Rifampicina + Amiodarona
⚠O que acontece
Redução drástica dos níveis de amiodarona e desetilamiodarona, com perda de eficácia antiarrítmica e risco de arritmias ventriculares recorrentes (taquicardia ventricular, fibrilação ventricular).
⚙Mecanismo
Rifampicina induz CYP3A4 (via PXR), principal via de metabolismo da amiodarona para seu metabólito ativo desetilamiodarona. A indução reduz a AUC da amiodarona em 60-80% e a do metabólito em 50-70%. A amiodarona tem índice terapêutico estreito e meia-vida longa (40-60 dias), tornando o ajuste de dose difícil. Relatos de caso mostram recorrência de arritmias ventriculares fatais após início de rifampicina.
📋Conduta Clinica
Evitar associação. Se rifampicina for indispensável, substituir amiodarona por antiarrítmico alternativo não metabolizado por CYP3A4 (ex.: sotalol, lidocaína, mexiletina). Se amiodarona for mantida, aumentar dose para 600-800 mg/dia (dose de ataque) e monitorar níveis séricos (alvo: 1-2.5 μg/mL) e ECG semanalmente. Considerar que a meia-vida longa dificulta ajustes rápidos.
🔍O que monitorar
Níveis séricos de amiodarona e desetilamiodarona (semanais até estabilização); ECG com QTc semanal; TGO/TGP, função tireoidiana e pulmonar (toxicidade amiodarona).
↺Alternativas
Substituir amiodarona por sotalol ou outro antiarrítmico não CYP3A4. Para tuberculose, rifabutina (indutor mais fraco) pode ser considerada, mas ainda reduz níveis de amiodarona em ~30-40%.
📚Referências
Flockhart Drug Interactions Table; UpToDate 2024; Micromedex 2024; O'Reilly et al. Am J Cardiol 1990; Zarembski et al. Ann Pharmacother 1999
Perguntas Frequentes
Pode tomar Rifampicina com Amiodarona?
A combinação de Rifampicina com Amiodarona apresenta interação de gravidade grave. Redução drástica dos níveis de amiodarona e desetilamiodarona, com perda de eficácia antiarrítmica e risco de arritmias ventriculares recorrentes (taquicardia ventricular, fibrilação ventricular). Evitar associação. Se rifampicina for indispensável, substituir amiodarona por antiarrítmico alternativo não metabolizado por CYP3A4 (ex.: sotalol, lidocaína, mexiletina). Se amiodarona for mantida, aumentar dose para 600-800 mg/dia (dose de ataque) e monitorar níveis séricos (alvo: 1-2.5 μg/mL) e ECG semanalmente. Considerar que a meia-vida longa dificulta ajustes rápidos.
Rifampicina e Amiodarona interagem?
Sim, Rifampicina e Amiodarona possuem interação medicamentosa documentada. O mecanismo envolve rifampicina induz cyp3a4 (via pxr), principal via de metabolismo da amiodarona para seu metabólito ativo desetilamiodarona. a indução reduz a auc da amiodarona em 60-80% e a do metabólito em 50-70%. a amiodarona tem índice terapêutico estreito e meia-vida longa (40-60 dias), tornando o ajuste de dose difícil. relatos de caso mostram recorrência de arritmias ventriculares fatais após início de rifampicina.. A conduta recomendada é: evitar associação. se rifampicina for indispensável, substituir amiodarona por antiarrítmico alternativo não metabolizado por cyp3a4 (ex.: sotalol, lidocaína, mexiletina). se amiodarona for mantida, aumentar dose para 600-800 mg/dia (dose de ataque) e monitorar níveis séricos (alvo: 1-2.5 μg/ml) e ecg semanalmente. considerar que a meia-vida longa dificulta ajustes rápidos..
Qual o risco de Rifampicina com Amiodarona?
O risco da associação Rifampicina + Amiodarona é classificado como GRAVE. Redução drástica dos níveis de amiodarona e desetilamiodarona, com perda de eficácia antiarrítmica e risco de arritmias ventriculares recorrentes (taquicardia ventricular, fibrilação ventricular). Monitorar: níveis séricos de amiodarona e desetilamiodarona (semanais até estabilização); ecg com qtc semanal; tgo/tgp, função tireoidiana e pulmonar (toxicidade amiodarona)..
Interações Relacionadas
Amiodarona inibe CYP3A4, aumentando AUC de sinvastatina em 100-200%. FDA limitou sinvastatina a 20mg com amiodarona.
Amiodarona inibe a CYP3A4, enzima primária no metabolismo da Atorvastatina. Embora a Atorvastatina também tenha vias metabólicas secundárias, a inibição da CYP3A4 pela Amiodarona pode aumentar a AUC da Atorvastatina em aproximadamente 1,5 a 2 vezes, um efeito menos pronunciado do que com a Sinvastatina, mas ainda clinicamente relevante.
O mecanismo de interação não é primariamente pela CYP2C9, como afirmado. A Rosuvastatina é minimamente metabolizada (aproximadamente 10%) pela CYP2C9. A interação com Amiodarona é provavelmente multifatorial, envolvendo inibição de transportadores hepáticos como OATP1B1 e BCRP, dos quais a Rosuvastatina é substrato. A Amiodarona pode inibir esses transportadores, reduzindo a captação e excreção hepática da Rosuvastatina, aumentando sua exposição plasmática em cerca de 1,5 a 2 vezes.
Amiodarona é um inibidor potente da glicoproteína-P (P-gp) tanto no intestino quanto nos túbulos renais. A Digoxina é um substrato clássico da P-gp, e sua eliminação depende criticamente deste transportador. A inibição da P-gp pela Amiodarona reduz a secreção tubular renal e o efluxo intestinal da Digoxina, podendo aumentar seus níveis séricos em 70-100%, um efeito de grande magnitude e alta relevância clínica devido ao estreito índice terapêutico da Digoxina.
Atualizado em junho/2026
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