Escitalopram + Nortriptilina

GraveRisco elevado — pode causar dano significativo ao paciente
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O que acontece

Prolongamento significativo do QTc, com alto risco de Torsades de Pointes e morte súbita, especialmente em doses elevadas de nortriptilina (> 100 mg/dia) ou em pacientes com fatores de risco (idade > 65 anos, cardiopatia, hipocalemia). A nortriptilina em monoterapia já está associada a TdP; a adição de escitalopram potencializa o risco.

Mecanismo

Escitalopram: risco condicional de TdP (CredibleMeds); Nortriptilina: risco conhecido. A nortriptilina é um antidepressivo tricíclico (ADT) que bloqueia canais hERG com IC50 ≈ 1-3 μM, além de inibir canais de sódio (efeito quinidina-like), o que pode prolongar ainda mais a repolarização. O escitalopram tem IC50 ≈ 2,6 μM. A combinação resulta em efeito aditivo no prolongamento do QTc. ADTs também têm efeitos anticolinérgicos e podem causar taquicardia, mascarando bradicardia, mas o risco de TdP é bem documentado.

📋Conduta Clinica

Evitar a associação sempre que possível. Se indispensável (ex.: depressão resistente com dor neuropática), realizar ECG basal e semanal no primeiro mês. Manter K+ ≥ 4,0 mEq/L e Mg2+ ≥ 2,0 mg/dL. Iniciar com doses muito baixas (escitalopram 5 mg/dia, nortriptilina 10-25 mg/dia) e titular lentamente, monitorando níveis plasmáticos de nortriptilina (faixa terapêutica: 50-150 ng/mL; não exceder 150 ng/mL). Suspender se QTc > 500 ms ou Δ > 60 ms. Evitar outros fármacos que prolongam QT.

🔍O que monitorar

ECG com QTc (Fridericia) basal, semanal por 4 semanas, depois mensal por 3 meses e a cada 3 meses. Eletrólitos (K+, Mg2+) na mesma frequência. Dosagem sérica de nortriptilina no estado de equilíbrio (após 1-2 semanas) e após ajustes de dose. Holter 24h se sintomas arrítmicos. Educação do paciente sobre sinais de alarme (palpitações, síncope).

Alternativas

Substituir nortriptilina por ADT com menor risco QT (ex.: desipramina tem risco condicional, mas ainda significativo) ou, preferencialmente, por fármaco não ADT para dor neuropática (gabapentina, pregabalina, duloxetina – esta última com risco QT possível, mas menor). Para depressão, usar ISRS isolado ou combinar com bupropiona.

📚Referências

CredibleMeds QT Drug List 2024; Micromedex 2024; UpToDate 2024; Vieweg et al., 2012 (ADTs e risco cardiovascular)

Perguntas Frequentes

Pode tomar Escitalopram com Nortriptilina?

A combinação de Escitalopram com Nortriptilina apresenta interação de gravidade grave. Prolongamento significativo do QTc, com alto risco de Torsades de Pointes e morte súbita, especialmente em doses elevadas de nortriptilina (> 100 mg/dia) ou em pacientes com fatores de risco (idade > 65 anos, cardiopatia, hipocalemia). A nortriptilina em monoterapia já está associada a TdP; a adição de escitalopram potencializa o risco. Evitar a associação sempre que possível. Se indispensável (ex.: depressão resistente com dor neuropática), realizar ECG basal e semanal no primeiro mês. Manter K+ ≥ 4,0 mEq/L e Mg2+ ≥ 2,0 mg/dL. Iniciar com doses muito baixas (escitalopram 5 mg/dia, nortriptilina 10-25 mg/dia) e titular lentamente, monitorando níveis plasmáticos de nortriptilina (faixa terapêutica: 50-150 ng/mL; não exceder 150 ng/mL). Suspender se QTc > 500 ms ou Δ > 60 ms. Evitar outros fármacos que prolongam QT.

Escitalopram e Nortriptilina interagem?

Sim, Escitalopram e Nortriptilina possuem interação medicamentosa documentada. O mecanismo envolve escitalopram: risco condicional de tdp (crediblemeds); nortriptilina: risco conhecido. a nortriptilina é um antidepressivo tricíclico (adt) que bloqueia canais herg com ic50 ≈ 1-3 μm, além de inibir canais de sódio (efeito quinidina-like), o que pode prolongar ainda mais a repolarização. o escitalopram tem ic50 ≈ 2,6 μm. a combinação resulta em efeito aditivo no prolongamento do qtc. adts também têm efeitos anticolinérgicos e podem causar taquicardia, mascarando bradicardia, mas o risco de tdp é bem documentado.. A conduta recomendada é: evitar a associação sempre que possível. se indispensável (ex.: depressão resistente com dor neuropática), realizar ecg basal e semanal no primeiro mês. manter k+ ≥ 4,0 meq/l e mg2+ ≥ 2,0 mg/dl. iniciar com doses muito baixas (escitalopram 5 mg/dia, nortriptilina 10-25 mg/dia) e titular lentamente, monitorando níveis plasmáticos de nortriptilina (faixa terapêutica: 50-150 ng/ml; não exceder 150 ng/ml). suspender se qtc > 500 ms ou δ > 60 ms. evitar outros fármacos que prolongam qt..

Qual o risco de Escitalopram com Nortriptilina?

O risco da associação Escitalopram + Nortriptilina é classificado como GRAVE. Prolongamento significativo do QTc, com alto risco de Torsades de Pointes e morte súbita, especialmente em doses elevadas de nortriptilina (> 100 mg/dia) ou em pacientes com fatores de risco (idade > 65 anos, cardiopatia, hipocalemia). A nortriptilina em monoterapia já está associada a TdP; a adição de escitalopram potencializa o risco. Monitorar: ecg com qtc (fridericia) basal, semanal por 4 semanas, depois mensal por 3 meses e a cada 3 meses. eletrólitos (k+, mg2+) na mesma frequência. dosagem sérica de nortriptilina no estado de equilíbrio (após 1-2 semanas) e após ajustes de dose. holter 24h se sintomas arrítmicos. educação do paciente sobre sinais de alarme (palpitações, síncope)..

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Grave

Atualizado em junho/2026

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