Quetiapina + Voriconazol

GraveRisco elevado — pode causar dano significativo ao paciente
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O que acontece

Prolongamento do QTc >500 ms ou aumento >60 ms da linha de base, com risco de Torsades de Pointes (TdP) e morte súbita cardíaca. A incidência de TdP com quetiapina é de 0.1-0.3%, mas aumenta com coadministração. Relatos de caso documentam QTc >550 ms com a combinação, especialmente em doses altas de voriconazol (dose de ataque de 6 mg/kg IV).

Mecanismo

Ambos prolongam o intervalo QT por bloqueio dos canais de potássio hERG (IKr). A quetiapina tem um IC50 para bloqueio de hERG de aproximadamente 1-10 µM, e o voriconazol de 5-15 µM. O efeito é aditivo, resultando em prolongamento da repolarização ventricular. O voriconazol também é um inibidor potente da CYP3A4 (Ki <0.1 µM), o que pode aumentar os níveis plasmáticos de quetiapina (substrato da CYP3A4) em 2-3 vezes, exacerbando o prolongamento do QT. Fatores de risco adicionais incluem sexo feminino, idade >65 anos, bradicardia, hipocalemia, hipomagnesemia e cardiopatia estrutural.

📋Conduta Clinica

Evitar associação sempre que possível. Se indispensável: 1) ECG basal com QTc (fórmula de Fridericia ou Framingham); 2) Corrigir eletrólitos: K+ >4.0 mEq/L, Mg2+ >2.0 mg/dL, Ca2+ normal; 3) Reduzir dose de quetiapina em 50-75% (ex: de 100 mg para 25-50 mg/dia) devido à inibição da CYP3A4; 4) Iniciar voriconazol com dose padrão, mas monitorar níveis séricos (alvo: 1-5.5 µg/mL); 5) Repetir ECG após 3-5 dias e a cada aumento de dose; 6) Suspender se QTc >500 ms ou aumento >60 ms.

🔍O que monitorar

ECG com QTc na linha de base, após 3-5 dias, e semanalmente no primeiro mês. Eletrólitos (K+, Mg2+, Ca2+) na linha de base e semanalmente no primeiro mês. Monitorar sinais de arritmia: palpitações, síncope, convulsões. Monitorar níveis séricos de voriconazol e ajustar dose para manter nível terapêutico. Evitar outros fármacos que prolongam QT (ex: macrolídeos, fluoroquinolonas).

Alternativas

Substituir um dos fármacos por alternativa sem efeito no QT: para infecção fúngica, considerar anfotericina B lipossomal (sem efeito no QT) ou caspofungina (sem efeito no QT); para psicose/mania, considerar olanzapina (risco moderado, mas menor que quetiapina) ou haloperidol (risco moderado, com monitorização). Consultar CredibleMeds.org para classificação atualizada.

📚Referências

CredibleMeds QT Drug List 2024; Micromedex 2024; UpToDate 2024; FDA Drug Safety Communication 2023

Perguntas Frequentes

Pode tomar Quetiapina com Voriconazol?

A combinação de Quetiapina com Voriconazol apresenta interação de gravidade grave. Prolongamento do QTc >500 ms ou aumento >60 ms da linha de base, com risco de Torsades de Pointes (TdP) e morte súbita cardíaca. A incidência de TdP com quetiapina é de 0.1-0.3%, mas aumenta com coadministração. Relatos de caso documentam QTc >550 ms com a combinação, especialmente em doses altas de voriconazol (dose de ataque de 6 mg/kg IV). Evitar associação sempre que possível. Se indispensável: 1) ECG basal com QTc (fórmula de Fridericia ou Framingham); 2) Corrigir eletrólitos: K+ >4.0 mEq/L, Mg2+ >2.0 mg/dL, Ca2+ normal; 3) Reduzir dose de quetiapina em 50-75% (ex: de 100 mg para 25-50 mg/dia) devido à inibição da CYP3A4; 4) Iniciar voriconazol com dose padrão, mas monitorar níveis séricos (alvo: 1-5.5 µg/mL); 5) Repetir ECG após 3-5 dias e a cada aumento de dose; 6) Suspender se QTc >500 ms ou aumento >60 ms.

Quetiapina e Voriconazol interagem?

