Paroxetina + Risperidona
⚠O que acontece
Aumento significativo do risco de prolongamento do intervalo QTc > 500 ms ou aumento > 60 ms da linha de base, com risco de Torsades de Pointes (TdP) e morte súbita cardíaca. O risco é exacerbado pelo acúmulo de risperidona devido à inibição do CYP2D6. Sintomas de toxicidade por risperidona (sedação excessiva, hipotensão postural, sintomas extrapiramidais) também podem ocorrer.
⚙Mecanismo
Interação farmacodinâmica e farmacocinética combinadas. Farmacodinâmica: Ambos os fármacos bloqueiam os canais hERG (IKr), prolongando a repolarização ventricular de forma aditiva. Farmacocinética: A paroxetina é um potente inibidor do CYP2D6 (Ki ~0.5-1 μM), a principal via de metabolização da risperidona para seu metabólito ativo, 9-hidroxirisperidona (paliperidona). A inibição do CYP2D6 aumenta a AUC da risperidona em 3 a 8 vezes, elevando significativamente as concentrações plasmáticas do fármaco e, portanto, o risco dose-dependente de prolongamento do QTc. A magnitude do efeito é maior em metabolizadores extensivos (EM) do CYP2D6, que podem ser convertidos fenotipicamente em metabolizadores pobres (PM).
📋Conduta Clinica
Evitar a associação. Se for absolutamente necessário: 1) Realizar ECG basal e genotipagem do CYP2D6, se disponível. 2) Em pacientes EM, reduzir a dose de risperidona em 50-75% (ex.: de 4 mg/dia para 1-2 mg/dia) e titular lentamente com base na resposta clínica e QTc. 3) Em pacientes PM, o ajuste de dose pode não ser necessário, mas o monitoramento do QTc continua obrigatório. 4) Corrigir e manter K+ > 4,0 mEq/L e Mg2+ > 2,0 mg/dL. 5) Evitar outros fármacos que prolongam o QT.
🔍O que monitorar
1) ECG: basal, 24-48h após início ou ajuste de dose, e depois a cada 3-6 meses. 2) Eletrólitos: K+, Mg2+ séricos na basal e periodicamente. 3) Monitorar sinais de toxicidade por risperidona (sedação, hipotensão, rigidez) e eficácia clínica. 4) Considerar monitoramento terapêutico de fármacos (TDM) para risperidona e 9-hidroxirisperidona (faixa de referência combinada: 20-60 ng/mL).
↺Alternativas
Substituir a paroxetina por um ISRS com menor potencial de inibição do CYP2D6 e menor risco de prolongamento do QT, como sertralina ou citalopram (com monitoramento de QTc). Alternativamente, substituir a risperidona por um antipsicótico com metabolismo independente do CYP2D6 e menor risco de QT, como a paliperidona (metabólito ativo da risperidona, excreção renal) ou aripiprazol.
📚Referências
CredibleMeds QT Drug List 2024; Micromedex 2024; Flockhart Drug Interactions Table; FDA Drug Safety Communication: Risperidone; UpToDate 2024
Perguntas Frequentes
Pode tomar Paroxetina com Risperidona?
A combinação de Paroxetina com Risperidona apresenta interação de gravidade grave. Aumento significativo do risco de prolongamento do intervalo QTc > 500 ms ou aumento > 60 ms da linha de base, com risco de Torsades de Pointes (TdP) e morte súbita cardíaca. O risco é exacerbado pelo acúmulo de risperidona devido à inibição do CYP2D6. Sintomas de toxicidade por risperidona (sedação excessiva, hipotensão postural, sintomas extrapiramidais) também podem ocorrer. Evitar a associação. Se for absolutamente necessário: 1) Realizar ECG basal e genotipagem do CYP2D6, se disponível. 2) Em pacientes EM, reduzir a dose de risperidona em 50-75% (ex.: de 4 mg/dia para 1-2 mg/dia) e titular lentamente com base na resposta clínica e QTc. 3) Em pacientes PM, o ajuste de dose pode não ser necessário, mas o monitoramento do QTc continua obrigatório. 4) Corrigir e manter K+ > 4,0 mEq/L e Mg2+ > 2,0 mg/dL. 5) Evitar outros fármacos que prolongam o QT.
Paroxetina e Risperidona interagem?
