Itraconazol + Claritromicina
⚠O que acontece
Aumento dos níveis de Claritromicina e Itraconazol, elevando o risco de prolongamento QTc (>500 ms) e Torsades de Pointes. Risco de hepatotoxicidade (elevação de transaminases) e neurotoxicidade (cefaleia, confusão) com níveis elevados de Claritromicina. Risco de cardiotoxicidade é o principal.
⚙Mecanismo
Interação bidirecional: Itraconazol é potente inibidor do CYP3A4 (IC50 ~0.001-0.01 µM) e da P-gp. Claritromicina é metabolizada principalmente por CYP3A4 (50-60%) a metabólito ativo (14-hidroxi-claritromicina) e também é inibidor moderado do CYP3A4 e substrato/inibidor da P-gp. A coadministração resulta em aumento dos níveis de ambos os fármacos: AUC de Claritromicina aumenta ~50-100%, Cmax ~30-50%; AUC de Itraconazol pode aumentar ~30-50% devido à inibição do CYP3A4 pela Claritromicina. Ambos também prolongam o intervalo QT por bloqueio de canais hERG, com efeito aditivo.
📋Conduta Clinica
Evitar associação se possível. Se necessário: reduzir dose de Claritromicina em 50% (ex: 500 mg 12/12h para 250 mg 12/12h) e monitorar níveis de Itraconazol (alvo: >1 µg/mL para eficácia antifúngica). Realizar ECG basal e seriado. Manter K+ >4.0 e Mg2+ >2.0. Não usar Claritromicina em doses >500 mg/dia.
🔍O que monitorar
ECG com QTc basal e a cada 2-3 dias; eletrólitos; TGO/TGP basal e semanal; nível sérico de Itraconazol (vale) após 5-7 dias; sinais de toxicidade (GI, neurológica).
↺Alternativas
Substituir Claritromicina por azitromicina (menor inibição de CYP3A4 e menor risco de QT, mas ainda com risco de QT aditivo) ou antibiótico beta-lactâmico. Substituir Itraconazol por antifúngico sem interação (ex: anfotericina B, equinocandina).
📚Referências
Flockhart Drug Interactions Table; Micromedex 2024; CredibleMeds 2024; UpToDate 2024
Perguntas Frequentes
Pode tomar Itraconazol com Claritromicina?
A combinação de Itraconazol com Claritromicina apresenta interação de gravidade moderada. Aumento dos níveis de Claritromicina e Itraconazol, elevando o risco de prolongamento QTc (>500 ms) e Torsades de Pointes. Risco de hepatotoxicidade (elevação de transaminases) e neurotoxicidade (cefaleia, confusão) com níveis elevados de Claritromicina. Risco de cardiotoxicidade é o principal. Evitar associação se possível. Se necessário: reduzir dose de Claritromicina em 50% (ex: 500 mg 12/12h para 250 mg 12/12h) e monitorar níveis de Itraconazol (alvo: >1 µg/mL para eficácia antifúngica). Realizar ECG basal e seriado. Manter K+ >4.0 e Mg2+ >2.0. Não usar Claritromicina em doses >500 mg/dia.
Itraconazol e Claritromicina interagem?
Sim, Itraconazol e Claritromicina possuem interação medicamentosa documentada. O mecanismo envolve interação bidirecional: itraconazol é potente inibidor do cyp3a4 (ic50 ~0.001-0.01 µm) e da p-gp. claritromicina é metabolizada principalmente por cyp3a4 (50-60%) a metabólito ativo (14-hidroxi-claritromicina) e também é inibidor moderado do cyp3a4 e substrato/inibidor da p-gp. a coadministração resulta em aumento dos níveis de ambos os fármacos: auc de claritromicina aumenta ~50-100%, cmax ~30-50%; auc de itraconazol pode aumentar ~30-50% devido à inibição do cyp3a4 pela claritromicina. ambos também prolongam o intervalo qt por bloqueio de canais herg, com efeito aditivo.. A conduta recomendada é: evitar associação se possível. se necessário: reduzir dose de claritromicina em 50% (ex: 500 mg 12/12h para 250 mg 12/12h) e monitorar níveis de itraconazol (alvo: >1 µg/ml para eficácia antifúngica). realizar ecg basal e seriado. manter k+ >4.0 e mg2+ >2.0. não usar claritromicina em doses >500 mg/dia..
Qual o risco de Itraconazol com Claritromicina?
O risco da associação Itraconazol + Claritromicina é classificado como MODERADA. Aumento dos níveis de Claritromicina e Itraconazol, elevando o risco de prolongamento QTc (>500 ms) e Torsades de Pointes. Risco de hepatotoxicidade (elevação de transaminases) e neurotoxicidade (cefaleia, confusão) com níveis elevados de Claritromicina. Risco de cardiotoxicidade é o principal. Monitorar: ecg com qtc basal e a cada 2-3 dias; eletrólitos; tgo/tgp basal e semanal; nível sérico de itraconazol (vale) após 5-7 dias; sinais de toxicidade (gi, neurológica)..
Interações Relacionadas
Rifabutina é indutora potente de CYP3A4 (principal via de metabolização da amiodarona). Redução estimada de 40-60% nos níveis de amiodarona.
Claritromicina inibe fortemente CYP3A4 aumentando níveis de amiodarona + bloqueio aditivo hERG.
Amiodarona é inibidor moderado da CYP3A4 (Ki ~10-15 µM), principal via de metabolização da Eritromicina (substrato sensível da CYP3A4). A coadministração pode aumentar a AUC da Eritromicina em 2-4 vezes, elevando significativamente o risco de cardiotoxicidade.
Verapamil inibe CYP3A4 (Ki ~2-5 µM), principal via de metabolização da Rifabutina (contribuição CYP3A4 ~80%). Estudos mostram aumento da AUC da Rifabutina em 50-100% com inibidores moderados de CYP3A4. Rifabutina é indutor fraco de CYP3A4, podendo reduzir níveis de Verapamil em 20-30% com uso crônico (>2 semanas).
Atualizado em junho/2026
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