Tacrolimus + Voriconazol
⚠O que acontece
Prolongamento do intervalo QTc > 500 ms ou aumento > 60 ms do basal, com risco de torsades de pointes (TdP), taquicardia ventricular polimórfica e morte súbita cardíaca. O risco é maior em pacientes com fatores predisponentes (sexo feminino, idade avançada, bradicardia, hipocalemia, hipomagnesemia, cardiopatia estrutural). A interação farmacocinética também aumenta o risco de nefrotoxicidade e neurotoxicidade por tacrolimus.
⚙Mecanismo
Ambos prolongam o intervalo QT por bloqueio de canais de potássio retificadores tardios (IKr) codificados pelo gene hERG. O tacrolimus inibe a corrente IKr com IC50 de ~3-5 μM, enquanto o voriconazol inibe IKr com IC50 de ~1-2 μM. O efeito aditivo na repolarização ventricular pode aumentar o QTc em 30-60 ms, com risco significativo de arritmias quando QTc > 500 ms ou aumento > 60 ms do basal. Além disso, o voriconazol é um potente inibidor do CYP3A4 (Ki ~0,1 μM), aumentando os níveis séricos de tacrolimus em 5-10 vezes, o que pode exacerbar tanto o prolongamento do QT quanto a nefrotoxicidade.
📋Conduta Clinica
Evitar a associação sempre que possível. Se indispensável, reduzir a dose de tacrolimus em 50-75% no início do voriconazol e ajustar conforme níveis séricos (alvo 5-10 ng/mL). Realizar ECG basal e repetir em 24-48 horas. Manter potássio sérico ≥ 4,0 mEq/L e magnésio ≥ 2,0 mg/dL. Corrigir distúrbios eletrolíticos antes de iniciar. Se QTc > 500 ms ou aumento > 60 ms, suspender um dos fármacos e monitorar até normalização.
🔍O que monitorar
ECG com medição de QTc (fórmula de Fridericia ou Bazett) no basal, 24-48h após início, e semanalmente no primeiro mês. Eletrólitos (K+, Mg2+, Ca2+) no basal e a cada 48-72h. Níveis séricos de tacrolimus diários até estabilização, depois 2-3 vezes por semana. Monitorar sinais clínicos de arritmia e neurotoxicidade (tremor, confusão). Função renal (creatinina, ureia) a cada 48h.
↺Alternativas
Substituir voriconazol por outro antifúngico sem efeito no QT e com menor inibição do CYP3A4 (ex.: isavuconazol, que tem menor interação, ou anfotericina B lipossomal, embora nefrotóxica). Se tacrolimus for substituído, considerar ciclosporina, mas ajustar dose com monitoramento rigoroso.
📚Referências
CredibleMeds QT Drug List 2024; Micromedex 2024; UpToDate 2024; Lexicomp 2024; FDA Drug Safety Communication 2023
Perguntas Frequentes
Pode tomar Tacrolimus com Voriconazol?
A combinação de Tacrolimus com Voriconazol apresenta interação de gravidade grave. Prolongamento do intervalo QTc > 500 ms ou aumento > 60 ms do basal, com risco de torsades de pointes (TdP), taquicardia ventricular polimórfica e morte súbita cardíaca. O risco é maior em pacientes com fatores predisponentes (sexo feminino, idade avançada, bradicardia, hipocalemia, hipomagnesemia, cardiopatia estrutural). A interação farmacocinética também aumenta o risco de nefrotoxicidade e neurotoxicidade por tacrolimus. Evitar a associação sempre que possível. Se indispensável, reduzir a dose de tacrolimus em 50-75% no início do voriconazol e ajustar conforme níveis séricos (alvo 5-10 ng/mL). Realizar ECG basal e repetir em 24-48 horas. Manter potássio sérico ≥ 4,0 mEq/L e magnésio ≥ 2,0 mg/dL. Corrigir distúrbios eletrolíticos antes de iniciar. Se QTc > 500 ms ou aumento > 60 ms, suspender um dos fármacos e monitorar até normalização.
Tacrolimus e Voriconazol interagem?
