Dexametasona + Ciclosporina

GraveRisco elevado — pode causar dano significativo ao paciente
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O que acontece

Redução drástica nos níveis sanguíneos de ciclosporina, levando a risco elevado de rejeição aguda de transplante (órgãos sólidos ou medula óssea) e falha terapêutica em doenças autoimunes. A variabilidade interindividual na indução enzimática torna imprevisível o ajuste de dose.

Mecanismo

A dexametasona é um indutor potente do CYP3A4 e da glicoproteína-P (P-gp), ambas críticas para a biodisponibilidade e depuração da ciclosporina. A ciclosporina é extensamente metabolizada por CYP3A4 (Km ~ 1-3 µM) e transportada pela P-gp intestinal e hepática. A indução enzimática pode reduzir a AUC da ciclosporina em 50-80% e a Cmin em 60-90%, com efeito máximo após 5-10 dias de uso concomitante. A magnitude da interação é comparável à da rifampicina, um indutor prototípico.

📋Conduta Clinica

Evitar a associação. Se indispensável: 1) Aumentar a dose de ciclosporina em 2-4 vezes, guiado por monitoramento terapêutico de nível sérico (C0 e C2) a cada 48-72 horas até estabilização. 2) Considerar substituir a ciclosporina por um imunossupressor não dependente de CYP3A4 (ex: micofenolato, azatioprina) ou usar tacrolimus com monitoramento intensivo. 3) Na descontinuação da dexametasona, reduzir a dose de ciclosporina gradualmente (25-50% a cada 2-3 dias) para evitar nefrotoxicidade por superexposição.

🔍O que monitorar

Nível sérico de ciclosporina (C0 alvo: 100-400 ng/mL dependendo da indicação; C2 alvo: 800-1500 ng/mL), creatinina sérica, clearance de creatinina, pressão arterial, sinais de rejeição (febre, dor no enxerto, disfunção orgânica). Monitorar por 4-6 semanas após descontinuação do indutor.

Alternativas

Substituir a dexametasona por um corticoide não indutor (ex: metilprednisolona, prednisona) ou utilizar imunossupressor alternativo não substrato de CYP3A4/P-gp.

📚Referências

Flockhart Drug Interactions Table; UpToDate 2024; Lexicomp Online; Estudos de interação com rifampicina e ciclosporina (Hebert et al., 1992); FDA Drug Development and Drug Interactions

Perguntas Frequentes

Pode tomar Dexametasona com Ciclosporina?

A combinação de Dexametasona com Ciclosporina apresenta interação de gravidade grave. Redução drástica nos níveis sanguíneos de ciclosporina, levando a risco elevado de rejeição aguda de transplante (órgãos sólidos ou medula óssea) e falha terapêutica em doenças autoimunes. A variabilidade interindividual na indução enzimática torna imprevisível o ajuste de dose. Evitar a associação. Se indispensável: 1) Aumentar a dose de ciclosporina em 2-4 vezes, guiado por monitoramento terapêutico de nível sérico (C0 e C2) a cada 48-72 horas até estabilização. 2) Considerar substituir a ciclosporina por um imunossupressor não dependente de CYP3A4 (ex: micofenolato, azatioprina) ou usar tacrolimus com monitoramento intensivo. 3) Na descontinuação da dexametasona, reduzir a dose de ciclosporina gradualmente (25-50% a cada 2-3 dias) para evitar nefrotoxicidade por superexposição.

Dexametasona e Ciclosporina interagem?

