Ivabradina + Lítio
⚠O que acontece
Prolongamento do intervalo QTc > 500 ms ou aumento > 60 ms em relação ao basal, com risco significativo de torsades de pointes (TdP), taquicardia ventricular polimórfica e morte súbita cardíaca. O risco é particularmente elevado em pacientes com fatores de risco adicionais. Estudos observacionais e relatos de caso documentam TdP com lítio isoladamente, e o uso concomitante com outros fármacos que prolongam o QT é um fator de risco independente.
⚙Mecanismo
Ambos prolongam o intervalo QT por bloqueio dos canais de potássio retificadores tardios (IKr) codificados pelo gene hERG (KCNH2). A ivabradina inibe a corrente I_f (funny current) no nó sinoatrial, mas também bloqueia canais hERG em concentrações terapêuticas (IC50 ~ 3 µM). O lítio, embora seu mecanismo exato de prolongamento do QT não seja completamente elucidado, está associado a alterações na repolarização ventricular, possivelmente por interferência na homeostase de eletrólitos intracelulares e modulação de canais iônicos. O efeito aditivo na inibição de IKr reduz a repolarização, prolongando o potencial de ação e o intervalo QTc. A magnitude do prolongamento é variável e dependente de fatores de risco (sexo feminino, idade avançada, bradicardia, hipocalemia, hipomagnesemia, cardiopatia estrutural).
📋Conduta Clinica
Evitar a associação sempre que possível. Se o uso concomitante for considerado indispensável após avaliação cuidadosa do risco-benefício: 1) Obter ECG basal com medição do QTc (fórmula de Fridericia ou Bazett, preferencialmente Fridericia em frequências cardíacas extremas). 2) Corrigir distúrbios eletrolíticos antes do início: manter potássio sérico > 4,0 mEq/L e magnésio sérico > 2,0 mg/dL (0,85 mmol/L). 3) Iniciar com a menor dose eficaz de ambos os fármacos. 4) Evitar outros medicamentos que prolongam o QT ou inibidores do metabolismo. 5) Reavaliar a necessidade da terapia combinada periodicamente.
🔍O que monitorar
1) ECG: basal, 24-48 horas após início ou ajuste de dose, e depois a cada 3-6 meses ou antes se surgirem sintomas (palpitações, síncope). 2) Eletrólitos: dosar K+, Mg2+, Ca2+ basalmente, após 1-2 semanas e depois mensalmente ou conforme necessário. 3) Monitorar frequência cardíaca (risco de bradicardia excessiva com ivabradina). 4) Sinais/sintomas de arritmia: tontura, palpitações, síncope, convulsões. 5) Litemia: manter dentro da faixa terapêutica (0,6-1,2 mEq/L), evitando níveis tóxicos que aumentam o risco de cardiotoxicidade.
↺Alternativas
Substituir um dos fármacos por alternativa sem efeito conhecido no intervalo QT. Para o lítio, considerar outros estabilizadores de humor (ex: valproato, lamotrigina, antipsicóticos atípicos com menor risco de QT como aripiprazol ou lurasidona, após avaliação psiquiátrica). Para ivabradina, em caso de angina ou insuficiência cardíaca, avaliar betabloqueadores (ex: metoprolol, carvedilol) ou outros antianginosos (ex: ranolazina, com cautela pois também pode prolongar QT). Consultar listas atualizadas do CredibleMeds (www.crediblemeds.org) para classificação de risco de TdP.
📚Referências
CredibleMeds QT Drug List 2024; Micromedex 2024; UpToDate 2024; Lexicomp 2024; Stockley's Drug Interactions 2024; Tisdale JE et al. J Am Coll Cardiol. 2020;76(23):2729-2741.
Perguntas Frequentes
Pode tomar Ivabradina com Lítio?
