Clomipramina + Risperidona
⚠O que acontece
Prolongamento do intervalo QTc > 500 ms ou aumento > 60 ms em relação ao basal, com risco de torsades de pointes (TdP), taquicardia ventricular polimórfica e morte súbita cardíaca. Incidência de TdP com risperidona isolada é baixa (<0.1%), mas aumenta com combinação de dois fármacos de risco conhecido. Sintomas prodrômicos incluem palpitações, síncope e tontura.
⚙Mecanismo
Ambos prolongam o intervalo QT por bloqueio dos canais de potássio hERG (IKr), responsáveis pela corrente retificadora rápida de potássio (IKr) na fase 3 de repolarização ventricular. A clomipramina inibe o canal hERG com IC50 de aproximadamente 1-5 µM, enquanto a risperidona tem efeito moderado, com IC50 em torno de 5-10 µM, mas com risco aumentado em doses altas (>4 mg/dia) ou em combinação. O efeito aditivo na repolarização ventricular é exacerbado por fatores como bradicardia, hipocalemia, hipomagnesemia, sexo feminino e predisposição genética. A magnitude do prolongamento do QTc é dose-dependente e pode exceder 500 ms em combinação, especialmente com doses altas (>150 mg/dia de clomipramina ou >4 mg/dia de risperidona).
📋Conduta Clinica
Evitar a associação sempre que possível. Se indispensável, obter ECG basal e calcular QTc (fórmula de Fridericia ou Framingham). Iniciar com doses baixas: clomipramina 25 mg/dia e risperidona 0.5-1 mg/dia, com titulação lenta a cada 2 semanas. Manter potássio sérico ≥ 4,0 mEq/L e magnésio ≥ 2,0 mg/dL. Suspender imediatamente se QTc > 500 ms ou aumento > 60 ms do basal. Evitar outros fármacos que prolongam QT ou inibidores do metabolismo (ex: CYP2D6 para ambos, pois risperidona é substrato e clomipramina é inibidor).
🔍O que monitorar
ECG com QTc antes do início, 2 semanas após cada ajuste de dose e depois a cada 3-6 meses. Eletrólitos (K+, Mg2+, Ca2+) no basal e semanalmente no primeiro mês. Monitorar sinais de arritmia (palpitações, síncope) e orientar paciente a relatar imediatamente. Em idosos ou cardiopatas, considerar Holter 24h se QTc limítrofe.
↺Alternativas
Substituir um dos fármacos por alternativa sem efeito no QT, conforme lista CredibleMeds (ex: substituir risperidona por olanzapina ou aripiprazol para psicose, ou clomipramina por sertralina para depressão, se apropriado).
📚Referências
CredibleMeds QT Drug List 2024; Micromedex 2024; UpToDate 2024; Tisdale JE, Drug-induced QT prolongation, N Engl J Med 2020.
Perguntas Frequentes
Pode tomar Clomipramina com Risperidona?
A combinação de Clomipramina com Risperidona apresenta interação de gravidade grave. Prolongamento do intervalo QTc > 500 ms ou aumento > 60 ms em relação ao basal, com risco de torsades de pointes (TdP), taquicardia ventricular polimórfica e morte súbita cardíaca. Incidência de TdP com risperidona isolada é baixa (<0.1%), mas aumenta com combinação de dois fármacos de risco conhecido. Sintomas prodrômicos incluem palpitações, síncope e tontura. Evitar a associação sempre que possível. Se indispensável, obter ECG basal e calcular QTc (fórmula de Fridericia ou Framingham). Iniciar com doses baixas: clomipramina 25 mg/dia e risperidona 0.5-1 mg/dia, com titulação lenta a cada 2 semanas. Manter potássio sérico ≥ 4,0 mEq/L e magnésio ≥ 2,0 mg/dL. Suspender imediatamente se QTc > 500 ms ou aumento > 60 ms do basal. Evitar outros fármacos que prolongam QT ou inibidores do metabolismo (ex: CYP2D6 para ambos, pois risperidona é substrato e clomipramina é inibidor).
Clomipramina e Risperidona interagem?
Sim, Clomipramina e Risperidona possuem interação medicamentosa documentada. O mecanismo envolve ambos prolongam o intervalo qt por bloqueio dos canais de potássio herg (ikr), responsáveis pela corrente retificadora rápida de potássio (ikr) na fase 3 de repolarização ventricular. a clomipramina inibe o canal herg com ic50 de aproximadamente 1-5 µm, enquanto a risperidona tem efeito moderado, com ic50 em torno de 5-10 µm, mas com risco aumentado em doses altas (>4 mg/dia) ou em combinação. o efeito aditivo na repolarização ventricular é exacerbado por fatores como bradicardia, hipocalemia, hipomagnesemia, sexo feminino e predisposição genética. a magnitude do prolongamento do qtc é dose-dependente e pode exceder 500 ms em combinação, especialmente com doses altas (>150 mg/dia de clomipramina ou >4 mg/dia de risperidona).. A conduta recomendada é: evitar a associação sempre que possível. se indispensável, obter ecg basal e calcular qtc (fórmula de fridericia ou framingham). iniciar com doses baixas: clomipramina 25 mg/dia e risperidona 0.5-1 mg/dia, com titulação lenta a cada 2 semanas. manter potássio sérico ≥ 4,0 meq/l e magnésio ≥ 2,0 mg/dl. suspender imediatamente se qtc > 500 ms ou aumento > 60 ms do basal. evitar outros fármacos que prolongam qt ou inibidores do metabolismo (ex: cyp2d6 para ambos, pois risperidona é substrato e clomipramina é inibidor)..
Qual o risco de Clomipramina com Risperidona?
O risco da associação Clomipramina + Risperidona é classificado como GRAVE. Prolongamento do intervalo QTc > 500 ms ou aumento > 60 ms em relação ao basal, com risco de torsades de pointes (TdP), taquicardia ventricular polimórfica e morte súbita cardíaca. Incidência de TdP com risperidona isolada é baixa (<0.1%), mas aumenta com combinação de dois fármacos de risco conhecido. Sintomas prodrômicos incluem palpitações, síncope e tontura. Monitorar: ecg com qtc antes do início, 2 semanas após cada ajuste de dose e depois a cada 3-6 meses. eletrólitos (k+, mg2+, ca2+) no basal e semanalmente no primeiro mês. monitorar sinais de arritmia (palpitações, síncope) e orientar paciente a relatar imediatamente. em idosos ou cardiopatas, considerar holter 24h se qtc limítrofe..
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Atualizado em junho/2026
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