podem ser considerados em casos de toxicidade.
↺Alternativas
Substituir ritonavir por antirretroviral sem inibição de P-gp/CYP3A4 (ex: dolutegravir, bictegravir, maraviroque). Se a vincristina for essencial, avaliar outro alcaloide da vinca com menor dependência de P-gp (ex: vinblastina, vimblastina) ou outro agente quimioterápico conforme protocolo.
📚Referências
UCSF P-gp Table; Micromedex 2024; Lexicomp 2024; Relatos de caso: Cingolani et al. 2000; Makinson et al. 2010
Perguntas Frequentes
Pode tomar Ritonavir com Vincristina?
A combinação de Ritonavir com Vincristina apresenta interação de gravidade grave. Aumento da AUC da vincristina em 50-100%, com risco de neurotoxicidade (neuropatia periférica, íleo paralítico, convulsões), mielossupressão (neutropenia, trombocitopenia) e SIADH (secreção inapropriada de ADH). Relatos de caso documentam toxicidade grave com associação de antirretrovirais inibidores de protease e vincristina. Evitar associação sempre que possível. Se indispensável e após avaliação oncológica: reduzir dose de vincristina em 50% (dose máxima 1.4 mg/m², arredondar para 1 mg em adultos). Monitorar rigorosamente neurotoxicidade e hematotoxicidade. Considerar profilaxia para constipação intestinal (laxativos).
Ritonavir e Vincristina interagem?
Sim, Ritonavir e Vincristina possuem interação medicamentosa documentada. O mecanismo envolve ritonavir é inibidor potente da glicoproteína-p (p-gp) (ic50 ~0.5 μm) e da cyp3a4 (ic50 ~0.1 μm). vincristina é substrato de ambas as vias: a p-gp medeia seu efluxo intestinal, renal e na barreira hematoencefálica; a cyp3a4 é responsável por seu metabolismo hepático. a inibição dupla pelo ritonavir reduz significativamente a eliminação e aumenta a exposição sistêmica e tecidual da vincristina. a vincristina tem índice terapêutico estreito, e pequenos aumentos na exposição podem causar neurotoxicidade grave e mielossupressão.. A conduta recomendada é: evitar associação sempre que possível. se indispensável e após avaliação oncológica: reduzir dose de vincristina em 50% (dose máxima 1.4 mg/m², arredondar para 1 mg em adultos). monitorar rigorosamente neurotoxicidade e hematotoxicidade. considerar profilaxia para constipação intestinal (laxativos)..
Qual o risco de Ritonavir com Vincristina?
O risco da associação Ritonavir + Vincristina é classificado como GRAVE. Aumento da AUC da vincristina em 50-100%, com risco de neurotoxicidade (neuropatia periférica, íleo paralítico, convulsões), mielossupressão (neutropenia, trombocitopenia) e SIADH (secreção inapropriada de ADH). Relatos de caso documentam toxicidade grave com associação de antirretrovirais inibidores de protease e vincristina. Monitorar: hemograma completo basal e semanal. exame neurológico focado (parestesias, reflexos tendinosos, força muscular, função autonômica) antes de cada dose. função renal e eletrólitos (sódio sérico para siadh). níveis séricos de vincristina não são rotineiros, mas podem ser considerados em casos de toxicidade..
Interações Relacionadas
Amiodarona inibe CYP3A4 (inibidor moderado, aumenta AUC de imatinibe ~1,5-2,5x). Imatinibe é substrato principal de CYP3A4.
Amiodarona inibe CYP3A4 (aumento de AUC de erlotinibe ~1,5-2x). Erlotinibe é substrato de CYP3A4 e tem risco QT.
Amiodarona inibe CYP3A4 (aumento AUC sunitinibe ~1,5-2,5x) e ambos prolongam QT via bloqueio hERG.
Amiodarona é inibidor moderado da CYP2D6 e CYP3A4. O Tamoxifeno é um pró-fármaco metabolizado principalmente pela CYP2D6 em endoxifeno (metabólito ativo 100x mais potente) e pela CYP3A4 em N-desmetil-tamoxifeno. A inibição da CYP2D6 pode reduzir a formação de endoxifeno em 30-50%, comprometendo a eficácia antitumoral. Paradoxalmente, a inibição da CYP3A4 pode aumentar os níveis do Tamoxifeno inalterado, contribuindo para efeitos adversos.
Atualizado em junho/2026
Gerada por motor farmacologico com validacao por IA — Tier B
As informações desta página são de caráter educativo e não substituem a orientação de um profissional farmacêutico. Sempre consulte um farmacêutico antes de alterar sua medicação.