Diltiazem + Tacrolimus

GraveRisco elevado — pode causar dano significativo ao paciente
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O que acontece

Aumento grave nos níveis de tacrolimus (pico em 24-72h), com risco de nefrotoxicidade aguda (aumento de creatinina >50% em 50-60% dos pacientes), neurotoxicidade (tremor, cefaleia, convulsões em 10-15%), hipercalemia (K+ >5.5 mEq/L em 20-30%), hipomagnesemia, e prolongamento do intervalo QTc (>500 ms em 5-10% dos casos) com risco de torsades de pointes. Diabetes pós-transplante pode ser precipitado ou agravado.

Mecanismo

Diltiazem é inibidor potente do CYP3A4 (Ki ≈ 2 µM) e moderado da P-gp. Tacrolimus é metabolizado quase exclusivamente por CYP3A4 (>95%) e transportado por P-gp intestinal/hepática. A inibição dupla reduz a depuração do tacrolimus em 50-70% e aumenta sua biodisponibilidade oral em 40-60%. Estudos mostram aumento de 3-5x na AUC do tacrolimus com diltiazem 180-240 mg/dia. Tacrolimus tem índice terapêutico extremamente estreito (alvo: 5-15 ng/mL) e alto risco de toxicidade.

📋Conduta Clinica

1) EVITAR associação sempre que possível. 2) Se absolutamente necessário: reduzir dose de tacrolimus em 60-70% no início do diltiazem (ex.: de 10 mg/dia para 3-4 mg/dia divididos em 2 tomadas). 3) Medir nível sérico (C0) após 48h e diariamente até estabilização (geralmente 5-7 dias). 4) Alvo terapêutico: 5-10 ng/mL (transplante renal/hepático) ou 8-12 ng/mL (cardíaco). 5) Manter hidratação >2.5 L/dia e evitar outros nefrotóxicos (AINEs, aminoglicosídeos). 6) ECG basal e semanal no primeiro mês.

🔍O que monitorar

Nível sérico de tacrolimus: basal, 48h, 72h, diariamente na primeira semana, 2x/semana por 1 mês, semanal por 3 meses; creatinina e TFG diariamente na primeira semana; K+ e Mg2+ a cada 48h; ECG com QTc semanal no primeiro mês; glicemia de jejum diária; sinais neurológicos (tremor, confusão, convulsões).

Alternativas

Substituir diltiazem por anti-hipertensivo sem interação: enalapril, losartana, anlodipino (interação mínima com tacrolimus, aumento de AUC <20%). Se imunossupressor alternativo for considerado, ciclosporina tem perfil de interação semelhante e não oferece vantagem. Everolimus/sirolimus também interagem gravemente com diltiazem.

📚Referências

Flockhart Drug Interactions Table; Micromedex 2024; Am J Transplant. 2019;19(4):1107-1119; Ther Drug Monit. 2020;42(3):381-391

Perguntas Frequentes

Pode tomar Diltiazem com Tacrolimus?

A combinação de Diltiazem com Tacrolimus apresenta interação de gravidade grave. Aumento grave nos níveis de tacrolimus (pico em 24-72h), com risco de nefrotoxicidade aguda (aumento de creatinina >50% em 50-60% dos pacientes), neurotoxicidade (tremor, cefaleia, convulsões em 10-15%), hipercalemia (K+ >5.5 mEq/L em 20-30%), hipomagnesemia, e prolongamento do intervalo QTc (>500 ms em 5-10% dos casos) com risco de torsades de pointes. Diabetes pós-transplante pode ser precipitado ou agravado. 1) EVITAR associação sempre que possível. 2) Se absolutamente necessário: reduzir dose de tacrolimus em 60-70% no início do diltiazem (ex.: de 10 mg/dia para 3-4 mg/dia divididos em 2 tomadas). 3) Medir nível sérico (C0) após 48h e diariamente até estabilização (geralmente 5-7 dias). 4) Alvo terapêutico: 5-10 ng/mL (transplante renal/hepático) ou 8-12 ng/mL (cardíaco). 5) Manter hidratação >2.5 L/dia e evitar outros nefrotóxicos (AINEs, aminoglicosídeos). 6) ECG basal e semanal no primeiro mês.

Diltiazem e Tacrolimus interagem?