Sim, Quetiapina e Voriconazol possuem interação medicamentosa documentada. O mecanismo envolve ambos prolongam o intervalo qt por bloqueio dos canais de potássio herg (ikr). a quetiapina tem um ic50 para bloqueio de herg de aproximadamente 1-10 µm, e o voriconazol de 5-15 µm. o efeito é aditivo, resultando em prolongamento da repolarização ventricular. o voriconazol também é um inibidor potente da cyp3a4 (ki <0.1 µm), o que pode aumentar os níveis plasmáticos de quetiapina (substrato da cyp3a4) em 2-3 vezes, exacerbando o prolongamento do qt. fatores de risco adicionais incluem sexo feminino, idade >65 anos, bradicardia, hipocalemia, hipomagnesemia e cardiopatia estrutural.. A conduta recomendada é: evitar associação sempre que possível. se indispensável: 1) ecg basal com qtc (fórmula de fridericia ou framingham); 2) corrigir eletrólitos: k+ >4.0 meq/l, mg2+ >2.0 mg/dl, ca2+ normal; 3) reduzir dose de quetiapina em 50-75% (ex: de 100 mg para 25-50 mg/dia) devido à inibição da cyp3a4; 4) iniciar voriconazol com dose padrão, mas monitorar níveis séricos (alvo: 1-5.5 µg/ml); 5) repetir ecg após 3-5 dias e a cada aumento de dose; 6) suspender se qtc >500 ms ou aumento >60 ms..

Qual o risco de Quetiapina com Voriconazol?

O risco da associação Quetiapina + Voriconazol é classificado como GRAVE. Prolongamento do QTc >500 ms ou aumento >60 ms da linha de base, com risco de Torsades de Pointes (TdP) e morte súbita cardíaca. A incidência de TdP com quetiapina é de 0.1-0.3%, mas aumenta com coadministração. Relatos de caso documentam QTc >550 ms com a combinação, especialmente em doses altas de voriconazol (dose de ataque de 6 mg/kg IV). Monitorar: ecg com qtc na linha de base, após 3-5 dias, e semanalmente no primeiro mês. eletrólitos (k+, mg2+, ca2+) na linha de base e semanalmente no primeiro mês. monitorar sinais de arritmia: palpitações, síncope, convulsões. monitorar níveis séricos de voriconazol e ajustar dose para manter nível terapêutico. evitar outros fármacos que prolongam qt (ex: macrolídeos, fluoroquinolonas)..

Interações Relacionadas

Amiodarona + Sinvastatina

Amiodarona inibe CYP3A4, aumentando AUC de sinvastatina em 100-200%. FDA limitou sinvastatina a 20mg com amiodarona.

Grave
Amiodarona + Atorvastatina

Amiodarona inibe a CYP3A4, enzima primária no metabolismo da Atorvastatina. Embora a Atorvastatina também tenha vias metabólicas secundárias, a inibição da CYP3A4 pela Amiodarona pode aumentar a AUC da Atorvastatina em aproximadamente 1,5 a 2 vezes, um efeito menos pronunciado do que com a Sinvastatina, mas ainda clinicamente relevante.

Moderada
Amiodarona + Rosuvastatina

O mecanismo de interação não é primariamente pela CYP2C9, como afirmado. A Rosuvastatina é minimamente metabolizada (aproximadamente 10%) pela CYP2C9. A interação com Amiodarona é provavelmente multifatorial, envolvendo inibição de transportadores hepáticos como OATP1B1 e BCRP, dos quais a Rosuvastatina é substrato. A Amiodarona pode inibir esses transportadores, reduzindo a captação e excreção hepática da Rosuvastatina, aumentando sua exposição plasmática em cerca de 1,5 a 2 vezes.

Moderada
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Amiodarona é um inibidor potente da glicoproteína-P (P-gp) tanto no intestino quanto nos túbulos renais. A Digoxina é um substrato clássico da P-gp, e sua eliminação depende criticamente deste transportador. A inibição da P-gp pela Amiodarona reduz a secreção tubular renal e o efluxo intestinal da Digoxina, podendo aumentar seus níveis séricos em 70-100%, um efeito de grande magnitude e alta relevância clínica devido ao estreito índice terapêutico da Digoxina.

Grave

Atualizado em junho/2026

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