Metadona + Ritonavir

GraveRisco elevado — pode causar dano significativo ao paciente
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O que acontece

Prolongamento do QTc >500 ms ou aumento >60 ms em relação ao basal, com risco de torsades de pointes (TdP), taquicardia ventricular polimórfica e morte súbita cardíaca. O ritonavir é frequentemente usado em combinação com outros antirretrovirais, e a interação com metadona é bem documentada em pacientes HIV positivos em tratamento de dependência opioide.

Mecanismo

Ambos prolongam o intervalo QT por bloqueio dos canais de potássio hERG (IKr), responsáveis pela corrente retificadora rápida (IKr) na fase 3 de repolarização ventricular. A metadona inibe o canal hERG com IC50 de ~3-10 μM, enquanto o ritonavir também demonstra bloqueio, com IC50 de ~10-30 μM. O efeito é aditivo, aumentando o risco de prolongamento do QTc. Além disso, o ritonavir é um potente inibidor do CYP3A4 e CYP2D6, o que pode aumentar os níveis plasmáticos de metadona (metabolizada por essas vias), potencializando ainda mais o risco de cardiotoxicidade. Fatores de risco adicionais incluem sexo feminino, idade avançada, bradicardia, hipocalemia, hipomagnesemia e uso concomitante de outros fármacos que prolongam o QT.

📋Conduta Clinica

Evitar a associação sempre que possível. Se indispensável: 1) Realizar ECG basal e calcular QTc (fórmula de Fridericia ou Framingham); 2) Corrigir distúrbios eletrolíticos: manter K+ ≥4,0 mEq/L e Mg2+ ≥2,0 mg/dL; 3) Iniciar com a menor dose eficaz de ambos os fármacos; 4) Repetir ECG após 48-72h do início e após cada ajuste de dose; 5) Suspender se QTc >500 ms ou aumento >60 ms do basal. Considerar ajuste de dose da metadona devido à inibição do CYP3A4 pelo ritonavir (redução de 25-50% da dose de metadona pode ser necessária).

🔍O que monitorar

ECG com QTc antes do início, após 48-72h, e depois mensalmente se estável. Eletrólitos (K+, Mg2+, Ca2+) no início e semanalmente no primeiro mês. Monitorar sinais de arritmia: palpitações, síncope, tontura. Em pacientes com risco elevado, considerar monitorização com Holter 24h. Monitorar também sinais de toxicidade por metadona (sedação excessiva, depressão respiratória) devido ao aumento dos níveis plasmáticos.

Alternativas

Substituir um dos fármacos por alternativa sem efeito no QT. Para metadona: considerar buprenorfina (risco muito menor de prolongamento do QT e menor interação com CYP3A4). Para ritonavir: avaliar cobicistate (menor potencial de prolongamento do QT, mas ainda inibe CYP3A4) ou regimes antirretrovirais sem booster, como dolutegravir/lamivudina. Consultar lista do CredibleMeds (www.crediblemeds.org) para classificação de risco.

📚Referências

CredibleMeds QT Drug List 2024; Micromedex 2024; UpToDate 2024; Lexicomp 2024; FDA Drug Safety Communication: Metadona (2012); EMA Ritonavir SmPC 2023; DHHS Antiretroviral Guidelines 2024.

Perguntas Frequentes

Pode tomar Metadona com Ritonavir?

A combinação de Metadona com Ritonavir apresenta interação de gravidade grave. Prolongamento do QTc >500 ms ou aumento >60 ms em relação ao basal, com risco de torsades de pointes (TdP), taquicardia ventricular polimórfica e morte súbita cardíaca. O ritonavir é frequentemente usado em combinação com outros antirretrovirais, e a interação com metadona é bem documentada em pacientes HIV positivos em tratamento de dependência opioide. Evitar a associação sempre que possível. Se indispensável: 1) Realizar ECG basal e calcular QTc (fórmula de Fridericia ou Framingham); 2) Corrigir distúrbios eletrolíticos: manter K+ ≥4,0 mEq/L e Mg2+ ≥2,0 mg/dL; 3) Iniciar com a menor dose eficaz de ambos os fármacos; 4) Repetir ECG após 48-72h do início e após cada ajuste de dose; 5) Suspender se QTc >500 ms ou aumento >60 ms do basal. Considerar ajuste de dose da metadona devido à inibição do CYP3A4 pelo ritonavir (redução de 25-50% da dose de metadona pode ser necessária).