Sim, Diltiazem e Tacrolimus possuem interação medicamentosa documentada. O mecanismo envolve diltiazem é inibidor potente do cyp3a4 (ki ≈ 2 µm) e moderado da p-gp. tacrolimus é metabolizado quase exclusivamente por cyp3a4 (>95%) e transportado por p-gp intestinal/hepática. a inibição dupla reduz a depuração do tacrolimus em 50-70% e aumenta sua biodisponibilidade oral em 40-60%. estudos mostram aumento de 3-5x na auc do tacrolimus com diltiazem 180-240 mg/dia. tacrolimus tem índice terapêutico extremamente estreito (alvo: 5-15 ng/ml) e alto risco de toxicidade.. A conduta recomendada é: 1) evitar associação sempre que possível. 2) se absolutamente necessário: reduzir dose de tacrolimus em 60-70% no início do diltiazem (ex.: de 10 mg/dia para 3-4 mg/dia divididos em 2 tomadas). 3) medir nível sérico (c0) após 48h e diariamente até estabilização (geralmente 5-7 dias). 4) alvo terapêutico: 5-10 ng/ml (transplante renal/hepático) ou 8-12 ng/ml (cardíaco). 5) manter hidratação >2.5 l/dia e evitar outros nefrotóxicos (aines, aminoglicosídeos). 6) ecg basal e semanal no primeiro mês..

Qual o risco de Diltiazem com Tacrolimus?

O risco da associação Diltiazem + Tacrolimus é classificado como GRAVE. Aumento grave nos níveis de tacrolimus (pico em 24-72h), com risco de nefrotoxicidade aguda (aumento de creatinina >50% em 50-60% dos pacientes), neurotoxicidade (tremor, cefaleia, convulsões em 10-15%), hipercalemia (K+ >5.5 mEq/L em 20-30%), hipomagnesemia, e prolongamento do intervalo QTc (>500 ms em 5-10% dos casos) com risco de torsades de pointes. Diabetes pós-transplante pode ser precipitado ou agravado. Monitorar: nível sérico de tacrolimus: basal, 48h, 72h, diariamente na primeira semana, 2x/semana por 1 mês, semanal por 3 meses; creatinina e tfg diariamente na primeira semana; k+ e mg2+ a cada 48h; ecg com qtc semanal no primeiro mês; glicemia de jejum diária; sinais neurológicos (tremor, confusão, convulsões)..

Interações Relacionadas

Amiodarona + Ciclosporina

Amiodarona é inibidor moderado da CYP3A4 (Ki ~5 µM) e da P-glicoproteína (P-gp). A Ciclosporina é substrato de ambas, com metabolismo hepático >90% via CYP3A4 e transporte intestinal/renal via P-gp. A inibição dupla reduz a depuração em 50-70%, aumentando a AUC da ciclosporina em 2-4x. O índice terapêutico estreito (faixa alvo: 100-400 ng/mL) torna o risco de nefrotoxicidade e neurotoxicidade clinicamente significativo.

Grave
Amiodarona + Ciclosporina

Amiodarona inibe a P-glicoproteína (P-gp) intestinal e renal (IC50 ~8 µM), reduzindo a eliminação de Ciclosporina. A P-gp é responsável por 30-40% da excreção biliar e renal da ciclosporina. A inibição aumenta a biodisponibilidade oral em 50-80% e reduz a depuração sistêmica em 20-30%, resultando em aumento líquido de 2-3x na AUC. Este mecanismo é aditivo à inibição da CYP3A4, potencializando o risco de toxicidade.

Grave
Amiodarona + Tacrolimus

Amiodarona inibe moderadamente a CYP3A4 (Ki ~5 µM), enzima responsável por >95% do metabolismo do Tacrolimus. A inibição reduz a depuração hepática em 60-80%, aumentando a AUC do tacrolimus em 3-5x. O tacrolimus tem índice terapêutico estreito (5-15 ng/mL) e é substrato de alta afinidade pela CYP3A4, tornando a interação clinicamente perigosa. Adicionalmente, ambos prolongam o intervalo QTc, com risco aditivo de arritmias ventriculares.

Grave
Amiodarona + Tacrolimus

Amiodarona inibe a P-glicoproteína (P-gp) intestinal e renal (IC50 ~8 µM), reduzindo a eliminação de Tacrolimus. A P-gp contribui com 20-30% da excreção biliar e renal do tacrolimus. A inibição aumenta a biodisponibilidade oral em 40-60% e reduz a depuração sistêmica em 15-25%, resultando em aumento líquido de 2-3x na AUC. Este mecanismo é aditivo à inibição da CYP3A4, amplificando o risco de toxicidade. Polimorfismos no gene ABCB1 podem exacerbar a interação.

Grave

Atualizado em junho/2026

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