Isoniazida + Ciclosporina
⚠O que acontece
Aumento significativo dos níveis séricos de Ciclosporina, com risco elevado de nefrotoxicidade (elevação de creatinina, redução do clearance de creatinina), hipertensão e neurotoxicidade (tremor, cefaleia).
⚙Mecanismo
Isoniazida é um inibidor moderado da CYP3A4 (IC50 ~ 5-10 μM), principal via de metabolismo da Ciclosporina (>70% do clearance). A inibição reduz o metabolismo de primeira passagem e sistêmico, podendo aumentar a AUC da Ciclosporina em 2 a 3 vezes. A isoniazida também pode inibir fracamente a CYP2C9 e a glicoproteína-P, contribuindo para o acúmulo.
📋Conduta Clinica
Evitar a associação sempre que possível. Se o uso concomitante for indispensável: reduzir a dose de Ciclosporina em 50% no início da terapia com Isoniazida. Ajustar a dose de Ciclosporina com base no monitoramento terapêutico de fármacos (TDM) para manter o nível alvo (geralmente 100-400 ng/mL, dependendo da indicação). Reajustar a dose de Ciclosporina após a descontinuação da Isoniazida.
🔍O que monitorar
Monitorar nível sérico de Ciclosporina (vale) a cada 2-3 dias no início e após ajustes de dose. Monitorar creatinina sérica, clearance de creatinina, pressão arterial e sinais de neurotoxicidade. Acompanhar resposta clínica (ex.: função do enxerto).
↺Alternativas
Considerar alternativa à Isoniazida que não iniba significativamente a CYP3A4, como rifampicina (embora esta seja indutora, exigindo ajuste oposto) ou avaliar esquemas de tratamento de tuberculose latente sem isoniazida (ex.: rifampicina isolada por 4 meses).
📚Referências
Flockhart Drug Interactions Table; Micromedex 2024; Lexicomp; Estudo de caso: Page et al. Clin Infect Dis. 1997;25(5):1250-1.
Perguntas Frequentes
Pode tomar Isoniazida com Ciclosporina?
A combinação de Isoniazida com Ciclosporina apresenta interação de gravidade grave. Aumento significativo dos níveis séricos de Ciclosporina, com risco elevado de nefrotoxicidade (elevação de creatinina, redução do clearance de creatinina), hipertensão e neurotoxicidade (tremor, cefaleia). Evitar a associação sempre que possível. Se o uso concomitante for indispensável: reduzir a dose de Ciclosporina em 50% no início da terapia com Isoniazida. Ajustar a dose de Ciclosporina com base no monitoramento terapêutico de fármacos (TDM) para manter o nível alvo (geralmente 100-400 ng/mL, dependendo da indicação). Reajustar a dose de Ciclosporina após a descontinuação da Isoniazida.
Isoniazida e Ciclosporina interagem?
Sim, Isoniazida e Ciclosporina possuem interação medicamentosa documentada. O mecanismo envolve isoniazida é um inibidor moderado da cyp3a4 (ic50 ~ 5-10 μm), principal via de metabolismo da ciclosporina (>70% do clearance). a inibição reduz o metabolismo de primeira passagem e sistêmico, podendo aumentar a auc da ciclosporina em 2 a 3 vezes. a isoniazida também pode inibir fracamente a cyp2c9 e a glicoproteína-p, contribuindo para o acúmulo.. A conduta recomendada é: evitar a associação sempre que possível. se o uso concomitante for indispensável: reduzir a dose de ciclosporina em 50% no início da terapia com isoniazida. ajustar a dose de ciclosporina com base no monitoramento terapêutico de fármacos (tdm) para manter o nível alvo (geralmente 100-400 ng/ml, dependendo da indicação). reajustar a dose de ciclosporina após a descontinuação da isoniazida..
Qual o risco de Isoniazida com Ciclosporina?
O risco da associação Isoniazida + Ciclosporina é classificado como GRAVE. Aumento significativo dos níveis séricos de Ciclosporina, com risco elevado de nefrotoxicidade (elevação de creatinina, redução do clearance de creatinina), hipertensão e neurotoxicidade (tremor, cefaleia). Monitorar: monitorar nível sérico de ciclosporina (vale) a cada 2-3 dias no início e após ajustes de dose. monitorar creatinina sérica, clearance de creatinina, pressão arterial e sinais de neurotoxicidade. acompanhar resposta clínica (ex.: função do enxerto)..
Interações Relacionadas
Amiodarona é inibidor moderado da CYP3A4 (Ki ~5 µM) e da P-glicoproteína (P-gp). A Ciclosporina é substrato de ambas, com metabolismo hepático >90% via CYP3A4 e transporte intestinal/renal via P-gp. A inibição dupla reduz a depuração em 50-70%, aumentando a AUC da ciclosporina em 2-4x. O índice terapêutico estreito (faixa alvo: 100-400 ng/mL) torna o risco de nefrotoxicidade e neurotoxicidade clinicamente significativo.
Amiodarona inibe a P-glicoproteína (P-gp) intestinal e renal (IC50 ~8 µM), reduzindo a eliminação de Ciclosporina. A P-gp é responsável por 30-40% da excreção biliar e renal da ciclosporina. A inibição aumenta a biodisponibilidade oral em 50-80% e reduz a depuração sistêmica em 20-30%, resultando em aumento líquido de 2-3x na AUC. Este mecanismo é aditivo à inibição da CYP3A4, potencializando o risco de toxicidade.
Amiodarona inibe moderadamente a CYP3A4 (Ki ~5 µM), enzima responsável por >95% do metabolismo do Tacrolimus. A inibição reduz a depuração hepática em 60-80%, aumentando a AUC do tacrolimus em 3-5x. O tacrolimus tem índice terapêutico estreito (5-15 ng/mL) e é substrato de alta afinidade pela CYP3A4, tornando a interação clinicamente perigosa. Adicionalmente, ambos prolongam o intervalo QTc, com risco aditivo de arritmias ventriculares.
Amiodarona inibe a P-glicoproteína (P-gp) intestinal e renal (IC50 ~8 µM), reduzindo a eliminação de Tacrolimus. A P-gp contribui com 20-30% da excreção biliar e renal do tacrolimus. A inibição aumenta a biodisponibilidade oral em 40-60% e reduz a depuração sistêmica em 15-25%, resultando em aumento líquido de 2-3x na AUC. Este mecanismo é aditivo à inibição da CYP3A4, amplificando o risco de toxicidade. Polimorfismos no gene ABCB1 podem exacerbar a interação.
Atualizado em junho/2026
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