Lítio + Metadona
⚠O que acontece
Prolongamento do QTc >500 ms ou aumento >60 ms do basal, com risco de torsades de pointes (taquicardia ventricular polimórfica), síncope e morte súbita cardíaca. A incidência de arritmias ventriculares é maior em mulheres, idosos e cardiopatas.
⚙Mecanismo
Ambos prolongam o intervalo QT por bloqueio dos canais de potássio hERG (IKr), retardando a repolarização ventricular. Lítio inibe o tráfego de canais hERG para a membrana e reduz a corrente IKr em concentrações terapêuticas (0,6-1,2 mEq/L), com efeito dose-dependente. Metadona bloqueia diretamente o poro do canal hERG (IC50 ~3-10 μM), e seu efeito é dose-dependente, com risco aumentado em doses >100 mg/dia. O efeito aditivo aumenta a dispersão transmural da repolarização, criando substrato para torsades de pointes. O risco é maior em bradicardia, hipocalemia, hipomagnesemia ou QTc basal prolongado.
📋Conduta Clinica
Evitar a associação. Se indispensável: 1) Realizar ECG basal e calcular QTc (fórmula de Fridericia preferível); 2) Corrigir distúrbios eletrolíticos: manter K+ sérico >4,0 mEq/L e Mg2+ >2,0 mg/dL; 3) Iniciar com a menor dose possível de ambos e reavaliar ECG em 48-72h; 4) Suspender outros fármacos que prolongam QT (consultar CredibleMeds); 5) Se QTc >500 ms ou aumento >60 ms, suspender um dos agentes imediatamente.
🔍O que monitorar
ECG com QTc antes do início, 48-72h após e depois mensal; eletrólitos (K+, Mg2+, Ca2+) a cada 1-2 semanas inicialmente; monitorar sintomas de arritmia (palpitações, síncope); considerar Holter 24h se QTc limítrofe.
↺Alternativas
Substituir metadona por buprenorfina (menor risco de QT) ou outro opioide sem efeito no QT (morfina, oxicodona) para manejo da dor ou dependência. Substituir lítio por anticonvulsivante estabilizador de humor (valproato, lamotrigina) ou antipsicótico atípico com baixo risco de QT (ex: aripiprazol, lurasidona).
📚Referências
CredibleMeds QT Drug List 2024; Micromedex 2024; Circulation 2010; J Am Coll Cardiol 2018; Ann Intern Med 2009
Perguntas Frequentes
Pode tomar Lítio com Metadona?
A combinação de Lítio com Metadona apresenta interação de gravidade grave. Prolongamento do QTc >500 ms ou aumento >60 ms do basal, com risco de torsades de pointes (taquicardia ventricular polimórfica), síncope e morte súbita cardíaca. A incidência de arritmias ventriculares é maior em mulheres, idosos e cardiopatas. Evitar a associação. Se indispensável: 1) Realizar ECG basal e calcular QTc (fórmula de Fridericia preferível); 2) Corrigir distúrbios eletrolíticos: manter K+ sérico >4,0 mEq/L e Mg2+ >2,0 mg/dL; 3) Iniciar com a menor dose possível de ambos e reavaliar ECG em 48-72h; 4) Suspender outros fármacos que prolongam QT (consultar CredibleMeds); 5) Se QTc >500 ms ou aumento >60 ms, suspender um dos agentes imediatamente.
Lítio e Metadona interagem?
Sim, Lítio e Metadona possuem interação medicamentosa documentada. O mecanismo envolve ambos prolongam o intervalo qt por bloqueio dos canais de potássio herg (ikr), retardando a repolarização ventricular. lítio inibe o tráfego de canais herg para a membrana e reduz a corrente ikr em concentrações terapêuticas (0,6-1,2 meq/l), com efeito dose-dependente. metadona bloqueia diretamente o poro do canal herg (ic50 ~3-10 μm), e seu efeito é dose-dependente, com risco aumentado em doses >100 mg/dia. o efeito aditivo aumenta a dispersão transmural da repolarização, criando substrato para torsades de pointes. o risco é maior em bradicardia, hipocalemia, hipomagnesemia ou qtc basal prolongado.. A conduta recomendada é: evitar a associação. se indispensável: 1) realizar ecg basal e calcular qtc (fórmula de fridericia preferível); 2) corrigir distúrbios eletrolíticos: manter k+ sérico >4,0 meq/l e mg2+ >2,0 mg/dl; 3) iniciar com a menor dose possível de ambos e reavaliar ecg em 48-72h; 4) suspender outros fármacos que prolongam qt (consultar crediblemeds); 5) se qtc >500 ms ou aumento >60 ms, suspender um dos agentes imediatamente..
Qual o risco de Lítio com Metadona?
O risco da associação Lítio + Metadona é classificado como GRAVE. Prolongamento do QTc >500 ms ou aumento >60 ms do basal, com risco de torsades de pointes (taquicardia ventricular polimórfica), síncope e morte súbita cardíaca. A incidência de arritmias ventriculares é maior em mulheres, idosos e cardiopatas. Monitorar: ecg com qtc antes do início, 48-72h após e depois mensal; eletrólitos (k+, mg2+, ca2+) a cada 1-2 semanas inicialmente; monitorar sintomas de arritmia (palpitações, síncope); considerar holter 24h se qtc limítrofe..
Interações Relacionadas
Amiodarona inibe CYP3A4, aumentando AUC de sinvastatina em 100-200%. FDA limitou sinvastatina a 20mg com amiodarona.
Amiodarona inibe a CYP3A4, enzima primária no metabolismo da Atorvastatina. Embora a Atorvastatina também tenha vias metabólicas secundárias, a inibição da CYP3A4 pela Amiodarona pode aumentar a AUC da Atorvastatina em aproximadamente 1,5 a 2 vezes, um efeito menos pronunciado do que com a Sinvastatina, mas ainda clinicamente relevante.
O mecanismo de interação não é primariamente pela CYP2C9, como afirmado. A Rosuvastatina é minimamente metabolizada (aproximadamente 10%) pela CYP2C9. A interação com Amiodarona é provavelmente multifatorial, envolvendo inibição de transportadores hepáticos como OATP1B1 e BCRP, dos quais a Rosuvastatina é substrato. A Amiodarona pode inibir esses transportadores, reduzindo a captação e excreção hepática da Rosuvastatina, aumentando sua exposição plasmática em cerca de 1,5 a 2 vezes.
Amiodarona é um inibidor potente da glicoproteína-P (P-gp) tanto no intestino quanto nos túbulos renais. A Digoxina é um substrato clássico da P-gp, e sua eliminação depende criticamente deste transportador. A inibição da P-gp pela Amiodarona reduz a secreção tubular renal e o efluxo intestinal da Digoxina, podendo aumentar seus níveis séricos em 70-100%, um efeito de grande magnitude e alta relevância clínica devido ao estreito índice terapêutico da Digoxina.
Atualizado em junho/2026
Gerada por motor farmacologico com validacao por IA — Tier B
As informações desta página são de caráter educativo e não substituem a orientação de um profissional farmacêutico. Sempre consulte um farmacêutico antes de alterar sua medicação.