Isoniazida + Amiodarona
⚠O que acontece
Aumento dos níveis de amiodarona com risco de prolongamento do QTc (>500 ms ou aumento >60 ms da linha de base), torsades de pointes, bradicardia sinusal e bloqueio AV. Risco aumentado de hepatotoxicidade (elevação de transaminases, hepatite fulminante).
⚙Mecanismo
Isoniazida é um inibidor fraco a moderado da CYP3A4 (IC50 ~ 10-20 μM), mas a amiodarona é extensamente metabolizada pela CYP3A4 (principal via) e CYP2C8. A inibição da CYP3A4 pode aumentar os níveis de amiodarona em 30-50%, elevando o risco de prolongamento do intervalo QTc e arritmias ventriculares (torsades de pointes). Além disso, a amiodarona inibe fracamente a CYP3A4, podendo aumentar os níveis de isoniazida e seus metabólitos hepatotóxicos (acetilhidrazina), aumentando o risco de hepatotoxicidade. O efeito aditivo no QTc é preocupante, pois ambos os fármacos podem prolongar o QTc independentemente.
📋Conduta Clinica
Evitar a associação sempre que possível. Se indispensável: 1) Reduzir a dose de amiodarona em 50% no início da isoniazida; 2) Monitorar ECG basal e semanalmente nas primeiras 4 semanas, depois mensalmente; 3) Dosar níveis séricos de amiodarona (faixa terapêutica: 1-2,5 μg/mL) e desetilamiodarona; 4) Monitorar TGO/TGP e função hepática a cada 2 semanas nos primeiros 2 meses. Suspender ambos se QTc >500 ms ou elevação de transaminases >3x LSN. Considerar substituir isoniazida por outro tuberculostático não inibidor de CYP3A4 (ex.: etambutol, pirazinamida – com monitoramento hepático) ou substituir amiodarona por outro antiarrítmico com menor risco de interação (ex.: sotalol, com cautela pelo QTc; ou propafenona, que é substrato da CYP2D6).
🔍O que monitorar
ECG com QTc (basal, semanal por 4 semanas, depois mensal), nível sérico de amiodarona e desetilamiodarona (basal e mensal), TGO/TGP e bilirrubinas (a cada 2 semanas por 2 meses, depois mensal), eletrólitos (K+, Mg2+), avaliação clínica de arritmias (palpitações, síncope) e hepatotoxicidade (icterícia, náusea, dor abdominal).
↺Alternativas
Substituir isoniazida por etambutol + pirazinamida (esquema alternativo para tuberculose, com monitoramento hepático rigoroso). Ou substituir amiodarona por sotalol (monitorar QTc) ou propafenona (evitar se doença estrutural cardíaca).
📚Referências
Flockhart Drug Interactions Table; Micromedex 2024; UpToDate 2024; Lexicomp 2024; CredibleMeds 2024
Perguntas Frequentes
Pode tomar Isoniazida com Amiodarona?
A combinação de Isoniazida com Amiodarona apresenta interação de gravidade grave. Aumento dos níveis de amiodarona com risco de prolongamento do QTc (>500 ms ou aumento >60 ms da linha de base), torsades de pointes, bradicardia sinusal e bloqueio AV. Risco aumentado de hepatotoxicidade (elevação de transaminases, hepatite fulminante). Evitar a associação sempre que possível. Se indispensável: 1) Reduzir a dose de amiodarona em 50% no início da isoniazida; 2) Monitorar ECG basal e semanalmente nas primeiras 4 semanas, depois mensalmente; 3) Dosar níveis séricos de amiodarona (faixa terapêutica: 1-2,5 μg/mL) e desetilamiodarona; 4) Monitorar TGO/TGP e função hepática a cada 2 semanas nos primeiros 2 meses. Suspender ambos se QTc >500 ms ou elevação de transaminases >3x LSN. Considerar substituir isoniazida por outro tuberculostático não inibidor de CYP3A4 (ex.: etambutol, pirazinamida – com monitoramento hepático) ou substituir amiodarona por outro antiarrítmico com menor risco de interação (ex.: sotalol, com cautela pelo QTc; ou propafenona, que é substrato da CYP2D6).
Isoniazida e Amiodarona interagem?
