Ranolazina + Dabigatrana
⚠O que acontece
Aumento potencialmente grave nos níveis plasmáticos de dabigatrana, elevando o risco de sangramento maior e clinicamente relevante não maior (CRNM), particularmente em pacientes com clearance de creatinina < 50 mL/min.
⚙Mecanismo
A ranolazina inibe a P-glicoproteína (P-gp) intestinal e renal (IC50 ~2-5 µM). A dabigatrana etexilata é um pró-fármaco substrato da P-gp com biodisponibilidade oral baixa (~6,5%) e eliminação renal (~80% da dose absorvida) dependente da P-gp tubular. A coadministração com inibidores potentes da P-gp (ex.: verapamil, amiodarona) aumenta a AUC da dabigatrana em 50-150%. Embora não haja estudos específicos com ranolazina, a similaridade do mecanismo sugere aumento significativo da exposição (estimado em 50-100%). A dabigatrana possui índice terapêutico estreito, e níveis elevados associam-se a sangramento maior (GI, intracraniano), especialmente em idosos e na insuficiência renal.
📋Conduta Clinica
1. Evitar a associação em pacientes com CrCl < 50 mL/min. 2. Se a combinação for necessária e CrCl ≥ 50 mL/min, reduzir a dose de dabigatrana para 110 mg BID (ao invés de 150 mg BID) e monitorar rigorosamente. 3. Em pacientes com CrCl 30-50 mL/min, considerar anticoagulante alternativo. 4. Espaçar a administração: administrar ranolazina e dabigatrana com intervalo mínimo de 2 horas para minimizar interação na absorção intestinal. 5. Suspender dabigatrana se surgirem sinais de sangramento e reavaliar risco-benefício.
🔍O que monitorar
Sinais e sintomas de sangramento (equimoses, sangramento gengival, hematúria, melena) a cada consulta; hemoglobina/hematócrito basal e mensal nos primeiros 3 meses; função renal (CrCl) basal e a cada 3 meses (mensal se CrCl < 50 mL/min); tempo de trombina (TT) ou ecarina (ECT) se disponível e em caso de sangramento ou necessidade de cirurgia urgente.
↺Alternativas
Substituir ranolazina por antianginoso sem efeito na P-gp (ex.: nitratos, betabloqueadores não substratos) ou substituir dabigatrana por anticoagulante com menor dependência de P-gp (ex.: varfarina, apixabana, edoxabana – esta última com cautela, pois também é substrato da P-gp, mas em menor grau).
📚Referências
UCSF P-gp Table; Micromedex 2024; FDA Dabigatran Label; FDA Ranolazine Label; Blech S et al. Drug Metab Dispos. 2008;36(2):386-99.
Perguntas Frequentes
Pode tomar Ranolazina com Dabigatrana?
A combinação de Ranolazina com Dabigatrana apresenta interação de gravidade grave. Aumento potencialmente grave nos níveis plasmáticos de dabigatrana, elevando o risco de sangramento maior e clinicamente relevante não maior (CRNM), particularmente em pacientes com clearance de creatinina < 50 mL/min. 1. Evitar a associação em pacientes com CrCl < 50 mL/min. 2. Se a combinação for necessária e CrCl ≥ 50 mL/min, reduzir a dose de dabigatrana para 110 mg BID (ao invés de 150 mg BID) e monitorar rigorosamente. 3. Em pacientes com CrCl 30-50 mL/min, considerar anticoagulante alternativo. 4. Espaçar a administração: administrar ranolazina e dabigatrana com intervalo mínimo de 2 horas para minimizar interação na absorção intestinal. 5. Suspender dabigatrana se surgirem sinais de sangramento e reavaliar risco-benefício.
Ranolazina e Dabigatrana interagem?
Sim, Ranolazina e Dabigatrana possuem interação medicamentosa documentada. O mecanismo envolve a ranolazina inibe a p-glicoproteína (p-gp) intestinal e renal (ic50 ~2-5 µm). a dabigatrana etexilata é um pró-fármaco substrato da p-gp com biodisponibilidade oral baixa (~6,5%) e eliminação renal (~80% da dose absorvida) dependente da p-gp tubular. a coadministração com inibidores potentes da p-gp (ex.: verapamil, amiodarona) aumenta a auc da dabigatrana em 50-150%. embora não haja estudos específicos com ranolazina, a similaridade do mecanismo sugere aumento significativo da exposição (estimado em 50-100%). a dabigatrana possui índice terapêutico estreito, e níveis elevados associam-se a sangramento maior (gi, intracraniano), especialmente em idosos e na insuficiência renal.. A conduta recomendada é: 1. evitar a associação em pacientes com crcl < 50 ml/min. 2. se a combinação for necessária e crcl ≥ 50 ml/min, reduzir a dose de dabigatrana para 110 mg bid (ao invés de 150 mg bid) e monitorar rigorosamente. 3. em pacientes com crcl 30-50 ml/min, considerar anticoagulante alternativo. 4. espaçar a administração: administrar ranolazina e dabigatrana com intervalo mínimo de 2 horas para minimizar interação na absorção intestinal. 5. suspender dabigatrana se surgirem sinais de sangramento e reavaliar risco-benefício..
Qual o risco de Ranolazina com Dabigatrana?
O risco da associação Ranolazina + Dabigatrana é classificado como GRAVE. Aumento potencialmente grave nos níveis plasmáticos de dabigatrana, elevando o risco de sangramento maior e clinicamente relevante não maior (CRNM), particularmente em pacientes com clearance de creatinina < 50 mL/min. Monitorar: sinais e sintomas de sangramento (equimoses, sangramento gengival, hematúria, melena) a cada consulta; hemoglobina/hematócrito basal e mensal nos primeiros 3 meses; função renal (crcl) basal e a cada 3 meses (mensal se crcl < 50 ml/min); tempo de trombina (tt) ou ecarina (ect) se disponível e em caso de sangramento ou necessidade de cirurgia urgente..
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Atualizado em junho/2026
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