Ritonavir + Sirolimus

GraveRisco elevado — pode causar dano significativo ao paciente
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O que acontece

Aumento significativo e sustentado nos níveis de sirolimus, levando a toxicidade hematológica grave, mucosite, hipertrigliceridemia e possível pneumonite intersticial.

Mecanismo

Ritonavir é um inibidor potente da CYP3A4 (IC50 ~0.1 μM) e da P-gp. O sirolimus é metabolizado primariamente pela CYP3A4 (Km ~3-10 μM) e é substrato da P-gp, que limita sua absorção intestinal e facilita sua excreção biliar/renal. A coadministração com ritonavir pode aumentar a AUC do sirolimus em 10-30 vezes, com meia-vida prolongada. O sirolimus tem índice terapêutico estreito (faixa alvo 4-12 ng/mL), e a superexposição causa mielossupressão (leucopenia, trombocitopenia), hiperlipidemia, pneumonite e nefrotoxicidade (especialmente em combinação com inibidores de calcineurina).

📋Conduta Clinica

Evitar a associação. Se indispensável (ex.: paciente com HIV e transplante), reduzir a dose de sirolimus em 90% (ex.: de 2 mg/dia para 0,2 mg/dia ou 0,5 mg 2x/semana) e monitorar nível sérico. Iniciar ritonavir com dose drasticamente reduzida de sirolimus e dosar nível em 5-7 dias (devido à meia-vida longa de ~60h). Ajustar dose para manter nível alvo. Consultar especialista.

🔍O que monitorar

Nível sérico de sirolimus (vale) antes do início, 5-7 dias após, e semanalmente até estabilização. Hemograma completo semanal no primeiro mês, perfil lipídico, função renal, testes de função hepática. Vigilância para sintomas respiratórios (tosse, dispneia).

Alternativas

Substituir ritonavir por antirretroviral sem efeito inibidor potente (ex.: dolutegravir, raltegravir). Se não for possível, considerar everolimus (ajuste similar) ou ciclosporina (ajuste menos drástico, mas ainda significativo).

📚Referências

Flockhart Drug Interactions Table; Micromedex 2024; Lexicomp 2024; Estudo de caso: Sadaba B et al. Ann Pharmacother. 2004;38(1):99-102.

Perguntas Frequentes

Pode tomar Ritonavir com Sirolimus?

A combinação de Ritonavir com Sirolimus apresenta interação de gravidade grave. Aumento significativo e sustentado nos níveis de sirolimus, levando a toxicidade hematológica grave, mucosite, hipertrigliceridemia e possível pneumonite intersticial. Evitar a associação. Se indispensável (ex.: paciente com HIV e transplante), reduzir a dose de sirolimus em 90% (ex.: de 2 mg/dia para 0,2 mg/dia ou 0,5 mg 2x/semana) e monitorar nível sérico. Iniciar ritonavir com dose drasticamente reduzida de sirolimus e dosar nível em 5-7 dias (devido à meia-vida longa de ~60h). Ajustar dose para manter nível alvo. Consultar especialista.

Ritonavir e Sirolimus interagem?

Sim, Ritonavir e Sirolimus possuem interação medicamentosa documentada. O mecanismo envolve ritonavir é um inibidor potente da cyp3a4 (ic50 ~0.1 μm) e da p-gp. o sirolimus é metabolizado primariamente pela cyp3a4 (km ~3-10 μm) e é substrato da p-gp, que limita sua absorção intestinal e facilita sua excreção biliar/renal. a coadministração com ritonavir pode aumentar a auc do sirolimus em 10-30 vezes, com meia-vida prolongada. o sirolimus tem índice terapêutico estreito (faixa alvo 4-12 ng/ml), e a superexposição causa mielossupressão (leucopenia, trombocitopenia), hiperlipidemia, pneumonite e nefrotoxicidade (especialmente em combinação com inibidores de calcineurina).. A conduta recomendada é: evitar a associação. se indispensável (ex.: paciente com hiv e transplante), reduzir a dose de sirolimus em 90% (ex.: de 2 mg/dia para 0,2 mg/dia ou 0,5 mg 2x/semana) e monitorar nível sérico. iniciar ritonavir com dose drasticamente reduzida de sirolimus e dosar nível em 5-7 dias (devido à meia-vida longa de ~60h). ajustar dose para manter nível alvo. consultar especialista..

Qual o risco de Ritonavir com Sirolimus?

O risco da associação Ritonavir + Sirolimus é classificado como GRAVE. Aumento significativo e sustentado nos níveis de sirolimus, levando a toxicidade hematológica grave, mucosite, hipertrigliceridemia e possível pneumonite intersticial. Monitorar: nível sérico de sirolimus (vale) antes do início, 5-7 dias após, e semanalmente até estabilização. hemograma completo semanal no primeiro mês, perfil lipídico, função renal, testes de função hepática. vigilância para sintomas respiratórios (tosse, dispneia)..

Interações Relacionadas

Amiodarona + Ciclosporina

Amiodarona é inibidor moderado da CYP3A4 (Ki ~5 µM) e da P-glicoproteína (P-gp). A Ciclosporina é substrato de ambas, com metabolismo hepático >90% via CYP3A4 e transporte intestinal/renal via P-gp. A inibição dupla reduz a depuração em 50-70%, aumentando a AUC da ciclosporina em 2-4x. O índice terapêutico estreito (faixa alvo: 100-400 ng/mL) torna o risco de nefrotoxicidade e neurotoxicidade clinicamente significativo.

Grave
Amiodarona + Ciclosporina

Amiodarona inibe a P-glicoproteína (P-gp) intestinal e renal (IC50 ~8 µM), reduzindo a eliminação de Ciclosporina. A P-gp é responsável por 30-40% da excreção biliar e renal da ciclosporina. A inibição aumenta a biodisponibilidade oral em 50-80% e reduz a depuração sistêmica em 20-30%, resultando em aumento líquido de 2-3x na AUC. Este mecanismo é aditivo à inibição da CYP3A4, potencializando o risco de toxicidade.

Grave
Amiodarona + Tacrolimus

Amiodarona inibe moderadamente a CYP3A4 (Ki ~5 µM), enzima responsável por >95% do metabolismo do Tacrolimus. A inibição reduz a depuração hepática em 60-80%, aumentando a AUC do tacrolimus em 3-5x. O tacrolimus tem índice terapêutico estreito (5-15 ng/mL) e é substrato de alta afinidade pela CYP3A4, tornando a interação clinicamente perigosa. Adicionalmente, ambos prolongam o intervalo QTc, com risco aditivo de arritmias ventriculares.

Grave
Amiodarona + Tacrolimus

Amiodarona inibe a P-glicoproteína (P-gp) intestinal e renal (IC50 ~8 µM), reduzindo a eliminação de Tacrolimus. A P-gp contribui com 20-30% da excreção biliar e renal do tacrolimus. A inibição aumenta a biodisponibilidade oral em 40-60% e reduz a depuração sistêmica em 15-25%, resultando em aumento líquido de 2-3x na AUC. Este mecanismo é aditivo à inibição da CYP3A4, amplificando o risco de toxicidade. Polimorfismos no gene ABCB1 podem exacerbar a interação.

Grave

Atualizado em junho/2026

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