Sim, Dexametasona e Ciclosporina possuem interação medicamentosa documentada. O mecanismo envolve a dexametasona é um indutor potente do cyp3a4 e da glicoproteína-p (p-gp), ambas críticas para a biodisponibilidade e depuração da ciclosporina. a ciclosporina é extensamente metabolizada por cyp3a4 (km ~ 1-3 µm) e transportada pela p-gp intestinal e hepática. a indução enzimática pode reduzir a auc da ciclosporina em 50-80% e a cmin em 60-90%, com efeito máximo após 5-10 dias de uso concomitante. a magnitude da interação é comparável à da rifampicina, um indutor prototípico.. A conduta recomendada é: evitar a associação. se indispensável: 1) aumentar a dose de ciclosporina em 2-4 vezes, guiado por monitoramento terapêutico de nível sérico (c0 e c2) a cada 48-72 horas até estabilização. 2) considerar substituir a ciclosporina por um imunossupressor não dependente de cyp3a4 (ex: micofenolato, azatioprina) ou usar tacrolimus com monitoramento intensivo. 3) na descontinuação da dexametasona, reduzir a dose de ciclosporina gradualmente (25-50% a cada 2-3 dias) para evitar nefrotoxicidade por superexposição..

Qual o risco de Dexametasona com Ciclosporina?

O risco da associação Dexametasona + Ciclosporina é classificado como GRAVE. Redução drástica nos níveis sanguíneos de ciclosporina, levando a risco elevado de rejeição aguda de transplante (órgãos sólidos ou medula óssea) e falha terapêutica em doenças autoimunes. A variabilidade interindividual na indução enzimática torna imprevisível o ajuste de dose. Monitorar: nível sérico de ciclosporina (c0 alvo: 100-400 ng/ml dependendo da indicação; c2 alvo: 800-1500 ng/ml), creatinina sérica, clearance de creatinina, pressão arterial, sinais de rejeição (febre, dor no enxerto, disfunção orgânica). monitorar por 4-6 semanas após descontinuação do indutor..

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Amiodarona + Ciclosporina

Amiodarona é inibidor moderado da CYP3A4 (Ki ~5 µM) e da P-glicoproteína (P-gp). A Ciclosporina é substrato de ambas, com metabolismo hepático >90% via CYP3A4 e transporte intestinal/renal via P-gp. A inibição dupla reduz a depuração em 50-70%, aumentando a AUC da ciclosporina em 2-4x. O índice terapêutico estreito (faixa alvo: 100-400 ng/mL) torna o risco de nefrotoxicidade e neurotoxicidade clinicamente significativo.

Grave
Amiodarona + Ciclosporina

Amiodarona inibe a P-glicoproteína (P-gp) intestinal e renal (IC50 ~8 µM), reduzindo a eliminação de Ciclosporina. A P-gp é responsável por 30-40% da excreção biliar e renal da ciclosporina. A inibição aumenta a biodisponibilidade oral em 50-80% e reduz a depuração sistêmica em 20-30%, resultando em aumento líquido de 2-3x na AUC. Este mecanismo é aditivo à inibição da CYP3A4, potencializando o risco de toxicidade.

Grave
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Amiodarona inibe moderadamente a CYP3A4 (Ki ~5 µM), enzima responsável por >95% do metabolismo do Tacrolimus. A inibição reduz a depuração hepática em 60-80%, aumentando a AUC do tacrolimus em 3-5x. O tacrolimus tem índice terapêutico estreito (5-15 ng/mL) e é substrato de alta afinidade pela CYP3A4, tornando a interação clinicamente perigosa. Adicionalmente, ambos prolongam o intervalo QTc, com risco aditivo de arritmias ventriculares.

Grave
Amiodarona + Tacrolimus

Amiodarona inibe a P-glicoproteína (P-gp) intestinal e renal (IC50 ~8 µM), reduzindo a eliminação de Tacrolimus. A P-gp contribui com 20-30% da excreção biliar e renal do tacrolimus. A inibição aumenta a biodisponibilidade oral em 40-60% e reduz a depuração sistêmica em 15-25%, resultando em aumento líquido de 2-3x na AUC. Este mecanismo é aditivo à inibição da CYP3A4, amplificando o risco de toxicidade. Polimorfismos no gene ABCB1 podem exacerbar a interação.

Grave

Atualizado em junho/2026

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