Sim, Tacrolimus e Voriconazol possuem interação medicamentosa documentada. O mecanismo envolve ambos prolongam o intervalo qt por bloqueio de canais de potássio retificadores tardios (ikr) codificados pelo gene herg. o tacrolimus inibe a corrente ikr com ic50 de ~3-5 μm, enquanto o voriconazol inibe ikr com ic50 de ~1-2 μm. o efeito aditivo na repolarização ventricular pode aumentar o qtc em 30-60 ms, com risco significativo de arritmias quando qtc > 500 ms ou aumento > 60 ms do basal. além disso, o voriconazol é um potente inibidor do cyp3a4 (ki ~0,1 μm), aumentando os níveis séricos de tacrolimus em 5-10 vezes, o que pode exacerbar tanto o prolongamento do qt quanto a nefrotoxicidade.. A conduta recomendada é: evitar a associação sempre que possível. se indispensável, reduzir a dose de tacrolimus em 50-75% no início do voriconazol e ajustar conforme níveis séricos (alvo 5-10 ng/ml). realizar ecg basal e repetir em 24-48 horas. manter potássio sérico ≥ 4,0 meq/l e magnésio ≥ 2,0 mg/dl. corrigir distúrbios eletrolíticos antes de iniciar. se qtc > 500 ms ou aumento > 60 ms, suspender um dos fármacos e monitorar até normalização..
Qual o risco de Tacrolimus com Voriconazol?
O risco da associação Tacrolimus + Voriconazol é classificado como GRAVE. Prolongamento do intervalo QTc > 500 ms ou aumento > 60 ms do basal, com risco de torsades de pointes (TdP), taquicardia ventricular polimórfica e morte súbita cardíaca. O risco é maior em pacientes com fatores predisponentes (sexo feminino, idade avançada, bradicardia, hipocalemia, hipomagnesemia, cardiopatia estrutural). A interação farmacocinética também aumenta o risco de nefrotoxicidade e neurotoxicidade por tacrolimus. Monitorar: ecg com medição de qtc (fórmula de fridericia ou bazett) no basal, 24-48h após início, e semanalmente no primeiro mês. eletrólitos (k+, mg2+, ca2+) no basal e a cada 48-72h. níveis séricos de tacrolimus diários até estabilização, depois 2-3 vezes por semana. monitorar sinais clínicos de arritmia e neurotoxicidade (tremor, confusão). função renal (creatinina, ureia) a cada 48h..
Interações Relacionadas
Amiodarona inibe CYP3A4, aumentando AUC de sinvastatina em 100-200%. FDA limitou sinvastatina a 20mg com amiodarona.
Amiodarona inibe a CYP3A4, enzima primária no metabolismo da Atorvastatina. Embora a Atorvastatina também tenha vias metabólicas secundárias, a inibição da CYP3A4 pela Amiodarona pode aumentar a AUC da Atorvastatina em aproximadamente 1,5 a 2 vezes, um efeito menos pronunciado do que com a Sinvastatina, mas ainda clinicamente relevante.
O mecanismo de interação não é primariamente pela CYP2C9, como afirmado. A Rosuvastatina é minimamente metabolizada (aproximadamente 10%) pela CYP2C9. A interação com Amiodarona é provavelmente multifatorial, envolvendo inibição de transportadores hepáticos como OATP1B1 e BCRP, dos quais a Rosuvastatina é substrato. A Amiodarona pode inibir esses transportadores, reduzindo a captação e excreção hepática da Rosuvastatina, aumentando sua exposição plasmática em cerca de 1,5 a 2 vezes.
Amiodarona é um inibidor potente da glicoproteína-P (P-gp) tanto no intestino quanto nos túbulos renais. A Digoxina é um substrato clássico da P-gp, e sua eliminação depende criticamente deste transportador. A inibição da P-gp pela Amiodarona reduz a secreção tubular renal e o efluxo intestinal da Digoxina, podendo aumentar seus níveis séricos em 70-100%, um efeito de grande magnitude e alta relevância clínica devido ao estreito índice terapêutico da Digoxina.
Atualizado em junho/2026
Gerada por motor farmacologico com validacao por IA — Tier B
As informações desta página são de caráter educativo e não substituem a orientação de um profissional farmacêutico. Sempre consulte um farmacêutico antes de alterar sua medicação.