Sim, Paroxetina e Risperidona possuem interação medicamentosa documentada. O mecanismo envolve interação farmacodinâmica e farmacocinética combinadas. farmacodinâmica: ambos os fármacos bloqueiam os canais herg (ikr), prolongando a repolarização ventricular de forma aditiva. farmacocinética: a paroxetina é um potente inibidor do cyp2d6 (ki ~0.5-1 μm), a principal via de metabolização da risperidona para seu metabólito ativo, 9-hidroxirisperidona (paliperidona). a inibição do cyp2d6 aumenta a auc da risperidona em 3 a 8 vezes, elevando significativamente as concentrações plasmáticas do fármaco e, portanto, o risco dose-dependente de prolongamento do qtc. a magnitude do efeito é maior em metabolizadores extensivos (em) do cyp2d6, que podem ser convertidos fenotipicamente em metabolizadores pobres (pm).. A conduta recomendada é: evitar a associação. se for absolutamente necessário: 1) realizar ecg basal e genotipagem do cyp2d6, se disponível. 2) em pacientes em, reduzir a dose de risperidona em 50-75% (ex.: de 4 mg/dia para 1-2 mg/dia) e titular lentamente com base na resposta clínica e qtc. 3) em pacientes pm, o ajuste de dose pode não ser necessário, mas o monitoramento do qtc continua obrigatório. 4) corrigir e manter k+ > 4,0 meq/l e mg2+ > 2,0 mg/dl. 5) evitar outros fármacos que prolongam o qt..
Qual o risco de Paroxetina com Risperidona?
O risco da associação Paroxetina + Risperidona é classificado como GRAVE. Aumento significativo do risco de prolongamento do intervalo QTc > 500 ms ou aumento > 60 ms da linha de base, com risco de Torsades de Pointes (TdP) e morte súbita cardíaca. O risco é exacerbado pelo acúmulo de risperidona devido à inibição do CYP2D6. Sintomas de toxicidade por risperidona (sedação excessiva, hipotensão postural, sintomas extrapiramidais) também podem ocorrer. Monitorar: 1) ecg: basal, 24-48h após início ou ajuste de dose, e depois a cada 3-6 meses. 2) eletrólitos: k+, mg2+ séricos na basal e periodicamente. 3) monitorar sinais de toxicidade por risperidona (sedação, hipotensão, rigidez) e eficácia clínica. 4) considerar monitoramento terapêutico de fármacos (tdm) para risperidona e 9-hidroxirisperidona (faixa de referência combinada: 20-60 ng/ml)..
Interações Relacionadas
Amiodarona inibe CYP3A4, aumentando AUC de sinvastatina em 100-200%. FDA limitou sinvastatina a 20mg com amiodarona.
Amiodarona inibe a CYP3A4, enzima primária no metabolismo da Atorvastatina. Embora a Atorvastatina também tenha vias metabólicas secundárias, a inibição da CYP3A4 pela Amiodarona pode aumentar a AUC da Atorvastatina em aproximadamente 1,5 a 2 vezes, um efeito menos pronunciado do que com a Sinvastatina, mas ainda clinicamente relevante.
O mecanismo de interação não é primariamente pela CYP2C9, como afirmado. A Rosuvastatina é minimamente metabolizada (aproximadamente 10%) pela CYP2C9. A interação com Amiodarona é provavelmente multifatorial, envolvendo inibição de transportadores hepáticos como OATP1B1 e BCRP, dos quais a Rosuvastatina é substrato. A Amiodarona pode inibir esses transportadores, reduzindo a captação e excreção hepática da Rosuvastatina, aumentando sua exposição plasmática em cerca de 1,5 a 2 vezes.
Amiodarona é um inibidor potente da glicoproteína-P (P-gp) tanto no intestino quanto nos túbulos renais. A Digoxina é um substrato clássico da P-gp, e sua eliminação depende criticamente deste transportador. A inibição da P-gp pela Amiodarona reduz a secreção tubular renal e o efluxo intestinal da Digoxina, podendo aumentar seus níveis séricos em 70-100%, um efeito de grande magnitude e alta relevância clínica devido ao estreito índice terapêutico da Digoxina.
Atualizado em junho/2026
Gerada por motor farmacologico com validacao por IA — Tier B
As informações desta página são de caráter educativo e não substituem a orientação de um profissional farmacêutico. Sempre consulte um farmacêutico antes de alterar sua medicação.