Sim, Isoniazida e Amiodarona possuem interação medicamentosa documentada. O mecanismo envolve isoniazida é um inibidor fraco a moderado da cyp3a4 (ic50 ~ 10-20 μm), mas a amiodarona é extensamente metabolizada pela cyp3a4 (principal via) e cyp2c8. a inibição da cyp3a4 pode aumentar os níveis de amiodarona em 30-50%, elevando o risco de prolongamento do intervalo qtc e arritmias ventriculares (torsades de pointes). além disso, a amiodarona inibe fracamente a cyp3a4, podendo aumentar os níveis de isoniazida e seus metabólitos hepatotóxicos (acetilhidrazina), aumentando o risco de hepatotoxicidade. o efeito aditivo no qtc é preocupante, pois ambos os fármacos podem prolongar o qtc independentemente.. A conduta recomendada é: evitar a associação sempre que possível. se indispensável: 1) reduzir a dose de amiodarona em 50% no início da isoniazida; 2) monitorar ecg basal e semanalmente nas primeiras 4 semanas, depois mensalmente; 3) dosar níveis séricos de amiodarona (faixa terapêutica: 1-2,5 μg/ml) e desetilamiodarona; 4) monitorar tgo/tgp e função hepática a cada 2 semanas nos primeiros 2 meses. suspender ambos se qtc >500 ms ou elevação de transaminases >3x lsn. considerar substituir isoniazida por outro tuberculostático não inibidor de cyp3a4 (ex.: etambutol, pirazinamida – com monitoramento hepático) ou substituir amiodarona por outro antiarrítmico com menor risco de interação (ex.: sotalol, com cautela pelo qtc; ou propafenona, que é substrato da cyp2d6)..
Qual o risco de Isoniazida com Amiodarona?
O risco da associação Isoniazida + Amiodarona é classificado como GRAVE. Aumento dos níveis de amiodarona com risco de prolongamento do QTc (>500 ms ou aumento >60 ms da linha de base), torsades de pointes, bradicardia sinusal e bloqueio AV. Risco aumentado de hepatotoxicidade (elevação de transaminases, hepatite fulminante). Monitorar: ecg com qtc (basal, semanal por 4 semanas, depois mensal), nível sérico de amiodarona e desetilamiodarona (basal e mensal), tgo/tgp e bilirrubinas (a cada 2 semanas por 2 meses, depois mensal), eletrólitos (k+, mg2+), avaliação clínica de arritmias (palpitações, síncope) e hepatotoxicidade (icterícia, náusea, dor abdominal)..
Interações Relacionadas
Amiodarona inibe CYP3A4, aumentando AUC de sinvastatina em 100-200%. FDA limitou sinvastatina a 20mg com amiodarona.
Amiodarona inibe a CYP3A4, enzima primária no metabolismo da Atorvastatina. Embora a Atorvastatina também tenha vias metabólicas secundárias, a inibição da CYP3A4 pela Amiodarona pode aumentar a AUC da Atorvastatina em aproximadamente 1,5 a 2 vezes, um efeito menos pronunciado do que com a Sinvastatina, mas ainda clinicamente relevante.
O mecanismo de interação não é primariamente pela CYP2C9, como afirmado. A Rosuvastatina é minimamente metabolizada (aproximadamente 10%) pela CYP2C9. A interação com Amiodarona é provavelmente multifatorial, envolvendo inibição de transportadores hepáticos como OATP1B1 e BCRP, dos quais a Rosuvastatina é substrato. A Amiodarona pode inibir esses transportadores, reduzindo a captação e excreção hepática da Rosuvastatina, aumentando sua exposição plasmática em cerca de 1,5 a 2 vezes.
Amiodarona é um inibidor potente da glicoproteína-P (P-gp) tanto no intestino quanto nos túbulos renais. A Digoxina é um substrato clássico da P-gp, e sua eliminação depende criticamente deste transportador. A inibição da P-gp pela Amiodarona reduz a secreção tubular renal e o efluxo intestinal da Digoxina, podendo aumentar seus níveis séricos em 70-100%, um efeito de grande magnitude e alta relevância clínica devido ao estreito índice terapêutico da Digoxina.
Atualizado em junho/2026
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