Domperidona + Trazodona

GraveRisco elevado — pode causar dano significativo ao paciente
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O que acontece

Prolongamento do QTc > 500 ms ou aumento > 60 ms da linha de base, com risco de torsades de pointes (TdP) e morte súbita cardíaca. O risco é dose-dependente e aumenta com concentrações elevadas de domperidona (> 30 mg/dia) e trazodona (> 150 mg/dia).

Mecanismo

Efeito aditivo no prolongamento do intervalo QT. Ambos os fármacos inibem a corrente rápida de potássio retificadora tardia (IKr) codificada pelo gene hERG (KCNH2). A domperidona bloqueia os canais hERG com IC50 de aproximadamente 0.1-0.3 μM, enquanto a trazodona e seu metabólito ativo mCPP também inibem IKr, com IC50 na faixa de 1-10 μM. A coadministração resulta em redução sinérgica da repolarização ventricular, aumentando o risco de eventos pró-arrítmicos, especialmente em pacientes com predisposição (distúrbios eletrolíticos, bradicardia, síndrome do QT longo congênito).

📋Conduta Clinica

Evitar a associação sempre que possível. Se o uso concomitante for considerado indispensável após avaliação cuidadosa de risco-benefício: 1) Realizar ECG basal e calcular QTc (fórmula de Fridericia ou Framingham); 2) Corrigir distúrbios eletrolíticos antes do início: manter K+ sérico ≥ 4,0 mEq/L, Mg2+ ≥ 2,0 mg/dL (0,85 mmol/L), Ca2+ corrigido normal; 3) Iniciar com as menores doses eficazes de ambos os fármacos; 4) Repetir ECG 24-48h após início e após cada ajuste de dose; 5) Suspender imediatamente se QTc > 500 ms ou aumento > 60 ms, ou surgimento de sintomas (síncope, palpitações).

🔍O que monitorar

ECG com QTc basal, 24-48h após início, após ajustes de dose e mensalmente durante uso prolongado. Eletrólitos (K+, Mg2+, Ca2+) basais e semanalmente no primeiro mês, depois mensalmente. Monitorar sinais/sintomas de arritmia (palpitações, síncope, tontura). Em pacientes com insuficiência renal (domperidona tem excreção renal), monitorar função renal e ajustar dose.

Alternativas

Substituir um dos fármacos por alternativa sem risco conhecido de prolongamento do QT. Para domperidona: metoclopramida (risco de QT muito baixo em doses terapêuticas) ou dimenidrinato. Para trazodona: mirtazapina ou agomelatina (sem efeito significativo no QT). Consultar lista atualizada do CredibleMeds (www.crediblemeds.org) para classificação de risco.

📚Referências

CredibleMeds QT Drug List 2024; Micromedex 2024; Stockley's Drug Interactions 2024; UpToDate 2024

Perguntas Frequentes

Pode tomar Domperidona com Trazodona?

A combinação de Domperidona com Trazodona apresenta interação de gravidade grave. Prolongamento do QTc > 500 ms ou aumento > 60 ms da linha de base, com risco de torsades de pointes (TdP) e morte súbita cardíaca. O risco é dose-dependente e aumenta com concentrações elevadas de domperidona (> 30 mg/dia) e trazodona (> 150 mg/dia). Evitar a associação sempre que possível. Se o uso concomitante for considerado indispensável após avaliação cuidadosa de risco-benefício: 1) Realizar ECG basal e calcular QTc (fórmula de Fridericia ou Framingham); 2) Corrigir distúrbios eletrolíticos antes do início: manter K+ sérico ≥ 4,0 mEq/L, Mg2+ ≥ 2,0 mg/dL (0,85 mmol/L), Ca2+ corrigido normal; 3) Iniciar com as menores doses eficazes de ambos os fármacos; 4) Repetir ECG 24-48h após início e após cada ajuste de dose; 5) Suspender imediatamente se QTc > 500 ms ou aumento > 60 ms, ou surgimento de sintomas (síncope, palpitações).

Domperidona e Trazodona interagem?

Sim, Domperidona e Trazodona possuem interação medicamentosa documentada. O mecanismo envolve efeito aditivo no prolongamento do intervalo qt. ambos os fármacos inibem a corrente rápida de potássio retificadora tardia (ikr) codificada pelo gene herg (kcnh2). a domperidona bloqueia os canais herg com ic50 de aproximadamente 0.1-0.3 μm, enquanto a trazodona e seu metabólito ativo mcpp também inibem ikr, com ic50 na faixa de 1-10 μm. a coadministração resulta em redução sinérgica da repolarização ventricular, aumentando o risco de eventos pró-arrítmicos, especialmente em pacientes com predisposição (distúrbios eletrolíticos, bradicardia, síndrome do qt longo congênito).. A conduta recomendada é: evitar a associação sempre que possível. se o uso concomitante for considerado indispensável após avaliação cuidadosa de risco-benefício: 1) realizar ecg basal e calcular qtc (fórmula de fridericia ou framingham); 2) corrigir distúrbios eletrolíticos antes do início: manter k+ sérico ≥ 4,0 meq/l, mg2+ ≥ 2,0 mg/dl (0,85 mmol/l), ca2+ corrigido normal; 3) iniciar com as menores doses eficazes de ambos os fármacos; 4) repetir ecg 24-48h após início e após cada ajuste de dose; 5) suspender imediatamente se qtc > 500 ms ou aumento > 60 ms, ou surgimento de sintomas (síncope, palpitações)..

Qual o risco de Domperidona com Trazodona?

O risco da associação Domperidona + Trazodona é classificado como GRAVE. Prolongamento do QTc > 500 ms ou aumento > 60 ms da linha de base, com risco de torsades de pointes (TdP) e morte súbita cardíaca. O risco é dose-dependente e aumenta com concentrações elevadas de domperidona (> 30 mg/dia) e trazodona (> 150 mg/dia). Monitorar: ecg com qtc basal, 24-48h após início, após ajustes de dose e mensalmente durante uso prolongado. eletrólitos (k+, mg2+, ca2+) basais e semanalmente no primeiro mês, depois mensalmente. monitorar sinais/sintomas de arritmia (palpitações, síncope, tontura). em pacientes com insuficiência renal (domperidona tem excreção renal), monitorar função renal e ajustar dose..

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Grave

Atualizado em junho/2026

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