Voriconazol + Atorvastatina
⚠O que acontece
Aumento do risco de miopatia (CK elevada, dor muscular) e hepatotoxicidade (elevação de transaminases). O risco é dose-dependente e maior em idosos, hipotireoidismo não controlado, insuficiência renal e uso concomitante de outros fármacos que aumentam o risco (fibratos, colchicina).
⚙Mecanismo
Voriconazol é inibidor potente da CYP3A4, que metaboliza parcialmente a atorvastatina (~50% do clearance). A atorvastatina também é substrato de transportadores (OATP1B1) e tem metabolismo por glucuronidação, o que reduz o impacto da inibição da CYP3A4 comparado à sinvastatina. Estudos com itraconazol (inibidor potente similar) mostraram aumento de 2-3 vezes na AUC da atorvastatina. O risco de miopatia é menor que com sinvastatina, mas ainda significativo, especialmente em doses altas de atorvastatina (>40mg/dia).
📋Conduta Clinica
Se a associação for necessária: 1) Limitar a dose de atorvastatina a no máximo 20mg/dia; 2) Iniciar com 10mg/dia e titular conforme resposta lipídica e tolerância; 3) Suspender atorvastatina se CK > 5x LSN ou transaminases > 3x LSN; 4) Considerar uso de estatina alternativa com menor interação (pravastatina, rosuvastatina).
🔍O que monitorar
CK basal e 1 mês após início ou ajuste de dose, depois a cada 3-6 meses; TGO/TGP basal e a cada 3-6 meses; perfil lipídico para avaliar eficácia; sintomas musculares (questionar ativamente em cada consulta).
↺Alternativas
Preferir pravastatina (10-40mg/dia) ou rosuvastatina (5-10mg/dia) como alternativas mais seguras. Se voriconazol for temporário, suspender atorvastatina durante o tratamento e reiniciar após washout de 5 dias do voriconazol.
📚Referências
Flockhart Drug Interactions Table; Micromedex 2024; Neuvonen PJ et al. Drug interactions with lipid-lowering drugs: mechanisms and clinical relevance. Clin Pharmacol Ther. 2006;80(6):565-81; Jacobson TA. Comparative pharmacokinetic interaction profiles of pravastatin, simvastatin, and atorvastatin when coadministered with cytochrome P450 inhibitors. Am J Cardiol. 2004;94(9):1140-6.
Perguntas Frequentes
Pode tomar Voriconazol com Atorvastatina?
A combinação de Voriconazol com Atorvastatina apresenta interação de gravidade moderada. Aumento do risco de miopatia (CK elevada, dor muscular) e hepatotoxicidade (elevação de transaminases). O risco é dose-dependente e maior em idosos, hipotireoidismo não controlado, insuficiência renal e uso concomitante de outros fármacos que aumentam o risco (fibratos, colchicina). Se a associação for necessária: 1) Limitar a dose de atorvastatina a no máximo 20mg/dia; 2) Iniciar com 10mg/dia e titular conforme resposta lipídica e tolerância; 3) Suspender atorvastatina se CK > 5x LSN ou transaminases > 3x LSN; 4) Considerar uso de estatina alternativa com menor interação (pravastatina, rosuvastatina).
Voriconazol e Atorvastatina interagem?
Sim, Voriconazol e Atorvastatina possuem interação medicamentosa documentada. O mecanismo envolve voriconazol é inibidor potente da cyp3a4, que metaboliza parcialmente a atorvastatina (~50% do clearance). a atorvastatina também é substrato de transportadores (oatp1b1) e tem metabolismo por glucuronidação, o que reduz o impacto da inibição da cyp3a4 comparado à sinvastatina. estudos com itraconazol (inibidor potente similar) mostraram aumento de 2-3 vezes na auc da atorvastatina. o risco de miopatia é menor que com sinvastatina, mas ainda significativo, especialmente em doses altas de atorvastatina (>40mg/dia).. A conduta recomendada é: se a associação for necessária: 1) limitar a dose de atorvastatina a no máximo 20mg/dia; 2) iniciar com 10mg/dia e titular conforme resposta lipídica e tolerância; 3) suspender atorvastatina se ck > 5x lsn ou transaminases > 3x lsn; 4) considerar uso de estatina alternativa com menor interação (pravastatina, rosuvastatina)..
Qual o risco de Voriconazol com Atorvastatina?
O risco da associação Voriconazol + Atorvastatina é classificado como MODERADA. Aumento do risco de miopatia (CK elevada, dor muscular) e hepatotoxicidade (elevação de transaminases). O risco é dose-dependente e maior em idosos, hipotireoidismo não controlado, insuficiência renal e uso concomitante de outros fármacos que aumentam o risco (fibratos, colchicina). Monitorar: ck basal e 1 mês após início ou ajuste de dose, depois a cada 3-6 meses; tgo/tgp basal e a cada 3-6 meses; perfil lipídico para avaliar eficácia; sintomas musculares (questionar ativamente em cada consulta)..
Interações Relacionadas
Amiodarona inibe CYP3A4, aumentando AUC de sinvastatina em 100-200%. FDA limitou sinvastatina a 20mg com amiodarona.
Amiodarona inibe a CYP3A4, enzima primária no metabolismo da Atorvastatina. Embora a Atorvastatina também tenha vias metabólicas secundárias, a inibição da CYP3A4 pela Amiodarona pode aumentar a AUC da Atorvastatina em aproximadamente 1,5 a 2 vezes, um efeito menos pronunciado do que com a Sinvastatina, mas ainda clinicamente relevante.
O mecanismo de interação não é primariamente pela CYP2C9, como afirmado. A Rosuvastatina é minimamente metabolizada (aproximadamente 10%) pela CYP2C9. A interação com Amiodarona é provavelmente multifatorial, envolvendo inibição de transportadores hepáticos como OATP1B1 e BCRP, dos quais a Rosuvastatina é substrato. A Amiodarona pode inibir esses transportadores, reduzindo a captação e excreção hepática da Rosuvastatina, aumentando sua exposição plasmática em cerca de 1,5 a 2 vezes.
Amiodarona é um inibidor potente da glicoproteína-P (P-gp) tanto no intestino quanto nos túbulos renais. A Digoxina é um substrato clássico da P-gp, e sua eliminação depende criticamente deste transportador. A inibição da P-gp pela Amiodarona reduz a secreção tubular renal e o efluxo intestinal da Digoxina, podendo aumentar seus níveis séricos em 70-100%, um efeito de grande magnitude e alta relevância clínica devido ao estreito índice terapêutico da Digoxina.
Atualizado em junho/2026
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