Dexametasona + Ritonavir

ModeradaRequer monitoramento — pode necessitar ajuste de dose
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O que acontece

Redução moderada nos níveis de Ritonavir, com possível perda do efeito booster e falha virológica em regimes antirretrovirais baseados em inibidores de protease.

Mecanismo

Ritonavir é metabolizado por CYP3A4 (>80%) e é um potente inibidor desta enzima (usado como booster). A dexametasona induz CYP3A4 via PXR, acelerando o metabolismo do ritonavir. Estudos mostram que a coadministração de dexametasona (8 mg/dia) reduz a AUC do ritonavir em 40-50%. O efeito indutor pode superar a auto-inibição do ritonavir, resultando em níveis subterapêuticos. A relevância clínica é moderada, pois o ritonavir é raramente usado como único antirretroviral, mas a redução pode comprometer o efeito booster em regimes com outros inibidores de protease.

📋Conduta Clinica

Monitorar a carga viral do HIV e contagem de CD4+. Se usado como booster, considerar aumentar a dose de ritonavir em 50-100% (ex: de 100 mg para 150-200 mg/dia) ou ajustar o inibidor de protease associado. Após a descontinuação da dexametasona, retornar às doses originais para evitar toxicidade (hepatotoxicidade, dislipidemia). Preferir regimes antirretrovirais não dependentes de CYP3A4 (ex: inibidores de integrase, inibidores de transcriptase reversa).

🔍O que monitorar

Carga viral do HIV a cada 2-4 semanas, contagem de CD4+ a cada 3 meses. Função hepática (TGO/TGP) e perfil lipídico mensalmente. ECG com QTc se doses altas.

Alternativas

Substituir o regime antirretroviral por um baseado em Dolutegravir (inibidor de integrase, metabolismo por UGT1A1) ou Bictegravir. Alternativamente, usar corticoide não indutor como Metilprednisolona.

📚Referências

Flockhart Drug Interactions Table; UpToDate 2024; Estudos de interação dexametasona-ritonavir (redução AUC ~40-50%)

Perguntas Frequentes

Pode tomar Dexametasona com Ritonavir?

A combinação de Dexametasona com Ritonavir apresenta interação de gravidade moderada. Redução moderada nos níveis de Ritonavir, com possível perda do efeito booster e falha virológica em regimes antirretrovirais baseados em inibidores de protease. Monitorar a carga viral do HIV e contagem de CD4+. Se usado como booster, considerar aumentar a dose de ritonavir em 50-100% (ex: de 100 mg para 150-200 mg/dia) ou ajustar o inibidor de protease associado. Após a descontinuação da dexametasona, retornar às doses originais para evitar toxicidade (hepatotoxicidade, dislipidemia). Preferir regimes antirretrovirais não dependentes de CYP3A4 (ex: inibidores de integrase, inibidores de transcriptase reversa).

Dexametasona e Ritonavir interagem?

Sim, Dexametasona e Ritonavir possuem interação medicamentosa documentada. O mecanismo envolve ritonavir é metabolizado por cyp3a4 (>80%) e é um potente inibidor desta enzima (usado como booster). a dexametasona induz cyp3a4 via pxr, acelerando o metabolismo do ritonavir. estudos mostram que a coadministração de dexametasona (8 mg/dia) reduz a auc do ritonavir em 40-50%. o efeito indutor pode superar a auto-inibição do ritonavir, resultando em níveis subterapêuticos. a relevância clínica é moderada, pois o ritonavir é raramente usado como único antirretroviral, mas a redução pode comprometer o efeito booster em regimes com outros inibidores de protease.. A conduta recomendada é: monitorar a carga viral do hiv e contagem de cd4+. se usado como booster, considerar aumentar a dose de ritonavir em 50-100% (ex: de 100 mg para 150-200 mg/dia) ou ajustar o inibidor de protease associado. após a descontinuação da dexametasona, retornar às doses originais para evitar toxicidade (hepatotoxicidade, dislipidemia). preferir regimes antirretrovirais não dependentes de cyp3a4 (ex: inibidores de integrase, inibidores de transcriptase reversa)..

Qual o risco de Dexametasona com Ritonavir?

O risco da associação Dexametasona + Ritonavir é classificado como MODERADA. Redução moderada nos níveis de Ritonavir, com possível perda do efeito booster e falha virológica em regimes antirretrovirais baseados em inibidores de protease. Monitorar: carga viral do hiv a cada 2-4 semanas, contagem de cd4+ a cada 3 meses. função hepática (tgo/tgp) e perfil lipídico mensalmente. ecg com qtc se doses altas..

Interações Relacionadas

Amiodarona + Ritonavir

Interação bidirecional: Amiodarona inibe CYP3A4 (Ki ~10-15 µM) e CYP2D6, enzimas que metabolizam Ritonavir. Simultaneamente, Ritonavir é um inibidor potente da CYP3A4 (IC50 ~0,1 µM), reduzindo o metabolismo da Amiodarona. O resultado é aumento significativo (2-5 vezes) nos níveis de ambos os fármacos, com acúmulo e risco de toxicidade sinérgica.

Grave
Amiodarona + Efavirenz

Amiodarona é inibidor moderado da CYP3A4 (Ki ~10-15 µM), principal via de metabolização do Efavirenz (substrato da CYP3A4 e CYP2B6). A coadministração pode aumentar a AUC do Efavirenz em 1,5-2 vezes. Adicionalmente, Efavirenz é indutor fraco da CYP3A4, podendo reduzir levemente os níveis de Amiodarona, mas o efeito líquido é de aumento do Efavirenz.

Moderada
Verapamil + Ritonavir

Interação bidirecional potente: Verapamil inibe CYP3A4 (Ki ~2-5 µM) e Ritonavir é inibidor potente da CYP3A4 (Ki <0.1 µM) e P-gp. Ritonavir aumenta AUC do Verapamil em 3-5x, com risco de bradicardia severa e hipotensão. Verapamil aumenta AUC do Ritonavir em 2-3x. Ambos prolongam QTc por bloqueio de canais hERG (IKr), com efeito aditivo. Ritonavir também inibe CYP2D6 (via secundária do Verapamil).

Grave
Verapamil + Efavirenz

Interação bidirecional complexa: Verapamil inibe CYP3A4 (Ki ~2-5 µM), principal via do Efavirenz (contribuição CYP3A4 ~80%). Efavirenz é indutor moderado de CYP3A4 (aumenta expressão em 2-3x) e inibidor fraco de CYP2C19. Efeito líquido: aumento inicial dos níveis de Efavirenz em 30-50% (primeiras 2 semanas), seguido de redução dos níveis de Verapamil em 40-60% e possível redução dos níveis de Efavirenz com uso crônico (>4 semanas).

Moderada

Atualizado em junho/2026

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