Metadona e Ritonavir interagem?

Sim, Metadona e Ritonavir possuem interação medicamentosa documentada. O mecanismo envolve ambos prolongam o intervalo qt por bloqueio dos canais de potássio herg (ikr), responsáveis pela corrente retificadora rápida (ikr) na fase 3 de repolarização ventricular. a metadona inibe o canal herg com ic50 de ~3-10 μm, enquanto o ritonavir também demonstra bloqueio, com ic50 de ~10-30 μm. o efeito é aditivo, aumentando o risco de prolongamento do qtc. além disso, o ritonavir é um potente inibidor do cyp3a4 e cyp2d6, o que pode aumentar os níveis plasmáticos de metadona (metabolizada por essas vias), potencializando ainda mais o risco de cardiotoxicidade. fatores de risco adicionais incluem sexo feminino, idade avançada, bradicardia, hipocalemia, hipomagnesemia e uso concomitante de outros fármacos que prolongam o qt.. A conduta recomendada é: evitar a associação sempre que possível. se indispensável: 1) realizar ecg basal e calcular qtc (fórmula de fridericia ou framingham); 2) corrigir distúrbios eletrolíticos: manter k+ ≥4,0 meq/l e mg2+ ≥2,0 mg/dl; 3) iniciar com a menor dose eficaz de ambos os fármacos; 4) repetir ecg após 48-72h do início e após cada ajuste de dose; 5) suspender se qtc >500 ms ou aumento >60 ms do basal. considerar ajuste de dose da metadona devido à inibição do cyp3a4 pelo ritonavir (redução de 25-50% da dose de metadona pode ser necessária)..

Qual o risco de Metadona com Ritonavir?

O risco da associação Metadona + Ritonavir é classificado como GRAVE. Prolongamento do QTc >500 ms ou aumento >60 ms em relação ao basal, com risco de torsades de pointes (TdP), taquicardia ventricular polimórfica e morte súbita cardíaca. O ritonavir é frequentemente usado em combinação com outros antirretrovirais, e a interação com metadona é bem documentada em pacientes HIV positivos em tratamento de dependência opioide. Monitorar: ecg com qtc antes do início, após 48-72h, e depois mensalmente se estável. eletrólitos (k+, mg2+, ca2+) no início e semanalmente no primeiro mês. monitorar sinais de arritmia: palpitações, síncope, tontura. em pacientes com risco elevado, considerar monitorização com holter 24h. monitorar também sinais de toxicidade por metadona (sedação excessiva, depressão respiratória) devido ao aumento dos níveis plasmáticos..

Interações Relacionadas

Amiodarona + Sinvastatina

Amiodarona inibe CYP3A4, aumentando AUC de sinvastatina em 100-200%. FDA limitou sinvastatina a 20mg com amiodarona.

Grave
Amiodarona + Atorvastatina

Amiodarona inibe a CYP3A4, enzima primária no metabolismo da Atorvastatina. Embora a Atorvastatina também tenha vias metabólicas secundárias, a inibição da CYP3A4 pela Amiodarona pode aumentar a AUC da Atorvastatina em aproximadamente 1,5 a 2 vezes, um efeito menos pronunciado do que com a Sinvastatina, mas ainda clinicamente relevante.

Moderada
Amiodarona + Rosuvastatina

O mecanismo de interação não é primariamente pela CYP2C9, como afirmado. A Rosuvastatina é minimamente metabolizada (aproximadamente 10%) pela CYP2C9. A interação com Amiodarona é provavelmente multifatorial, envolvendo inibição de transportadores hepáticos como OATP1B1 e BCRP, dos quais a Rosuvastatina é substrato. A Amiodarona pode inibir esses transportadores, reduzindo a captação e excreção hepática da Rosuvastatina, aumentando sua exposição plasmática em cerca de 1,5 a 2 vezes.

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Grave

Atualizado em junho/2026

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