Amiodarona + Digoxina
⚠O que acontece
Aumento significativo dos níveis séricos de Digoxina, com alto risco de toxicidade digitálica manifestada por arritmias cardíacas graves (bradicardia sinusal, bloqueio AV, taquicardia atrial com bloqueio, taquicardia ventricular), sintomas gastrointestinais (anorexia, náusea, vômito) e neurológicos (distúrbios visuais, confusão).
⚙Mecanismo
Amiodarona é um inibidor potente da glicoproteína-P (P-gp) tanto no intestino quanto nos túbulos renais. A Digoxina é um substrato clássico da P-gp, e sua eliminação depende criticamente deste transportador. A inibição da P-gp pela Amiodarona reduz a secreção tubular renal e o efluxo intestinal da Digoxina, podendo aumentar seus níveis séricos em 70-100%, um efeito de grande magnitude e alta relevância clínica devido ao estreito índice terapêutico da Digoxina.
📋Conduta Clinica
Reduzir a dose de Digoxina em 30-50% no início da coadministração com Amiodarona. Ajustes subsequentes devem ser guiados pela monitorização dos níveis séricos de Digoxina e pela resposta clínica. A dose de manutenção típica pode precisar ser reduzida de 0,25 mg/dia para 0,125 mg/dia ou até menos.
🔍O que monitorar
Monitorar nível sérico de Digoxina (alvo terapêutico: 0,5-0,9 ng/mL) após 1-2 semanas do início da Amiodarona e periodicamente. Monitorar função renal (creatinina, ureia), eletrólitos (K+, Mg2+) e realizar ECG para avaliar sinais de toxicidade (por exemplo, infradesnivelamento do segmento ST com onda T achatada ou invertida).
↺Alternativas
Considerar o uso de digitoxina, que tem menor dependência da P-gp para eliminação renal, embora sua disponibilidade seja limitada. Alternativas não-digitálicas para controle de frequência (betabloqueadores, antagonistas de cálcio) podem ser consideradas, mas com cautela devido aos efeitos aditivos na condução AV.
📚Referências
UCSF P-gp Table; Micromedex 2024; Bula oficial da Digoxina (FDA/Anvisa)
Perguntas Frequentes
Pode tomar Amiodarona com Digoxina?
A combinação de Amiodarona com Digoxina apresenta interação de gravidade grave. Aumento significativo dos níveis séricos de Digoxina, com alto risco de toxicidade digitálica manifestada por arritmias cardíacas graves (bradicardia sinusal, bloqueio AV, taquicardia atrial com bloqueio, taquicardia ventricular), sintomas gastrointestinais (anorexia, náusea, vômito) e neurológicos (distúrbios visuais, confusão). Reduzir a dose de Digoxina em 30-50% no início da coadministração com Amiodarona. Ajustes subsequentes devem ser guiados pela monitorização dos níveis séricos de Digoxina e pela resposta clínica. A dose de manutenção típica pode precisar ser reduzida de 0,25 mg/dia para 0,125 mg/dia ou até menos.
Amiodarona e Digoxina interagem?
Sim, Amiodarona e Digoxina possuem interação medicamentosa documentada. O mecanismo envolve amiodarona é um inibidor potente da glicoproteína-p (p-gp) tanto no intestino quanto nos túbulos renais. a digoxina é um substrato clássico da p-gp, e sua eliminação depende criticamente deste transportador. a inibição da p-gp pela amiodarona reduz a secreção tubular renal e o efluxo intestinal da digoxina, podendo aumentar seus níveis séricos em 70-100%, um efeito de grande magnitude e alta relevância clínica devido ao estreito índice terapêutico da digoxina.. A conduta recomendada é: reduzir a dose de digoxina em 30-50% no início da coadministração com amiodarona. ajustes subsequentes devem ser guiados pela monitorização dos níveis séricos de digoxina e pela resposta clínica. a dose de manutenção típica pode precisar ser reduzida de 0,25 mg/dia para 0,125 mg/dia ou até menos..
Qual o risco de Amiodarona com Digoxina?
O risco da associação Amiodarona + Digoxina é classificado como GRAVE. Aumento significativo dos níveis séricos de Digoxina, com alto risco de toxicidade digitálica manifestada por arritmias cardíacas graves (bradicardia sinusal, bloqueio AV, taquicardia atrial com bloqueio, taquicardia ventricular), sintomas gastrointestinais (anorexia, náusea, vômito) e neurológicos (distúrbios visuais, confusão). Monitorar: monitorar nível sérico de digoxina (alvo terapêutico: 0,5-0,9 ng/ml) após 1-2 semanas do início da amiodarona e periodicamente. monitorar função renal (creatinina, ureia), eletrólitos (k+, mg2+) e realizar ecg para avaliar sinais de toxicidade (por exemplo, infradesnivelamento do segmento st com onda t achatada ou invertida)..
Interações Relacionadas
Amiodarona inibe CYP3A4, aumentando AUC de sinvastatina em 100-200%. FDA limitou sinvastatina a 20mg com amiodarona.
Amiodarona inibe a CYP3A4, enzima primária no metabolismo da Atorvastatina. Embora a Atorvastatina também tenha vias metabólicas secundárias, a inibição da CYP3A4 pela Amiodarona pode aumentar a AUC da Atorvastatina em aproximadamente 1,5 a 2 vezes, um efeito menos pronunciado do que com a Sinvastatina, mas ainda clinicamente relevante.
O mecanismo de interação não é primariamente pela CYP2C9, como afirmado. A Rosuvastatina é minimamente metabolizada (aproximadamente 10%) pela CYP2C9. A interação com Amiodarona é provavelmente multifatorial, envolvendo inibição de transportadores hepáticos como OATP1B1 e BCRP, dos quais a Rosuvastatina é substrato. A Amiodarona pode inibir esses transportadores, reduzindo a captação e excreção hepática da Rosuvastatina, aumentando sua exposição plasmática em cerca de 1,5 a 2 vezes.
Amiodarona inibe CYP2C9 (S-varfarina, mais potente) e CYP3A4 (R-varfarina). Aumenta INR em 30-50%. Interação demora 2-7 semanas para se manifestar plenamente e persiste meses após suspensão (meia-vida de 40-55 dias).
Atualizado em junho/2026
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