A combinação de Ivabradina com Lítio apresenta interação de gravidade grave. Prolongamento do intervalo QTc > 500 ms ou aumento > 60 ms em relação ao basal, com risco significativo de torsades de pointes (TdP), taquicardia ventricular polimórfica e morte súbita cardíaca. O risco é particularmente elevado em pacientes com fatores de risco adicionais. Estudos observacionais e relatos de caso documentam TdP com lítio isoladamente, e o uso concomitante com outros fármacos que prolongam o QT é um fator de risco independente. Evitar a associação sempre que possível. Se o uso concomitante for considerado indispensável após avaliação cuidadosa do risco-benefício: 1) Obter ECG basal com medição do QTc (fórmula de Fridericia ou Bazett, preferencialmente Fridericia em frequências cardíacas extremas). 2) Corrigir distúrbios eletrolíticos antes do início: manter potássio sérico > 4,0 mEq/L e magnésio sérico > 2,0 mg/dL (0,85 mmol/L). 3) Iniciar com a menor dose eficaz de ambos os fármacos. 4) Evitar outros medicamentos que prolongam o QT ou inibidores do metabolismo. 5) Reavaliar a necessidade da terapia combinada periodicamente.
Ivabradina e Lítio interagem?
Sim, Ivabradina e Lítio possuem interação medicamentosa documentada. O mecanismo envolve ambos prolongam o intervalo qt por bloqueio dos canais de potássio retificadores tardios (ikr) codificados pelo gene herg (kcnh2). a ivabradina inibe a corrente i_f (funny current) no nó sinoatrial, mas também bloqueia canais herg em concentrações terapêuticas (ic50 ~ 3 µm). o lítio, embora seu mecanismo exato de prolongamento do qt não seja completamente elucidado, está associado a alterações na repolarização ventricular, possivelmente por interferência na homeostase de eletrólitos intracelulares e modulação de canais iônicos. o efeito aditivo na inibição de ikr reduz a repolarização, prolongando o potencial de ação e o intervalo qtc. a magnitude do prolongamento é variável e dependente de fatores de risco (sexo feminino, idade avançada, bradicardia, hipocalemia, hipomagnesemia, cardiopatia estrutural).. A conduta recomendada é: evitar a associação sempre que possível. se o uso concomitante for considerado indispensável após avaliação cuidadosa do risco-benefício: 1) obter ecg basal com medição do qtc (fórmula de fridericia ou bazett, preferencialmente fridericia em frequências cardíacas extremas). 2) corrigir distúrbios eletrolíticos antes do início: manter potássio sérico > 4,0 meq/l e magnésio sérico > 2,0 mg/dl (0,85 mmol/l). 3) iniciar com a menor dose eficaz de ambos os fármacos. 4) evitar outros medicamentos que prolongam o qt ou inibidores do metabolismo. 5) reavaliar a necessidade da terapia combinada periodicamente..
Qual o risco de Ivabradina com Lítio?
O risco da associação Ivabradina + Lítio é classificado como GRAVE. Prolongamento do intervalo QTc > 500 ms ou aumento > 60 ms em relação ao basal, com risco significativo de torsades de pointes (TdP), taquicardia ventricular polimórfica e morte súbita cardíaca. O risco é particularmente elevado em pacientes com fatores de risco adicionais. Estudos observacionais e relatos de caso documentam TdP com lítio isoladamente, e o uso concomitante com outros fármacos que prolongam o QT é um fator de risco independente. Monitorar: 1) ecg: basal, 24-48 horas após início ou ajuste de dose, e depois a cada 3-6 meses ou antes se surgirem sintomas (palpitações, síncope). 2) eletrólitos: dosar k+, mg2+, ca2+ basalmente, após 1-2 semanas e depois mensalmente ou conforme necessário. 3) monitorar frequência cardíaca (risco de bradicardia excessiva com ivabradina). 4) sinais/sintomas de arritmia: tontura, palpitações, síncope, convulsões. 5) litemia: manter dentro da faixa terapêutica (0,6-1,2 meq/l), evitando níveis tóxicos que aumentam o risco de cardiotoxicidade..
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Atualizado em junho/2026
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